O regresso à normalidade já tem um roteiro: reabrir creches, trabalhar à vez e máscaras para todos

José Sena Goulão / EPA

O novo estado de emergência aponta para o regresso à normalidade, na medida do possível. António Costa quer reabrir as creches e retomar o atendimento presencial dos serviços da administração pública, ao mesmo tempo que garante a abundância de materiais de proteção individual no mercado.

António Costa quer pôr a economia a mexer já no próximo mês e, para isso, o regresso à normalidade (na medida do possível) é o plano colocado em cima da mesa pelo primeiro-ministro. Nesse sentido, o Governo tem 15 dias para devolver a confiança aos portugueses e pôr em marcha um plano para reanimar a economia sem, contudo, deixar descontrolar a pandemia.

O plano é minucioso e tem de ser posto em prática com alguma cautela. Aumentar a oferta de transportes públicos, reabrir creches e massificar a oferta de máscaras de proteção individual e álcool gel desinfetante são alguns dos passos prioritários. O teletrabalho será para manter, ainda que os funcionários possam voltar às empresas – mas à vez.

O objetivo é preparar nestas próximas duas semanas aquilo que será a vida da nossa sociedade no próximo ano e meio, enquanto não houver vacina.

“Os próximos 15 dias são fundamentais para que em maio possamos retomar, não a normalidade da vida, mas para podermos retomar a capacidade de poder viver em condições de maior normalidade com a garantia de que a pandemia se mantém controlada”, disse António Costa, esta quinta-feira, no Parlamento.

Apesar de o decreto presidencial prever a abertura gradual do comércio, o Governo só o irá fazer em maio. Segundo apurou o Observador, a intenção do Executivo é preparar as pessoas para este regresso gradual, para não ser abrupto, mas isso não passa por levantar medidas antes do início do próximo mês.

A massificação das máscaras e do álcool gel é uma das prioridades e uma condição essencial para a reabertura dos serviços. A oferta dos transportes públicos é outra parte do plano de Costa, para evitar que estes andem sobrelotados. Aumentar as normas de higiene, tanto nos espaços públicos como nos espaços de trabalho, é outro objetivo.

As horas de ponta devem ser evitadas através de horários desencontrados, apesar de o teletrabalho ser para manter. No fundo, a ideia é que os trabalhadores se alternem, até para dar tempo aos transportes públicos de se reorganizarem. No local de trabalho, Costa sugere que as empresas se organizem para que uns trabalhadores vão de manhã e outros à tarde, num esquema de rotatividade.

Em relação às creches, a vontade do Governo é que estas possam reabrir em maio e que algumas aulas presenciais do 11.º e 12.º ano possam também ser retomadas, ainda que tudo isto esteja dependente da evolução da curva epidemiológica de Portugal. O diário destaca que a questão das creches assume particular importância porque as crianças “precisam de conviver” e porque os pais têm de retomar o trabalho com melhores condições.

Para o Governo, é certo que quando forem levantadas medidas haverá um aumento do risco de contágio. Por esse motivo, outra das prioridades é que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tenha “sempre capacidade de resposta robusta” para tratar os doentes com covid-19 e não só.

Já no que diz respeito aos serviços na administração pública, o Governo quer que possam voltar a funcionar em maio, para que seja a própria administração pública a transmitir a “confiança necessária aos cidadãos para que possamos retomar a vida normal”.

Da mesma forma, outro setor que não pode permanecer encerrado é a Cultura. António Costa quer criar condições para que possam ser retomadas atividades culturais ao ar livre, mantendo as medidas de segurança necessárias.

A par da Cultura, o Turismo é também um dos setores mais prejudicados com esta crise. Nesse sentido, e repetindo o que sublinhou numa entrevista ao Observador no início da semana, “férias de verão, sim, mas cá dentro“.

Liliana Malainho LM, ZAP //

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11 COMENTÁRIOS

  1. De aqui até Maio veremos o evoluir da situação, caso ela se mantenha ou piore em numero de casos infestados e casos mortais, reactivar sectores como escolas e creches,é uma decisão puramente suicidaria !… nestes espaços não serão mascaras e gel’s, que serão a solução eficaz e suficiente !

