Testes à vacina da AstraZeneca já tinham sido suspensos em julho

Durante o mês de julho, os testes da vacina da farmacêutica AstraZeneca, que está a ser desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford, foram interrompidos quando foi detetada uma possível reação adversa, que acabou por não se verificar.

Na quarta-feira, a farmacêutica AstraZeneca suspendeu os testes da fase final da vacina que está a desenvolver contra a covid-19, em parceria com a Universidade de Oxford, após uma suspeita de reação adversa séria num participante do estudo.

No entanto, esta não foi a primeira vez que os testes froam interrompidos. De acordo com o Stat News, que cita a informação revelada numa videoconferência entre Pascal Soriot, CEO da AstraZeneca, e investidores, os testes pararam em julho porque um voluntário começou a apresentar sintomas neurológicos, tendo sido diagnosticado com esclerose múltipla. Porém, verificou-se que a doença não estava relacionada com a potencial vacina.

Segundo o portal de notícias de saúde, esta nova paragem nos ensaios clínicos está relacionada com uma mulher, voluntária no Reino Unido, que apresentou sintomas neurológicos consistentes com uma doença inflamatória da espinal medula, a mielite transversa, mas a doença ainda não diagnosticada.

A mielite transversa pode manifestar-se por fraqueza muscular, dor e até paralisia. Em casos raros, as vacinas podem desencadear casos de mielite transversa, embora também possa ser causada por infeções virais.

Soriot disse que o estado da saúde da mulher está a melhorar e que deverá ter alta esta semana. Esta voluntária tomou a potencial vacina contra a covid-19 – e não um placebo.

Os ensaios clínicos foram suspensos que a AstraZeneca referiu que se trata de “uma ação de rotina”, que ocorre “sempre que há uma potencial doença inexplicável durante um ensaio, para que possa ser investigado, assegurando a integridade dos ensaios”.

Ainda não se sabe quanto tempo vai durar a suspensão dos testes clínicos que estavam a ser realizados em larga escala em diversos locais nos Estados Unidos e no Reino Unido.

No mês passado, a AstraZeneca começou a recrutar 30 mil pessoas nos Estados Unidos para o seu maior estudo da vacina, que também está a ser testada em milhares de pessoas no Reino Unido, Brasil ou na África do Sul.

O Governo brasileiro já acertou um protocolo de intenções que prevê a disponibilização de 30 milhões de doses dessa vacina até ao final do ano e está a concluir as negociações para o pagamento e assinatura de um acordo final que incluirá também a transferência de tecnologia para produção nacional, que deverá ser conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Esta é também a vacina que se espera que chegue a Portugal caso seja eficaz. Em agosto, o Infarmed disse que a primeira remessa de 690 mil vacinas podia chegar já em dezembro. Ao todo, o país esperará 6,9 milhões de vacinas caso esta seja bem sucedida.

Para toda a União Europeia vão ser disponibilizadas 300 milhões, o mesmo número de unidades desta promissora vacina que os Estados Unidos também já garantiram.

Vacina sintética será testada no Brasil

Uma vacina sintética contra a covid-19 desenvolvida pela farmacêutica Covaxx, com bons resultados iniciais, será testada em cerca de 3.000 voluntários no Brasil, anunciou esta quarta-feira a empresa brasileira de diagnósticos Dasa, que vai gerir os testes no país.

Trata-se da UB-612, uma possível vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela Covaxx, uma divisão da norte-americana United Biomedical, que teve resultados bem-sucedidos na fase um dos testes com voluntários em Taiwan, informaram porta-vozes da Dasa e da Covaxx numa conferência de imprensa virtual.

Esta será a sexta vacina contra o coronavírus que será testada massivamente em voluntários no Brasil, país que é o segundo no mundo com mais mortes pela doença, com mais de 127 mil mortes, e o terceiro com mais casos de infeção (quase 4,2 milhões).

Ao contrário da maioria das possíveis vacinas anunciadas até agora contra a covid-19, a Covaxx não é fruto de tecnologia genética, mas sim sintética, ou seja, é fabricada em laboratório a partir de um péptido [biomoléculas composta por dois ou mais aminoácidos que se ligam] que imita a estrutura proteica do coronavírus, pelo que oferecerá maior segurança.

“Por ser uma vacina sintética, ela tem alto potencial de segurança. Além disso, os testes feitos até agora mostraram que a vacina também tem um alto potencial de resposta imunológica”, explicou o diretor médico da Dasa, Gustavo Campana.

“Estamos bastante otimistas porque os resultados obtidos na fase pré-clínica mostraram que essa vacina não só tem uma importante resposta imunológica, mas também uma alta capacidade de estimular a produção de anticorpos“, acrescentou.

Segundo porta-vozes da Covaxx, o péptido usado na vacina estimula o sistema imunológico a gerar anticorpos capazes de neutralizar o vírus.

Os responsáveis pela vacina estão a concluir a fase um dos ensaios clínicos com 60 voluntários em Taiwan, com a publicação dos resultados prevista para novembro, e pretendem realizar as fases dois e três no Brasil a partir deste ano e com pelo menos 3.000 voluntários.

A Dasa, que possui uma grande rede de laboratórios no Brasil onde já realizou cerca de 1,5 milhões de exames diagnósticos para a covid-19, pretende recrutar voluntários em várias cidades do país. Os testes no Brasil servirão para avaliar não só a segurança da vacina, mas também o seu poder imunológico (capacidade de induzir a produção de anticorpos) e a sua eficácia (capacidade de proteção contra o vírus).

Os estudos com a vacina sintética no Brasil serão financiados por contribuições do grupo Dasa e do grupo Mafra Hospitalar, além de patrocinadores privados. Essas contribuições darão à Dasa o direito de receber 10 milhões de doses da vacina quando esta for aprovada para distribuição nas redes privadas, além de 15 milhões de doses que seriam distribuídas nas redes públicas.

O cofundador e vice-presidente da Covaxx, Peter Diamondis, disse que outra vantagem da nova vacina é que, por ser um produto sintético, pode ser produzida em larga escala e atender grande parte da procura mundial.

O elevado número de óbitos e casos de covid-19, a forte circulação do vírus no país e a sua diversidade genética fazem do Brasil um dos principais centros de testes de possíveis vacinas contra o novo coronavírus. Atualmente, o país testa vacinas desenvolvidas pela multinacional Johnson & Johnson, Reino Unido (AstraZeneca e Oxford University), China (Sinovac Biotech) e consórcio BioNTech (Alemanha) e Wyeth / Pfizer (Estados Unidos).

ZAP // Lusa

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