Interrupção das aulas compensada no Carnaval, Páscoa e final do ano. Ministro trava ensino à distância nos colégios

António Cotrim / Lusa

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, anunciou esta quinta-feira um reajustamento do calendário escolar, retirando dias às pausas letivas e acrescentando uma semana ao ano letivo, e confirmou que as aulas, mesmo que à distância, estão também suspensas no ensino particular.

Em conferência de imprensa no Ministério da Educação, em Lisboa, Tiago Brandão Rodrigues recordou a determinação esta quinta-feira adotada em Conselho de Ministros de “proceder à interrupção de todas as atividades letivas” entre sexta-feira, 22 de janeiro, e sexta-feira, 5 de fevereiro, adiantando que, apesar de já ter sido dado conhecimento público da medida pelo primeiro-ministro, António Costa, “as escolas já foram informadas relativamente a esta questão”.

“Estes 15 dias, e depois da auscultação a vários atores da educação, vão ser compensados, na que era a interrupção letiva do Carnaval, naquilo que restava da interrupção letiva da Páscoa e também com uma semana no final do ano letivo e assim conseguimos compensar estes 15 dias”, disse o ministro.

O diretor executivo da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP) tinha admitido, em declarações ao jornal Público, fechar as portas, mas continuar a dar aulas à distância.

A AEEP, que defendia que os alunos mais novos, do 1.º e 2.º ciclos, continuassem a ter aulas presenciais, está à espera de conhecer os termos do Decreto do Governo. As dúvidas são “sobre como podem funcionar as coisas do ponto de vista administrativo”.

A associação dos colégios garantiu ter condições para continuar com o calendário letivo definido no início do ano e com calendários de aulas semelhantes durante as próximas duas semanas.

Porém, Brandão Rodrigues deixou um aviso aos colégios e esclareceu que não há exceções a esta determinação, depois de a associação dos estabelecimentos de ensino particular e cooperativo ter admitido não interromper as atividades letivas, recorrendo ao ensino à distância nos próximos 15 dias.

“Tenho muito respeito pelo ensino particular e cooperativo, mas não são as nossas universidades e o nosso ensino politécnico com o grau de autonomia que tem. Este ziguezaguear, não digo oportunismo, mas espreitar sempre à exceção ou tentar fazer diferente é o que nos tem causado tantos problemas em termos sociais. O cumprimento estrito das regras é algo que deve acontecer. Todas as atividades letivas estão interrompidas durante este período”, disse Tiago Brandão Rodrigues.

Na quinta-feira, o primeiro-ministro António Costa anunciou a interrupção de todos as atividades letivas durante os próximos 15 dias devido ao aumento de casos de infeção por covid-19 em Portugal.

Além das escolas, o Governo determinou o encerramento, a partir de sexta-feira e durante 15 dias, de todas as atividades de tempos livres, estabelecimentos de dança e de música, e todas as atividades desportivas escolares.

São também suspensas pelo mesmo período as atividades de formação profissional presenciais, realizadas por entidades formadoras de natureza pública, privada, cooperativa ou social, podendo ser substituídas por formação à distância.

E daqui a 15 dias?

Todos os estabelecimentos de ensino estão fechados para “férias de emergência” durante, pelo menos, 15 dias. Findo este período, o Governo reavaliará o que fazer.

Segundo o Diário de Notícias, daqui a duas semanas, as escolas poderão manter-se fechadas – mas com ensino à distância. Em conferência de imprensa, o ministro da Educação admitiu que o ensino à distância será ponderado após este encerramento de 15 dias e assegurou que “há mais de 300 mil computadores nas escolas”.

O jornal Público adianta que as associações de diretores e a Confederação das Associações de Pais (Confap) concordam que o regresso às aulas presenciais deve ser faseado, dando prioridade aos alunos mais novos.

Fechar as escolas é “boa solução para serenar os ânimos e ganhar forças”, disse o presidente da Confap, Jorge Ascenção. A proposta que a associação fez chegar ao Ministério da Educação apontava para um retorno gradual dos alunos às escolas, uma vez que o regresso de todos os estudantes seria “precipitado”.

Já os representantes dos diretores antecipam que, dentro de duas semanas, “dificilmente existirão condições sanitárias” para voltar a uma situação semelhante à desta semana, disse Filinto Lima, da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas.

Para a Confap, o cenário “ideal” seria o regresso dos alunos do 1.º e 2.º ciclo às aulas presenciais a partir de 8 de fevereiro – mantendo-se os do 3.º ciclo e do ensino secundário em ensino à distância durante mais algum tempo.

Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, discorda da solução encontrada pelo Governo e considera “um erro grave” que as duas semanas de encerramento sejam de “férias”. Para ele, a interrupção vai quebrar “o ritmo de trabalho dos alunos”. A associação defendia que se avançasse de imediato para o ensino à distância.

