A ministra da Presidência e da Modernização Administrativa recusou o pedido de reconhecimento da Fundação Raríssimas, segundo um despacho publicado esta quarta-feira em Diário da República.
“Indefiro o pedido de reconhecimento da Fundação Raríssimas”, refere o despacho assinado por Maria Manuel Leitão Marques.
A decisão foi tomada com base na Lei-Quadro das Fundações e depois de ouvidos os serviços competentes do Ministério da Solidariedade Emprego e Segurança Social e analisados os fundamentos constantes nas informações sobre o processo administrativo.
A criação da fundação era uma intenção da ex-presidente da Associação Nacional de Doenças Mentais e Raras (Raríssimas), Paula Brito e Costa, tendo o pedido de reconhecimento da Fundação Raríssimas dado entrada na presidência de Conselho de Ministros em abril do ano passado.
A Raríssimas é uma instituição particular de solidariedade social (IPSS) que recebe financiamento do Estado, cuja gestão foi colocada em causa por uma reportagem da TVI, exibida a 9 de dezembro.
A reportagem denunciou alegadas irregularidades na associação, incluindo o uso indevido de dinheiro da IPSS para fins pessoais, visando em particular a fundadora e, até então, presidente da Raríssimas que, entretanto, se demitiu do cargo.
Paula Brito da Costa foi constituída arguida no âmbito da operação Raríssimas desenvolvida pela Polícia Judiciária e pelo Ministério Público, que está a ser conduzida pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.
Este caso provocou, no dia 12 de dezembro, a demissão do secretário de Estado da saúde Manuel Delgado, que a TVI noticiou ter sido consultor remunerado da associação, contratado entre 2013 e 2014, com um vencimento de três mil euros por mês.
Em 3 de janeiro, foi eleita em Assembleia-Geral Extraordinária uma nova direção da Raríssimas com base numa lista apresentada por pais de utentes e funcionários da associação, presidida pela socióloga Sónia Margarida Laygue, mãe de uma criança de três anos com uma doença rara.
Na cerimónia de posse, a nova presidente elegeu como prioridades “esclarecer a situação financeira da instituição, manter o financiamento e apoios previstos nos próximos meses” e “retomar a confiança de todos os parceiros”.
Esta semana, foi noticiado que Sónia Margarida Laygue decidiu devolver o BMW até então usado pela ex-presidente e que ainda estava na Casa dos Marcos, que tinha um custo para a associação de 921 euros por mês.
ZAP // Lusa
Escândalo na Raríssimas
-
13 Fevereiro, 2020 Ex-presidente da Raríssimas exige 147 mil euros por ter sido despedida
-
19 Agosto, 2019 Raríssimas processa Paula Brito e Costa (e exige 384 mil euros)
-
26 Dezembro, 2018 A Raríssimas resistiu, “está viva e vai entrar numa nova fase”
Felizmente alguém resolveu enfrentar a situação e dar a cara, tratando de procurar arrumar a casa, já fazia falta, os meus parabéns