Governo nega ter copiado comunicado de Rajoy sobre a Catalunha

No portal Esquerda.net, o Bloco acusa o Governo português de ter feito “copypaste” do discurso de Mariano Rajoy sobre a questão catalã. O Ministério dos Negócios Estrangeiros garante não receber “diretrizes de Governos estrangeiros”.

O portal Esquerda.net acusou o Governo de fazer “copypaste” de uma minuta enviada pelo executivo de Mariano Rajoy aos vários governos europeus, para ser assumida como posição própria pelos diferentes governos europeus, relativamente à crise catalã.

A divulgação da minuta partiu do jornalista alemão Markus Preiss, que a divulgou no sábado no twitter.

Após esta divulgação, o Bloco de Esquerda acusou o Governo de ter copiado a mesma minuta, com o ministério conduzido por Santos Silva a negar, mais tarde, essas afirmações.

Segundo o Expresso, o Ministério dos Negócios Estrangeiros diz “não receber diretrizes de Governos estrangeiros”. Até porque, sublinha a mesma nota, entre o referido documento enviado pelo Governo espanhol aos congéneres europeus e a declaração que acabou por ser feita pelo Governo português, há “importantes diferenças” a notar.

“Por exemplo: a nossa referência expressa à unidade de Espanha, a nossa referência expressa ao diálogo político responsável, ou a declaração de confiança no conjunto das instituições democráticas espanholas”.

O texto enviado pelo Governo espanhol, não só a Portugal, como a outros países europeus, pede que os governos incluam na sua tomada de posições que “não reconhecem e não reconhecerão de nenhuma forma a declaração de independência”, que a “condenam como uma clara quebra do Estado de Direito, democracia e Constituição espanhola”, e que acrescentem confiar “no Governo espanhol e nas suas instituições democráticas”.

O comunicado português diz, por sua vez, “não reconhecer a declaração unilateral de independência”, “condenar a quebra da ordem constitucional e o ataque ao Estado de Direito em Espanha” e que “confia que as instituições democráticas espanholas saberão restaurar o Estado de Direito e a ordem constitucional, quadro natural do diálogo democrático”.

Apesar de, conforme o desmentido do Governo português, a referência à unidade de Espanha e a diferença em relação ao diálogo democrático, referido apenas pelo Governo português, a referência à confiança nas instituições democráticas espanholas consta de ambas as versões e não apenas da portuguesa, assim como o não reconhecimento da independência catalã e a condenação da quebra do Estado de Direito.

Face a estes acontecimentos, o Bloco de Esquerda anunciou que vai apresentar um voto de repúdio no Parlamento, uma vez que considera que o Governo português não está a respeitar “o respeito pela autodeterminação dos povos”.

XXI Governo Constitucional

Comunicado do Governo português sobre a «Declaração Unilateral de Independência» no Parlamento da Catalunha

ZAP //

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4 COMENTÁRIOS

  1. Nós gostamos muito de nos apresentarmos como campeões da democracia, da cidadania e dos direitos dos povos. Fica-nos bem. Mas, quanto ao exercício real destes valores, já não somos assim um grande exemplo e a coerência não é o nosso forte.
    E se os catalães quiserem realmente sair do albergue espanhol, mesmo empobrecendo, mesmo com poucos amigos?
    E se nas eleições, que o governo de Madrid vai promover em dezembro, os partidos independentistas da Catalunha tiverem maioria? Isso conta ou não? Vai ser ou não respeitada a vontade popular ou só vão ser empossados se prestarem vassalagem?
    Ou faz-se como no tempo de Franco, prendendo os dirigentes catalães e proibindo os pais de ensinaram a sua língua aos filhos? Muito democraticamente, como é óbvio

  2. Gostava de saber que tem a ver Franco com o problema levantado por uma parte do povo catalão. Não nos deixemos levar pelos comentários de alguns políticos e analisemos a situação com o pormenor e profundidade necessárias. O problema em discussão é um dilema europeu, que está associação com as diversas injustiças sociais e económicas dos países da União Europeia. É necessário debater estes assuntos dentro da unidade e não criar fronteiras sem qualquer fundamento nem razão. O povo catalão não está a ser vítima de qualquer repressão por parte do governo espanhol, antes ao contrário (a autonomia não só não foi suspendida, como será o próprio povo catalão que decidirá o governo que o deve representar, sem estarem expostos a irregularidades como as vividas até hoje). Podemos, por estas razões, apontar a deficiências de diálogo, mas pelas duas partes e não só por uma.

  3. Esta história toda foi uma enorme palhaçada e os catalães foram totalmente ridicularizados neste triste episódio conduzido por meia-dúzia de bêbados.

  4. Tudo isto comprova como a montagem política dos imperialistas espanhóis fazem todos os possíveis para fazerem valer o seu ponto de vista e quanto à posição do governo português e do PR envergonha-me ter governantes submissos aos interesses de um governo estrangeiro e colonialista que mantém uma parte do nosso território sob o seu poder contra os acordos internacionais. Teriam feito boa figura se se têm mantido caladinhos não se intrometendo no assunto!.

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