Já Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, considera que as condições que existem nas escolas “não são muito diferentes das do ano passado”: as escolas “continuam sem ter equipamento” e a maioria dos alunos “não tem autonomia digital”. O responsável espera que as próximas duas semanas sirvam “para fazer o que não foi feito até aqui”.

Maria Campos, ZAP // Lusa

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28 COMENTÁRIOS

      • AH, AH, AH, bem visto.
        Colocada depois do verbo “governar”, a vírgula é importante pata realçar o papel negativo dos governantes – Se “eles” continuarem a governar – eles, os governantes (faz referência a quem tem capacidade para ministrar, ou criar medidas.
        Colocada depois do substantivo “alunos”, leva a crer que os governantes governam os alunos, e que só concluirão os cursos quando tiverem idade para se reformarem.

  1. Mais um exemplo de politica e políticos à Tuga

    «…Tenho muito respeito pelo ensino particular e cooperativo, mas não são as nossas universidades e o nosso ensino politécnico com o grau de autonomia que tem. Este ziguezaguear, não digo oportunismo, mas espreitar sempre à exceção ou tentar fazer diferente é o que nos tem causado tantos problemas em termos sociais….»

    De que forma é «oportunismo» os estabelecimentos de ensino particular, quererem manter os seus alunos com aulas, através de ensino à distancia?

    E de que forma é que os alunos de estabelecimentos de ensino particular, se manterem em aulas, pode causar «problemas em termos sociais»??

    O único problema que antevejo é o facto de, a manutenção do ensino à distancia nos estabelecimentos de ensino particular, pôr a descoberto o fracasso do governo na tão propalada distribuição de meios tecnológicos aos alunos do ensino público. Assim de repente não vejo mais problema nenhum….

    • O meu filho está num colégio particular mas nesta matéria estou de acordo com o Governo. Estes alunos seriam necessariamente privilegiados face aos alunos do ensino público. Muitas escolas privadas poderiam continuar a desenvolver o ensino através da metodologia à distância enquanto que a generalidade das públicas não o conseguiria realizar por ausência de meios (culpa do Governo). Nesse sentido, tem de haver aqui alguma “solidariedade” e partilha desta adversidade por todos os envolvidos.
      É igualmente correto afirmar, que os estabelecimentos de ensino privado (que não ensino superior) não possuem o grau de autonomia dos estabelecimentos de ensino superior (público e privado). Face a isso, não podem determinar unilateralmente percursos pedagógicos que não verifiquem as exigências do Ministério da Educação, nem assumir formas de ensino alternativas ou calendários de execução diferentes dos definidos para cada ciclo de ensino.

      • Olá João 🙂

        Permita-me a metáfora: É como se a discussão fosse sobre os alunos terem ou não casacos de agasalho na escola e como os do público não têm, decide-se tirar o casaco a toda a gente. A terem frio, que tenham todos.

    • Na mouche – é isso mesmo! É uma pena os jornalistas não lhes perguntarem estas questões quando eles dizem estas barbaridades.

    • Como não pode haver ensino para todos, obriga-se a que não haja para nenhum.
      É um ponto alto na história dos nivelamentos por baixo.
      E se eu der explicações ao meu filho em casa? Vem cá a polícia invadir-me a casa para acabar com a pouca vergonha?

  2. Foi um grande erro terem aberto as escolas após a interrupção de Natal e Ano Novo. As previsões dos especialistas (da ciência) apontavam para um cenário bastante grave e o governo fez “ouvidos moucos”. Incompreensível e totalmente inadmissível esta proibição do ensino a distância. Prejudica mais do que beneficia. E em termos de “rendimento” nenhuma criança ou professor vai aguentar atividades letivas de fevereiro a julho sem férias.
    E mais, se daqui a 2 semanas abrirem presencial para 1º e 2º ciclo, os meus filhos não irão!!!! Para além alto risco de contágio, as sequelas são bem reais!!!! Infelizmente o ministro da educação emite opiniões políticas e pessoais, ao invés de se basear nos estudos científicos. Muito triste e de uma irresponsabilidade tremenda!!!

  3. Como o Estado não conseguiu cumprir a promessa de que em Setembro/Outubro 2020 todos os alunos teriam condições para o ensino à distância, impede agora que o ensino particular tenha aulas à distância. Só assim consegue pôr todos iguais, nivelados por baixo, e esconder mais um falhanço de promessas. ESTAMOS ENTREGUES A UMA CAMBADA DE SALAFRÁRIOS.

  4. Exatamente, não se trata de espreitar à exceção para não cumprir o confinamento. Como não fizeram o trabalho de casa para as escolas publicas estarem preparadas, vamos prejudicar todos….

