Viktoriia Kamska

Uma nova investigação revelou que a polpa encontrada nos “dentes adaptados” da pele dos tubarões pode permitir-lhes mudar de cor.
Segundo o IFL Science, o tubarão em questão é o tubarão-azul (Prionace glauca), famoso por ser, como o nome indica, azul. Pode não parecer impressionante para um animal com esse nome, mas o azul verdadeiro é difícil de encontrar no mundo natural.
“O azul é uma das cores mais raras no reino animal, e os animais desenvolveram uma variedade de estratégias únicas ao longo da evolução para o produzir, o que torna estes processos especialmente fascinantes,” disse Viktoriia Kamska, investigadora pós-doutorada no laboratório do Professor Mason Dean na City University de Hong Kong, num comunicado.
A nova investigação, apresentada na Conferência Anual da Sociedade de Biologia Experimental em Antuérpia, Bélgica, a 09 de julho, revelou uma nanostrutura única na pele dentada dos tubarões-azuis que não só explica a sua coloração icónica, como também sugere que conseguem mudar de cor.
Tudo se resume às suas estranhas dentículas dérmicas, uma escama com forma de dente que funciona como uma espécie de armadura. Tal como os dentes, têm cavidades de polpa e contêm cristais de guanina e melanossomas. A guanina reflete o azul, enquanto os melanossomas absorvem outros comprimentos de onda da luz.
“Quando se combinam estes materiais, cria-se também uma poderosa capacidade de produzir e alterar cor,” explicou Dean.
“O fascinante é que conseguimos observar pequenas mudanças nas células que contêm os cristais e modelar como influenciam a cor de todo o organismo”.
Para além de explicar o que torna o tubarão-azul tão intensamente azul, parece que, através do mesmo mecanismo, essa cor pode mudar para tons de verde e até dourado.
Isto resulta de alterações no espaçamento entre as camadas de cristais de guanina nas cavidades da polpa dentária: quanto mais apertadas, mais azul a tonalidade; com mais espaço, surgem verdes.
O mais intrigante é que estas mudanças de espaçamento podem ser influenciadas por alterações ambientais.
Um exemplo dado pelos investigadores é a profundidade: quanto mais fundo, maior a pressão da água, comprimindo as camadas e produzindo um azul mais escuro — o que pode ser vantajoso para os tubarões, tornando-os mais camuflados em ambientes com pouca luz.
“Estas dentículas não só conferem benefícios hidrodinâmicos e antifouling aos tubarões, como agora descobrimos que também têm um papel na produção (e talvez na mudança) de cor,” disse Dean.
“Um design estrutural multifuncional como este – uma superfície marinha que combina características para hidrodinâmica de alta velocidade e ótica de camuflagem – tanto quanto sabemos, nunca foi visto antes”.
“À medida que as ferramentas de nanofabricação evoluem, este campo torna-se um autêntico recreio para estudar como as estruturas levam a novas funções. Sabemos muito sobre como outros peixes produzem cores, mas os tubarões e as raias divergiram dos peixes ósseos há centenas de milhões de anos – o que representa um caminho evolutivo completamente diferente na produção de cor”.