Xinhua Fu

-Aranha a envolver um pirilampo
Isco luminoso atrai presas até às aranhas. São os machos que caem na teia, traídos por uma esperança de acasalamento que não passa de uma ilusão fatal.
Um estudo recente revelou um comportamento insólito entre as aranhas noturnas Psechrus clavis, que constroem teias em forma de lençol junto ao solo. Estas aranhas foram filmadas a capturar pirilampos e a mantê-los presos nas suas teias, sem os consumir de imediato, para aproveitar o seu brilho bioluminescente como chamariz para outras presas.
A investigação, publicada a 28 de agosto na Journal of Animal Ecology, mostra que “os sinais dos pirilampos, destinados à comunicação sexual, são também benéficos para as aranhas”, adianta ao Live Science o principal autor do estudo, I-Min Tso, investigador da Universidade de Tunghai.
Segundo os investigadores, as aranhas chegam a verificar o estado dos pirilampos ao longo de cerca de uma hora, período que coincide com a duração da luz emitida pelas fêmeas destes escaravelhos bioluminescentes.
Experiências práticas confirmaram a hipótese. Os cientistas colocaram pequenas luzes LED a imitar o brilho dos pirilampos em teias artificiais e compararam-nas com teias sem iluminação. Os resultados foram claros: as teias com LED atraíram três vezes mais presas do que as teias de controlo e conseguiram capturar até dez vezes mais pirilampos, segundo o estudo publicado a 28 de agosto no Journal of Animal Ecology.
As conclusões mostram também uma distinção curiosa no comportamento alimentar destas aranhas. Enquanto outros insetos, como as traças, são imediatamente consumidos, os pirilampos permanecem presos e intactos até que a sua luz se apague, sendo só depois devorados. A maioria dos pirilampos apanhados eram machos, o que sugere que terão confundido o brilho com potenciais parceiras.
Ao contrário de outros predadores que desenvolveram bioluminescência própria, como o peixe-pescador, estas aranhas parecem ter encontrado uma forma engenhosa de explorar sinais sexuais alheios. Para os cientistas, esta capacidade de manipular diferentes presas de acordo com características específicas reforça a ideia de que estas aranhas distinguem conscientemente os pirilampos dos restantes insetos.