Em carta aberta, especialistas, professores e pais pedem ao Governo reabertura das escolas em março

Paulo Novais / Lusa

Sem datas previstas para o desconfinamento, o Governo admite começar pelas escolas. Enquanto Marcelo Rebelo de Sousa aponta apenas para uma reabertura após a Páscoa, há quem defenda o regresso ao modo presencial já em março.

Esta segunda-feira, na reunião no Infarmed, a ministra Marta Temido disse que o Executivo ainda não tem data prevista para iniciar o desconfinamento, mas afirmou que as escolas devem ser as primeiras a reabrir, à semelhança do que tinha dito a ministra Mariana Vieira da Silva na semana passada.

De acordo com o semanário Expresso, na última reunião semanal entre o Presidente da República e o primeiro-ministro, António Costa disse a Marcelo Rebelo de Sousa que a reabertura das escolas terá sempre que estar no topo das prioridades para desconfinar.

Porém, para o Presidente, essa prioridade só deverá acontecer em abril, depois da Páscoa. Para Marcelo, o problema não são os alunos, mas sim a circulação de pessoas e a multiplicação de contactos que o regresso às escolas provoca.

Assim, mesmo que os números da pandemia ultrapassem pela positiva as previsões dos especialistas e que a meta dos menos dos 200 internados em UCI chegue antes do fim de março, o Presidente considera que se deve ir com calma.

Na reunião do Infarmed, o epidemiologista Baltazar Nunes estimou que o número de doentes com covid-19 internados em cuidados intensivos possa estar abaixo dos 300 em meados de março e abaixo dos 200 no final do mês – um número indicado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, como linha vermelha para um desconfinamento seguro.

Assim, evitar precipitações para ser a palavra de ordem partilhada por Marcelo e Costa para recuperar da forma mais credível possível a imagem do país no que toca à gestão da pandemia.

Carta aberta apela à reabertura das escolas em março

Mais de 200 pessoas assinaram uma carta aberta que defende o regresso ao ensino presencial e a reabertura de algumas escolas – creches, pré-escolar e ensino básico – a partir do início de março.

A missiva, publicada na íntegra pelo semanário Expresso, foi enviada ao Governo e ao Presidente da República. É subscrita professores, economistas, cientistas, médicos, psicólogos, pediatras, epidemiologistas e gestores, entre outros.

Além da abertura das escolas, os signatários defendem que seja dada prioridade às componentes práticas do ensino artístico e profissional, reforçadas as medidas de segurança em vigor nas escolas e adotadas novas regras, como o uso obrigatório de a máscara cirúrgica a partir dos 6 anos.

Segundo a carta, os professores e auxiliares de ação educativa devem ser incluídos nas prioridades de vacinação e os profissionais nos grupos de risco ser “substituídos por outros ou deem aulas remotamente (com os alunos na escola) até que estejam vacinados”.

A carta propõe ainda fazer rastreios periódicos, testes rápidos, vigilância de contágios, insistir na proibição de reuniões fora da escola, desfasar horários de entradas e saídas, incentivar o uso de meios de transporte alternativos e aumentar a oferta de transporte público.

Outro argumento relaciona o confinamento e encerramento das escolas com aumento de problemas psicológicos e psiquiátricos das crianças e jovens.

Por outro lado, “o ensino a distância é menos eficaz do que o ensino presencial e tem sido um multiplicador de desigualdades“, penalizando os alunos mais vulneráveis.

O virologista Pedro Simas, que também assinou a carta, disse, em declarações à TSF, que se trata de “uma decisão difícil”, uma vez que, obriga ao equilíbrio entre a ciência e outros setores da sociedade, mas já “estamos em posição de a tomar”.

Alunos do 1.º e 2.º ano podem ser os primeiros a voltar

O jornal Público adianta esta terça-feira que os alunos do 1.º e 2.º ano deverão ser os primeiros a regressar ao ensino presencial. Os estudantes do ensino secundário e do superior só retomarão as aulas presenciais em abril.

O Governo está a equacionar dividir o momento do regresso às aulas do 1.º ciclo. Segundo o matutino, os alunos dos dois primeiros anos do ensino básico causam maior apreensão porque estão num momento fundamental da sua aprendizagem e sofrem os impactos mais graves do confinamento.

Segundo o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Manuel Pereira, os professores entendem ser “difícil ensinar a ler e escrever à distância”.

O mesmo princípio aplica-se aos alunos do 2.º ano, que estiveram quatro meses em ensino remoto no ano letivo anterior e que viram a recuperação iniciada este ano ser interrompida por um novo confinamento.

A Federação Nacional da Educação (FNE) pediu esta segunda-feira que o regresso às aulas aconteça apenas quando as autoridades de saúde o aconselharem e de forma prudente, com um reforço de medidas contra a pandemia da covid-19.

Para os representantes dos trabalhadores docentes e não docentes das escolas, o regresso às aulas presenciais é desejável, mas a decisão de reabrir as escolas deve depender do parecer das autoridades científicas. Esse regresso, continuam, tem de ser “feito com prudência e sem precipitação” e com o reforço de medidas de segurança sanitária.

Os estabelecimentos de ensino estão encerrados desde o final de janeiro, quando o Governo anunciou a suspensão das atividades letivas durante duas semanas, que seriam compensadas no Carnaval, Páscoa e numa semana extra do final do ano letivo. As aulas foram retomadas há duas semanas, mas em regime de ensino à distância, não havendo ainda data para o regresso às escolas.

Maria Campos Maria Campos, ZAP //

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5 COMENTÁRIOS

  1. Este palhaço deste Senhor Doutor Pedro Simas, ainda há pouco tempo defendia o fecho das escolas e agora defende a abertura rápida. Isto tudo para andar nas luzes da ribalta, ser reconhecido e aparecer em todos os canais de televisão, para no futuro colher dividendos da exposição publica, da qual se tem aproveitado á grande.
    Qual é o problema de se fazer as coisas bem e com calma, há algum problema se todas estas crianças, estiverem em segurança e no futuro compensarem este tempo perdido? Parece que o mundo vai acabar se a escola não começar de imediato. Se voltarmos a falhar nem o turismo nos vai salvar, o mundo nunca mais vai acreditar nos Portugueses.

  2. A pressão exercida para desconfinar por as diversas Oposições Politicas, Sindicatos e certas categorias Profissionais, no estado actual seria mais uma vez assistir a uma nova hecatomba de gente infectada e um débil serviço de SNS a dar resposta a uma afluência maciça de Doentes. En ausência de Plano, eficiente e bem coordenado, para reabertura de certos sectores de actividade com o máximo de segurança e garantia, levaria-nos a uma nova catástrofe sem a minima duvida. Perder um Ano de Escolaridade vale mais que perder Vidas !….Mas enfim ….cada un tem as suas razões!

  3. Quer dizer: o número de contágios diminuiu consideravelmente após o fecho das escolas, logo, suponho que a sua reabertura irá aumentar esse número. Mas, claro, os ministros vão insistir em dizer que as escolas não são incubadoras. Salas com 30 pessoas lá dentro, as janelas fechadas porque está frio e chove, afastamento de 1/2 metro entre os alunos, não são propícias aos contágios (nas cabeças iluminadas dos governantes).
    Os paizinhos estão é fartos de aturar os seus filhinhos “bem comportados”!

  4. Peçam, mas educadamente, submissos e respeitosos. Talvez assim os Senhores : Presidente e 1º Ministro, se condoam de nós e nos concedam também um pouco de liberdade….

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