  2. Este desgoverno é uma tonteria. Creches!?!! Também conhecidos como “infetários”?!!!
    Mas de onde é que vieram estes gajos?!
    As outras também diziam que o vírus não chegava cá. E não se propagava facilmente. Vimos.

  3. Lol se abrirem as creches vamos todos para o galheiro! Quem tem miúdos bem sabe que aquilo é, e sempre será um mega foco de doenças, estão sempre todos doentes a pegar bicharadas una aos outros, todos ranhosos. Ou querem mandar os miúdos obedecer a um perímetro de 2m? Tenham juízo. Se isto é a vossa criatividade para retomar a economia, infelizmente não vamos sobreviver muito tempo 🙁

  4. Isto é só um exemplo: eu gostava de saber como vão identificar os doentes crónicos que têm filhos em idade de pré escolar e se essas crianças forem à creche e apanharem covid-19 e depois os dois pais (ambos doentes crónicos) morrerem, quem se responsabiliza?
    Cumprimentos

  5. As creches não são de frequência obrigatória. Quem achar que é muito arriscado, opta por continuar com as crianças em casa. Mas a alternativa para quem quer enfrentar o problema por outra via, tem de começar a existir

  6. Os bebés vão usar máscaras e lavar as mãos constantemente. As educadoras vão desinfectar constantemente todos os brinquedos para que eles possam por os brinquedos na boca sem qualquer perigo. Quando os bebés espirrarem ou tossirem as educadoras lá estarão para pôr o cotovelo à frente da boca como manda a etiqueta. Vai tudo ficar bem

  7. Para os comentadores acima que não entendem a fulcral importância de abrir as creches, eu explico. Estou em casa há 40 dias a trabalhar e ao mesmo tempo com o meu filho de 3 anos. Tem sido precisa uma disciplina quase militar para conseguir trabalhar, tomar conta dele, e fazer todas as tarefas da casa. Tempo para mim é pouco mais do que zero. E mesmo assim não é suficiente, para conciliar as coisas com qualidade. Nem consigo dar o melhor no trabalho e, pior, não consigo dar o melhor ao meu filho. Para uma criança de 3 anos não interessa tanto a actividade a fazer, mas com quem. Ele quer e precisa de atenção e socialização. Que eu não consigo, nem conseguirei sozinho, dar na medida necessária. Que, mesmo que deixe de trabalhar, não consigo substituir a essencial importância da socialização com outras crianças e educadores. Se as creches não abrirem em Maio, muito provavelmente irei deixar de trabalhar. Não posso continuar a negligenciar nem o meu filho, mesmo sabendo que sozinho não lhe posso dar tudo, nem pôr em risco a minha sanidade também. Tem que haver equilíbrio e a corda já está a esticar muito.

    • Isto é daquelas coisas que se vai resolver sozinha: O governo vai fechar a ‘torneirinha’ do layoff (vai acontecer, gostem ou não) e cada qual vai fazer da vida o que entender.

      O estado não pode suportar isto durante muito mais tempo. A abertura das escolas possibilita o regresso ao trabalho dos pais. Isto não é uma questão de opinião. É matemática.

      Queiram ou não. Gostem ou não, vamos ter que regressar à normalidade. Quanto mais não seja, à normalidade possível.

  8. Olá, Leitores do Site ZAP.aeiou.pt, gostaria de lhes colocar uma questão que me preocupa bastante em relação á minha Saúde: É o seguinte: Tendo em conta que padeço de Epilepsia/Hidrocefalia será que Pessoas como eu ou seja Portadores de Doenças Crônicas terão que voltar a frequentar as Instituições onde andam até ao próximo mês de Agosto ou no caso das Pessoas portadoras de Doenças Mentais ficarão em Casa tendo em conta os seus problemas de Saúde? Agradecia que alguém me respondesse e dissesse se os Deficientes e as suas Famílias poderão estar sossegadas em relação a esse fato.

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