Novas evidências apontam eventual localização dos destroços do MH370. Jornalista sugere que foi abatido

(cv)

O responsável pela busca fracassada pelo voo MH370 da Malaysia Airlines está a pedir um novo inquérito com base em novas evidências que podem finalmente resolver o mistério do desaparecimento da aeronave há sete anos.

De acordo com o jornal britânico The Times, Peter Foley, que liderou a busca pelo avião MH370, da companhia aérea Malaysian Airlines, disse que concordava com uma nova análise produzida por oceanógrafos e especialistas em voo, sugerindo que os destroços podem estar no fundo do Oceano Índico, a 1.930 quilómetros da Austrália.

O voo noturno de Kuala Lumpur para Pequim desapareceu há exatamente sete anos, no dia 8 de março de 2014, com 239 passageiros e tripulantes. Tinha misteriosamente invertido o curso e voado para o sul até ficar sem combustível.

Duas buscas não encontraram vestígios da aeronave, mas 33 pedaços de destroços – confirmados ou classificados como altamente prováveis ​​de pertencerem ao MH370 – foram descobertos nas Ilhas Maurícias, Madagáscar, Tanzânia e África do Sul.

A pressão por uma nova busca surgiu após a análise do último pedaço de destroços, parte de um spoiler de uma asa encontrado na África do Sul em agosto.

Um relatório divulgado por um grupo independente de especialistas revelou, este domingo, que os danos indicavam que aquela peça tinha sido arrancada da aeronave num mergulho descontrolado em alta velocidade.

Esta descoberta contesta teorias alternativas. A análise da deriva do oceano e uma revisão de uma rota de voo divulgada no ano passado concordaram que o MH370 provavelmente caiu cerca de 1.930 quilómetros a oeste de Cape Leeuwin, Austrália Ocidental, numa área notória pelos seus profundos desfiladeiros no fundo do oceano e montanhas subaquáticas.

Foley, que supervisionou a maior busca de sonar de alta resolução do mundo, cobrindo quase 80.400 quilómetros quadrados do fundo do oceano, afirmou que uma nova investigação deve inspecionar o fundo do mar 70 milhas náuticas de cada lado da área alvo. “Grandes extensões não foram totalmente revistas”, disse.

Blaine Gibson, que dedicou grande parte da sua vida nos últimos anos à procura dos destroços, apoiou uma terceira busca. O advogado norte-americano, de 63 anos, disse que o modelo atualizado de Charitha Pattiaratchi, oceanógrafa da University of Western Australia, é um forte argumento para outra análise. A especialista previu onde estariam os destroços um ano antes de a primeira peça ser encontrada.

MH370 pode ter sido abatido

De acordo com a Euronews, num livro publicado na semana passada e intitulado “La Disparition” (“O Desaparecimento”, em tradução livre), a jornalista Florence de Changy, correspondente em Hong Kong para o jornal francês Le Monde e a RFI, sugere que o avião terá sido abatido –  intencional ou acidentalmente – e que os registos da ocorrência terão sido posteriormente abafados.

“A versão oficial é uma justaposição de zonas cinzentas: da quebra dos meios de comunicação do avião à queda no oceano Índico, passando por uma suposta inversão de marcha improvável num Boeing 777. Os dados de radar no sobrevoo da Malásia são totalmente incompatíveis com um aparelho destes”, garantiu, em entrevista à Euronews.

A autora acrescenta ainda os dados que dão conta de que o voo MH370 atravessou “sete espaços aéreos onde o avião não foi visto nem é conhecido“. “Nenhum destes países é capaz de apresentar provas de que o avião tenha passado pelo respetivo espaço aéreo e ainda temos todos os navios e aviões americanos que vigiam aquela zona em permanência. Nada”, sublinhou.

O MH370 desapareceu a 8 de março de 2014, na rota de Kuala Lumpur para Pequim com 239 pessoas a bordo. Em 2015, um fragmento da asa do avião foi descoberto a leste de Madagáscar, na ilha francesa de Reunião, e confirmado como proveniente do Boeing 777.

Enquanto que, em julho de 2018, investigadores malaios emitiram um longo relatório, dizendo que o Boeing terá sido provavelmente desviado da rota de propósito, mas não conseguiram encontrar o responsável.

O programa australiano “60 Minutos” reuniu um painel de especialistas que acredita ter desfeito o mistério do desaparecimento do Boeing 777 da Malaysia Airlines. Os especialistas revelaram que a tese mais plausível seria a de que o piloto do voo MH370, Zaharie Ahmad Shah, de 53 anos terá sido o responsável pelo desaparecimento da aeronave num ato “planeado, deliberado”.

A teoria a que estes especialistas chegaram agora aponta então para o suicídio do piloto, antecedido por um ato premeditado de homicídio em massa. Para isso, Zaharie terá provocado a despressurização da cabine, deixando todos os ocupantes inconscientes, à exceção do próprio piloto que usaria uma máscara de oxigénio. De acordo com a teoria, o piloto desligou o sistema de comunicação deliberadamente.

Após vários anos de tentativas infrutíferas de localizar os restos do avião, o Governo da Malásia concluiu a busca em maio do ano passado, admitindo não saber o que aconteceu com a aeronave. O governo da Malásia disse que precisaria de novas evidências convincentes antes de montar uma nova busca.

Maria Campos, ZAP //

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5 COMENTÁRIOS

  1. O avião desviou-se da rota inicial, deixou de aparece em qualquer radar, terá sido abatido, e, para dificultar a sua localização, caído numa área de profundos desfiladeiros e montanhas subaquáticas no oceano Indico.
    Tudo isto, aconteceu “ACIDENTALMENTE”…

  2. Dêem mas é descanso às almas e às famílias das vítimas!.. Vamos andar aqui eternamente sem conseguir provar nada e a não colocar uma pedra no assunto. Já parece a Maddie…

  3. Mistério. O voo do Boeing 777 da Malaysia Airlines vai ficar registrado no livro ” Segredos Indesvendáveis”, de autor desconhecido. O Boeing teria entrado num portal e partido rumo ao planeta MH 370 , sem ser atingido pelas intempéries e entrado na órbita do Planeta. Nessas alturas todos passageiros e tripulantes dormem um sono tranquilo, aguardando a viagem de volta. Quando ? É um mistério. joaoluizgondimaquiargondim – [email protected]

  4. Boa tarde!
    Já que citam o trabalho da jornalista francesa e do livro que escreveu a propósito, deveriam mencionar qual a hipótese e tese expressas por ela: que o avião teria sido abatido, de forma intencional ou não, eventualmente, por meios militares americanos e que o avião transportaria uma carga sensível que haveria que evitar que chegasse à China. A consulta de qualquer jornal francês, daria as informações fundamentais do livro. A verdade é que a explicação oficial dada até agora é muito pouco sólida perante um avião civil que em sete espaços aéreos que passa, não deixa rasto. Ao contrário do que foi expresso, penso que a verdade é uma forma de consolo e um direito para as famílias que sofreram perdas, tenha acontecido o que tenha acontecido.

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