Antigo crocodilo hipercarnívoro comia “dinossaurinhos” ao pequeno-almoço

Gabriel Diaz Yanten, CC-BY 4.0

Ilustração artística do antigo réptil Kostensuchus atrox

Um fóssil descoberto na Patagónia revelou um réptil do final do Cretáceo, antigo parente dos crocodilos, com 3,5 metros de comprimento. Tinha os dentes grandes e serrilhados, cuja sua vida era destroçar dinossauros.

O Kostensuchus atrox viveu há cerca de 70 milhões de anos; e era provavelmente um predador tão formidável que os arqueólogos afirma que comia dinossauros ao pequeno-almoço.

“Os seus grandes dentes tinham bordos serrilhados como facas de carne, o que é um forte sinal de que este animal podia rasgar músculos e ossos, provavelmente caçando dinossauros de tamanho pequeno a médio ou outras presas grandes”, disse, à New Scientist, Diego Pol do Conselho Nacional de Investigação Científica e Técnica em Buenos Aires, Argentina.

O Kostensuchus atrox, que em vida teria cerca de 3,5 metros de comprimento e pesava cerca de 250 quilos, foi encontrado em 2020 no sul da Patagónia. O fóssil incluía um crânio muito bem preservado e partes do esqueleto do predador.

O seu nome de género deriva do vento patagónico conhecido como kosten e do deus egípcio com cabeça de crocodilo conhecido como Souchos, sendo que atrox significa feroz ou áspero em grego.

Este réptil viveu no final do Cretáceo e pertence a um grupo de parentes do crocodilo conhecido como crocodyliformes peirosaurídeos, que não sobreviveram ao evento de extinção há 66 milhões de anos, que também eliminou a maioria dos dinossauros.

Ao contrário dos crocodilos atuais, que têm focinhos compridos e achatados, o Kostensuchus tinha um crânio alto, largo e extremamente robusto, “mais robusto do que o de qualquer crocodilo vivo”, concebido para exercer uma grande força, enaltece Pol.

Os seus membros eram mais alongados do que os dos crocodilos modernos, o que sugere que era capaz de se movimentar mais agilmente em terra.

Este “predador de todo” tinha mais de 50 dentes afiados e serrilhados, alguns com mais de 5 centímetros de comprimento. Pol refere que estes dentes não serviam apenas para agarrar, mas também para cortar os músculos”, numa das mordidas mais poderosas do seu ecossistema”.

“Estas caraterísticas ajudaram-nos a colocá-lo como um predador de topo, coexistindo com grandes dinossauros carnívoros”, acrescenta o autor correspondente do estudo publicado esta quarta-feira na PLOS One.

ZAP //

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