Raríssimas já tem presidente

Mário Cruz / Lusa

A nova presidente-eleita da Raríssimas, Sónia Margarida Laygue

Os associados da Raríssimas elegeram Sónia Laygue, mãe de uma menina de três anos com uma doença rara, para presidir à direção e substituir Paula Brito e Costa.

Depois dos rumores de que o marido de Paula Brito e Costa, a ex-presidente da Raríssimas, se ia candidatar à presidência da instituição, um grupo de dois pais e três funcionários decidiu avançar com uma lista candidata.

A Assembleia Geral Extraordinária devia ter começado às 10 horas, como estava previsto, mas acabou por só se iniciar às 10h40, devido à falta de associados suficientes. A reunião conta com 26 associados com mais de um ano de cotas, conta o Jornal de Notícias.

Dos 1200 associados com que a Associação conta, teriam que estar presentes às 10 horas cerca de 300. Não estando, os estatutos ditam que a reunião comece meia hora depois com os associados presentes.

Poucos minutos depois de ter começado, a reunião foi suspensa para apreciação da lista candidata, a única. O Observador relembra que, segundo a convocatória, na sessão serão eleitos um máximo de nove elementos da Direção até ao final do mandato em curso: um presidente, um vice-presidente, o tesoureiro, um secretário e um máximo de cinco vogais efetivos “em substituição dos membros eleitos”, que não tomaram posse.

Deverá ser ainda eleito um novo Conselho Fiscal (um presidente e um máximo de dois vogais), para um mandato que termina em 2019.

Só podem fazer parte das listas candidatas os associados que tenham pelo menos um ano de filiação e que, por isso, tenham sido admitidos até ao dia 3 de janeiro de 2017, revela a TSF.

Não são elegíveis para cargos da direção ou do conselho fiscal os associados que tenham sido removidos de cargos diretivos ou tenham sido declarados responsáveis por irregularidades cometidas no exercício dessas funções.

O mesmo acontece para os que tenham sido condenados em processo judicial por crime doloso contra o património, abuso de cartão de garantia ou de crédito, apropriação ilegítima de bens do setor público, corrupção ou branqueamento de capitais.

Os candidatos também não serão elegíveis se ocuparem outro cargo na Raríssimas.

As listas devem apresentar, além dos currículos dos candidatos – com menção a cargos sociais desempenhados durante os últimos cinco anos -, os elementos por funções a desempenhar.

Esta nova direção visa substituir a que era liderada por Paula Brito e Costa, que se demitiu da presidência da Raríssimas após uma reportagem da TVI em que se levantavam suspeitas sobre a sua gestão.

A Assembleia-Gera decorre no salão dos Bombeiros Voluntários da Moita, ao lado da Casa dos Marcos, onde funcionam os serviços da Raríssimas. Paula Brito e Costa foi constituída arguida no âmbito da operação Raríssimas desenvolvida pela Polícia Judiciária e Ministério Público, disse à Lusa fonte ligada à investigação.

A investigação da TVI mostrou documentos que colocam em causa a gestão da instituição de solidariedade social, nomeadamente de Paula Brito da Costa, que alegadamente terá usado o dinheiro para diversos gastos pessoais.

O caso provocou a demissão do secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, que foi consultor da Raríssimas, com um vencimento de três mil euros por mês, tendo recebido um total de 63 mil euros.

Presidente eleita da Raríssimas quer manter “balão de oxigénio” para crianças e famílias

“Não vai ser simples, vai demorar tempo e vai ser uma luta, mas estamos cá para ela”, afirmou aos jornalistas Sónia Margarida Laygue, que quer as contas da instituição auditadas e reunir-se com o Governo para a tutela contribuir para solucionar os problemas da Raríssimas.

Quanto à presidente demitida, Paula Brito e Costa, e aos ex-membros da direção em investigação por suspeitas de irregularidades na gestão, defende que não devem voltar, pelo menos até haver conclusões.

“Enquanto houver processos na justiça, as pessoas implicadas devem ser afastadas”, declarou, considerando que “não seria moral e eticamente aceitável” que voltassem a cargos na instituição. Sónia Margarida Laygue ressalvou que não tira “de forma alguma o mérito a quem criou” a Raríssimas.

A presidente eleita, que tomará posse na próxima sexta-feira com os outros membros da lista que liderou para preencher os lugares deixados vagos pela demissão dos ex-membros, salientou que “é essencial e determinante para as famílias que a Raríssimas continue”.

Mãe de uma menina de três anos que é diariamente assistida na associação, afirmou conhecer bem a resposta dada a pessoas “que de outra forma não teriam qualquer tipo de apoio e assistência para terem meios de se superarem todos os dias”.

Tenho toda a motivação dentro de mim para continuar este projeto“, garantiu.

A nova dirigente pretende, como um dos primeiros atos, saber se as contas da instituição foram auditadas para compreender o “estado da nação” que vai assumir com a sua equipa. Considera ainda importante “falar com o Governo diretamente” para que a tutela colabore na resolução dos problemas.

A lista liderada por Sónia Margarida Laygue foi hoje aprovada pela maioria dos sócios que compareceram na assembleia geral extraordinária da Raríssimas. Preenche cinco lugares efetivos na direção, onde permanecem quatro membros da anterior.

Foram ainda eleitos três novos membros para o Conselho Fiscal da instituição.

ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. No lugar desta senhora, não aceitaria o lugar.
    Mesmo que a anterior directora tenha alguma coisa que se lhe aponte (e parece que a montanha vai parir um rato), foi com o trabalho e inteligência dela que a obra está feita e o seu filho lá está a viver.
    Tem, a meu ver, um certo sabor a ingratidão ou lá perto.
    Dirão que alguém tem de ser. Então que vá ocupar o lugar quem fez que se fôsse embora.
    De resto,ninguém deveria aceitar o cargo. Que se arranjassem. As pessoas,mesmo com gestão caseira, não iam morrer à fome.

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