Rio acusa Costa de desgoverno: Só fechou as escolas por “pressão da opinião pública”

PSD / Flickr

O líder do PSD, Rui Rio

O presidente do PSD considerou que o Governo não fechou as escolas mais cedo porque não estava preparado para o fazer, acusando o primeiro-ministro de “desgoverno” e de só ter decidido perante “pressão da opinião pública”.

“O PSD está de acordo com esta medida, mas peca por tardia. Mas aqui há um lamento muito grande. Quando o Governo diz que está preocupado com o desenvolvimento das crianças e dos jovens, pelo que queria manter as aulas, se assim fosse o Governo tinha desde abril melhorado as aulas à distância”, argumentou esta quinta-feira Rui Rio.

Numa conferência de imprensa na sede do partido no Porto, o presidente do PSD começou por lembrar que após a última reunião do Infarmed e perante o que os especialistas tinham dito “era evidente que as aulas tinham de fechar, particularmente a partir do sexto ano”, tendo ficado “admirado” pelo Governo não o ter feito de imediato.

“O Governo entendeu não o fazer. Fiquei admirando na altura. Agora voltou atrás (…). Já percebemos porque não fechou as escolas e só o fez agora com a pressão da opinião pública. Não o fez porque tinha consciência de que não estava preparado para o fazer. Isto tem de ser dito”, referiu o líder social democrata.

Rui Rio apontou o dedo ao Executivo socialista, referindo que foi este quem “em abril e maio disse que tinha corrido tudo muito bem”, ainda que, referiu o líder do PSD, “se se saiba que não correu tudo bem”, razão pela qual disse não compreender que agora António Costa opte pela pausa letiva.

“Mas se para o Governo correu muito bem, e teve estes meses todos para preparar aquilo que prometeu, temos de lamentar que fechem as escolas e os alunos ainda vão ter uma situação pior do que a que tinham em abril porque não vão ter as aulas à distância.

O primeiro-ministro anunciou esta quinta-feira o encerramento das escolas, que entra em vigor na sexta-feira, após uma reunião do Conselho de Ministros e referiu que se justifica por um “princípio de precaução” por causa do aumento do número de casos da variante mais contagiosa do SARS-CoV-2, que cresceram de cerca de 8% de prevalência na semana passada para cerca de 20% atualmente.

António Costa afirmou que os 15 dias de interrupção serão compensados noutro período de férias e garantiu que haverá medidas de apoio às famílias semelhantes às que vigoraram durante o primeiro confinamento de 2020, como faltas justificadas para as pessoas que tenham filhos com menos de 12 anos e não estejam em teletrabalho.

Críticas a Marta Temido

Na mesma intervenção, o líder do PSD criticou uma ministra da Saúde que “pede ajuda de forma dramática”, mas mantém fechado “há quase dois anos” um hospital em Miranda do Corvo, um “exemplo lamentável” que questiona se será o único.

“Imagine-se em Portugal um hospital pronto há quase dois anos com os plásticos em cima das camas e dos equipamentos porque o Ministério da Saúde, que pede ajuda, não faz o contrato que deve fazer”, disse Rui Rio.

Rio disse desconhecer se “a razão é política ou pessoal ou partidária”, mas criticou Marta Temido por esta, “com o Serviço Nacional de Saúde (SNS) a rebentar pelas costuras” manter Hospital Compaixão, em Miranda do Corvo, no distrito de Coimbra, fechado.

“A ministra da Saúde vem dizer em público – e tinha-me dito a mim perante o primeiro-ministro numa reunião há 15 dias – que o Hospital Compaixão, pronto e fechado, estava com acordo de 80 camas para servir a população do distrito de Coimbra, quando se veio a verificar que continua fechado”, descreveu Rui Rio, referindo-se a este caso como “um exemplo lamentável”. E questionou ainda: “Podemos todos estar seguros que não há mais caso nenhum? Não há mais nenhum caso do serviço privado e social que não esteja devidamente articulado?.

Sobre esta matéria, na terça-feira, a ministra da Saúde sublinhou que não há recursos humanos no Hospital de Miranda do Corvo e apelou aos partidos que parem de “enganar os portugueses” quando dizem que a instalação não está a ser aproveitada.

O tema foi levantado pelo deputado único da Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo, na reta final do primeiro debate do ano com o Governo sobre política geral, na Assembleia da República, que durou mais de três horas.

“Não há um hospital onde há camas e onde há espaço, isso não é um hospital. Paremos de enganar os portugueses. Há enfermeiros para mandar para lá? Há médicos para mandar para lá? Não há. Houvesse e seria isso que faríamos agora”, respondeu a ministra. Mas para Rui Rio não é compreensível que “com o país nesta situação, o Governo não utilize a capacidade instalada toda”.

ZAP // Lusa

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