Confrontos entre polícia e manifestantes em Barcelona

Alberto Estevez / EPA

A polícia regional catalã fez esta segunda-feira várias cargas para dispersar as centenas de pessoas que se concentraram junto ao Parlamento catalão e à sede da Polícia Nacional, em Barcelona.

A polícia regional catalã carregou primeiro sobre as centenas de pessoas que se tinham concentrado junto à sede da Polícia Nacional e, depois, contra as que estavam perante o Parlamento.

Os Mossos de Esquadra alertaram, primeiro, os manifestantes que estavam concentrados para que dispersassem, apelando para que parassem de arremessar objetos contra os edifícios e os agentes policiais que estavam no local.

Na concentração junto à sede da Polícia Nacional, os manifestantes arremessaram objetos e tinta contra os agentes que estavam no local, enquanto no Parlamento da Catalunha tentaram retirar as vedações de proteção e entrar no edifício, mas foram impedidos pela polícia.

Utilizando equipamentos antimotim, os agentes conseguiram dispersar as pessoas que estavam concentradas em ambos os locais, depois do final da manifestação que assinalou o primeiro aniversário do ‘referendo 1-O’, marcado pela vitória do “Sim” à independência da Catalunha.

Milhares de estudantes das universidades e das escolas secundárias da Catalunha manifestaram-se no centro de Barcelona para pedir “a validação do resultado do referendo” unilateral sobre independência de 1 de outubro do ano passado.

A polícia urbana da capital da Catalunha estimou em 13 mil o número de pessoas presentes, enquanto os organizadores referiram a participação de 50 mil manifestantes.

Na cabeça da manifestação esteve uma das urnas utilizadas no referendo do ano passado e um grande cartaz a dizer “Nem esquecimento nem perdão”.

Os estudantes também reclamaram “o regresso dos exilados e a liberdade dos presos políticos”, e criticaram a ação da polícia regional no passado sábado, quando dispersaram uma manifestação de independentistas.

Já ao início da manhã, ativistas separatistas bloquearam autoestradas, linhas de caminho de ferro e várias artérias da cidade de Barcelona, para assinalar o primeiro aniversário do referendo de autodeterminação ilegalizado.

Ao longo de todo o dia ocorreram inúmeras ações dos movimentos separatistas para assinalar o 1 de outubro de 2017, exigindo a criação de uma República catalã independente e a libertação do que chamam “presos políticos”.

Os independentistas reclamam há muito tempo um referendo regional sobre a independência da Catalunha, em moldes semelhantes aos que foram realizados no Quebeque (Canadá) ou na Escócia (Reino Unido). No entanto, a Constituição de Espanha apenas permite uma consulta eleitoral que ponha em causa a unidade do país se esta for realizada a nível nacional.

“Se vão encapuzados não são do 1-O”

O Governo regional liderado por Carles Puigdemont, apoiado desde 2015 por uma maioria parlamentar de partidos separatistas, organizou e realizou um referendo em 1 de outubro de 2017, que foi considerado ilegal pelo Tribunal Constitucional espanhol. O processo de independência foi interrompido em 27 de outubro de 2017, quando o Governo central espanhol decidiu intervir na Comunidade Autónoma.

Ontem, o ex-presidente catalão criticou os incidentes que ocorreram no final da manifestação, afirmando que “se vão encapuzados e se usam a violência não são do 1-O”.

Se vão encapuzados não são do 1-O, se usam violência não são do 1-O. Nós fizemo-lo de cara descoberta e de forma pacífica. Dessa maneira, ganhámos há um ano, a um estado autoritário”, escreveu no Twitter.

Olivier Hoslet / EPA

O ex-presidente do governo da Catalunha, Carles Puigdemont

O antigo presidente da Generalitat questionou em seguida: “Quem tem interesse que se infiltre a violência perdedora, onde resistimos com uma paz vencedora?”.

As eleições regionais, que se realizaram em 21 de dezembro último, voltaram a ser ganhas pelos partidos separatistas. Nove dirigentes independentistas estão presos à espera de julgamento por delitos de rebelião, sedição e/ou peculato pelo seu envolvimento na tentativa separatista falhada.

Os independentistas consideram que os detidos em prisões espanholas pelo seu envolvimento na tentativa de autodeterminação são “presos políticos”. O principal líder separatista, o ex-presidente da Generalitat Carles Puigdemont vive exilado na Bélgica, depois de a Justiça espanhola não ter conseguido a sua extradição da Alemanha, para ser julgado por crime de rebelião.

Sánchez acusa Quim Torra de incentivar radicais catalães

O chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, acusou o presidente do executivo regional catalão, Quim Torra, de encorajar os separatistas radicais e advertiu-o de que “a violência não é o caminho”.

“A política catalã deve voltar ao Parlamento. O presidente Torra deve cumprir com as suas responsabilidades e não pôr em risco a normalização política, incentivando os radicais a assediar instituições que representam todos os catalães. A violência não é o caminho“, escreveu numa mensagem no Twitter.

O primeiro-ministro espanhol reagiu desta forma às palavras de Quim Torra, que na segunda-feira apoiou as ações dos CDR (Comités de Defesa da República) durante as comemorações do primeiro aniversário do referendo.

O presidente do executivo regional saudou as ações dos CDR, um grupo separatista mais radical, numa declaração em que sublinhou que faziam “bem em aumentar a pressão”.

ZAP // Lusa

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