  5. Total desgoverno! Em 9 de Abril o Costa afirmava que acontecesse o que acontecesse estava assegurado o acesso digital a todos os alunos!
    O mesmo incompetente que não reforçou o SNS de forma conveniente para o Inverno.
    Só é esperto para o que não interessa

  6. Aí estamos perante a “ditadura” dos incompetentes, que não quiseram ou não souberam preparar o ensino à distância e agora estão contra aqueles que se mostraram preparados para tal. Quem perde é o país, com mais este atraso na formação dos nossos jovens. Tenham vergonha e assumam as vossas responsabilidades e não disparem para o lado.

  7. Ministérios cheios de patifes. Este Brandão é um rasquido político, mais o Costa e outros.
    O que está bem explícito nesta notícia é mais triste do que não ter gasóleo para levar as minhas duas filhas pequenas ao médico – uma tem um ano, e a outra tem dois meses.
    Rua!

  8. Estamos entregues a um governo socialista mas o dono da trela é o PCP. Não se percebe porque é que as escolas fecham e os alunos vão para casa confinados 15 dias sem aulas nem atividades escolares, o que vai ser uma problema enorme para os próprios e ainda maior para os pais. E para nivelar pela mediocridade, o ensino privado é proibido de manter atividades escolares por videoconferência, o que já revela um resvalar para o ditatorial e estalinista, que até deve ser inconstitucional. Será que o Presidente também vai deixar passar isto em claro?

    • Estes quinze dias servirão para a gentalha governativa pensar em mais medidas, porque todas as semanas anunciam algo novo. Na minha opinião, cada nova medida é sempre mais incoerente do que as anteriores. E andamos nisto. Com pessoas a morrer por causa do vírus, o governo não é capaz de olhar para o horizonte e perceber que os próximos meses não trarão melhorias caso se mantenha este confinamento de marionetas.
      Não faz sentido manter jovens e crianças nas suas casas, durante quinze dias, numa altura em que já têm testes marcados e talvez um ou outro trabalho. Vão fazer o quê, confinados em casa? Pelo menos, com aulas em casa, teriam entretenimento (” “).
      Mas já sei o que se passa aqui. O governo prometeu equipamentos eletrónicos para mais de cem mil alunos de todo o país, e, até agora, não sei quem é que já os recebeu. É para matar mais pessoas, para perpetuar a linhagem de uma vigarice que não tem fim. E eu aqui esperançosa, a pensar… será que vão lixar mais isto, por exemplo, dando ouvidos à esquerdalhada, que quer rebentar com os privados e desvalorizar a ADSE?
      Tenho muito medo.

    • tem toda a razão Armando Figueiredo. Um ministro da educação de um governo que se intitula social democrático determinar que o ensino particular tem de estar obrigado às regras que são impostas ao ensino público devido à incompetência do dito ministro, devia resignar ao cargo e filiar-se no PC ou no BE. É uma atitude inconstitucional que deveria ser contrariada por todos os verdadeiros democratas começando pelo PR e pelo líder da oposição que eu ainda não percebi o que anda a fazer

  9. Não percebo…
    Defendem o fecho das escolas, a igualdade entre estudantes, e não fecham os estabelecimentos?
    Nem toda a gente tem autocarros perto de casa para ir para a escola, nem todos os pais têm carros, logo, não podem transportar os seus filhos. Nem toda a gente vive a um quilómetro da escola, ou a trezentos metros.
    Os ministérios só estão a fazer isto para não terem que dar aqueles equipamentos eletrónicos que seriam essenciais para as aulas síncronas.

  10. Caro js,
    meta a vírgula onde melhor achar. Por mim não tem de ter vírgula porque o resultado final não se altera. Neste país as vírgulas e outros sinalizadores servem interesses inconfessáveis. Tempo houve em que um ministro foi nomeado por alterar vírgulas na lei e com isso aumentar o seu património pecuniário (ou do seu partido). Uma senhora jornalista foi chamada ao parlamento para depor sobre o caso. Evocou a sua reserva de fonte e acabou por dizer nada e nessa sequência, aconteceu nada embora toda a gente soubesse quem era o ministro e a que situação a senhora jornalista se estava a referir.
    Cumprimentos

  11. Acho muito bem! Outra decisão não seria de esperar . Então uns sofriam com a pandemia e outros beneficiariam com ela? Os alunos não têm que se submeter todos ao mesmo exame, na mesma data? Nas lhes basta já as mordomias que têm que lhes permitem ultrapassar os alunos do público, no acesso ao ensino superior, e ainda queriam mais esta?!!! Por enquanto o governo não o permite e com toda a legitimidade.

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