Raríssimas: Vieira da Silva em xeque

Manuel de Almeida / Lusa

O ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, José António Vieira da Silva

O ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social explica-se, esta segunda-feira, no Parlamento, sobre as suspeitas em torno do caso Raríssimas, e vai tentar não sair “chamuscado” da polémica.

Vieira da Silva é ouvido esta segunda-feira à tarde, no Parlamento, sobre o caso Raríssimas. O ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social vai prestar esclarecimentos sobre as suspeitas de gestão danosa na associação que apoia pessoas com doenças raras.

O governante foi vice-presidente da assembleia-geral da Raríssimas entre 2013 e 2015, função no âmbito da qual aprovou as contas da associação.

O ministro pediu, entretanto, uma auditoria às contas da associação para verificar “se do lado do Estado houve alguma fragilidade”, depois de uma reportagem da TVI ter dado conta de alegadas irregularidades nas contas da Raríssimas, apresentando documentos que colocam a agora ex-presidente, Paula Brito e Costa, como suspeita de utilizar fundos da Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) para fins pessoais.

A posição de Vieira da Silva surge fragilizada no meio deste imbróglio e o comentador da SIC, Marques Mendes, aponta-lhe a “falha” de só agora ter ordenado “a inspecção” às contas da Raríssimas, depois de as suspeitas terem sido tornadas públicas.

“Tenho Vieira da Silva como um ministro sério, competente, experiente e um dos melhores ministros destes governos”, refere o ex-líder do PSD, considerando que é “um peso pesado” e que “não cometeu crime nenhum, não meteu dinheiro ao bolso, não fez nenhuma fraude”.

“O ministro não se demite nem vai ser demitido, mas se não explicar esta questão fica chamuscado e fragilizado“, alerta ainda o comentador da SIC.

BMW da ex-presidente alugado a sobrinho de Delgado

Entre as irregularidades apontadas à gestão de Paula Brito e Costa na Raríssimas, conta-se a compra de vestidos de alta costura, de bens alimentares caros e o pagamento de deslocações, apesar de ter um carro de alta gama pago pela Raríssimas.

Além disso, a ex-presidente terá também beneficiado de um salário de três mil euros, de 1.300 euros em ajudas de custos e de um Plano Poupança Reforma que rondava os 800 euros mensais.

A reportagem da TVI avançou ainda que o agora ex-secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, colaborou com a associação como consultor, em 2013 e 2015, recebendo um elevado ordenado.

Foram também divulgadas imagens de uma viagem que Manuel Delgado e Paula Brito e Costa fizeram ao Brasil, juntos, em que surgem em clima de grande cumplicidade, ficando no ar a ideia de que teriam um caso amoroso.

Na terça-feira passada, tanto Paula Brito e Costa como Manuel Delgado apresentaram a demissão dos cargos.

O Correio da Manhã apurou, entretanto, que o aluguer do automóvel usado pela ex-presidente da Raríssimas, que custava 921,59 euros mensais à associação, foi feito num concessionário onde trabalha o sobrinho de Manuel Delgado.

“Tinha um BMW série 5 e a Paula Brito e Costa falou comigo e disse-me que também queria um. E eu recomendei-lhe o sítio”, refere o ex-Secretário de Estado ao CM.

Assessora deixou prejuízo noutra associação

Há ainda outro dado sobre a Raríssimas que vem a público, designadamente quanto à actual Coordenadora Jurídica da Associação, Manuela Duarte Neves. O Jornal de Notícias apurou que esta deixou um “buraco de 144 mil euros” na Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM), onde foi secretária-geral e vice-presidente.

Manuela Duarte Neves saiu compulsivamente da SPEM em 2015, e tornou-se “o braço-direito” de Paula Brito e Costa na Raríssimas, conta o JN.

Enquanto esteve na SPEM, a advogada terá solicitado a uma farmacêutica financiamento para o doutoramento de uma amiga actriz, segundo o jornal. Além disso, recebia 2.232 euros de ordenado quando a direcção da SPEM tinha aprovado um salário de apenas 1.300 euros, afiança a mesma fonte.

Em declarações ao JN, Manuela Duarte Neves diz-se “profundamente chocada com essas denúncias” e refere que está a ser vítima de uma “cabala imoral”.

A advogada ainda acusa a directora financeira da SPEM, Susana Protásio, que a terá denunciado, de ter boicotado a sua gestão “e as reuniões de direcção”, onde garante ter alertado que “a saúde financeira da SPEM não estava grande coisa”.

ZAP ZAP // Lusa

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11 COMENTÁRIOS

  1. Em suma: é um fartar de vilanagem à conta do pagode. Enquanto os tansos discutem os penalties, os fora-de-jogos, as agressões, o VAR, os e-mails, a fruta e o café com leite, os depósitos e afins, há malta que ocupa o tempo a tratar da vidinha e a passar a perna ao contribuinte. Enfim tudo se resume ao “paga Zé”!

  2. You’re gonna like this guy. He’s all right. He’s a good fella. He’s one of us. You understand? We were good fellas. Wiseguys

  3. Não deixa de ser uma coincidência engraçada que Manuel Delgado e Vieira da Silva tenham exercido cargos na Raríssimas entre 2013 e 2015… dá que pensar!

  4. Quando é que este gajo desaparece e deixa de nos conspurcar a casa através da TV??? Não há pachorra para estes mentirosos que nunca se lembram nada.

  5. Quando começarem a investigar os jornalistas da TVI aí é que o Povinho vai acordar, até lá tem de haver notícias enquanto não vem tempestades e incêndios. Infelizmente o SLB está fora da champions senão nada disto acontecia.

  6. A TVI, acha que um vencimento de 3000 € pagos à mulher que fundou a Raríssimas é muito. O que achará daquilo que paga aos seus jornalistas, entre 35.000 a 50.000?
    Esta gente que anda por aqui a querer tirar dividendos para os partidos da oposição, quando estiverem no governo o seu ministro, certamente, para que as coisas corram bem, vai colocar um fiscal à porta de cada instituição de solidariedade e aí, depois, subornado o fiscal, a coisa ainda vai ficar melhor…
    Compreenda-se, que quando há um governo que governa bem, a oposição, precisa de levar estes assuntos até à exaustão, pois não tem mais nada a que se agarrar.
    Viva a Raríssimas! Os meninos precisam da instituição.

    • Não está em causa que os meninos precisem da instituição.

      Está em causa que a instituição usa dinheiros do estado e tem que obedecer a leis – a TVI è uma empresa privada, pode pagar o que quiser a quem quiser – só tem que dar contas aos seus accionistas.

    • E verificando bem, Ai Ai, olhe que devem haver por aqui muitos “candidatos a fiscais” já de mão estendida…
      Aí vai ficar tudo bem, com os fiscais e com as instituições….

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