Nota artística: um por todos e… todos são malcriados

Dezembro. Dezembro continua a ser o último mês do ano. Ainda há coisas iguais ao que era antes. Dezembro dá os primeiros sinais de que, ainda durante este mês, haverá mudança de estação. Ainda há coisas iguais ao que era antes.

Em Famalicão, o frio faz apertar os coletes e preparar a vestimenta para o que aí vem: uma guerra num relvado e nos seus arredores. Uma batalha invulgar, com cinco partes. Mas só têm pouco mais de 90 minutos para definir o vencedor.

É que o inverno está a chegar…

A equipa de Vila Nova mudou muito em relação à temporada passada. Basta olhar para a ficha de jogo e perceber que muitos futebolistas nem sequer conheciam a vila, há uns meses. Mas há algo que continua igual: a idade. O Famalicão entrou em campo com 11 jogadores – ainda há coisas iguais ao que era antes – e o mais velho tem 25 anos. Era quase quase uma equipa sub-23, que joga ali no campo ao lado. Ou em Amares. Em Amares não sei, mas em Vila Nova os atletas não são eternos; a juventude é.

Mas a juventude pode trazer momentos como aquele protagonizado por Ricieli, que travou Nuno Santos desnecessariamente, dentro da grande área defensiva. Pronto, penálti e lá vai um Nuno marcar cedo para o Sporting. Tem sido habit… Falhou. Falhou quer dizer, o Júnior, que podia mesmo jogar pelos juniores, está na baliza para brilhar. E conseguiu. Nuno nem sempre marca cedo, afinal.

Os leões não marcaram aí, marcaram pouco depois. Quem? A superestrela deste campeonato, Pedro Gonçalves. E com mais um golo de superestrela.

Ora numa noite invulgar, viu-se algo invulgar: Adán saiu à toa e permitiu a estreia nos golos de Gustavo Assunção. Mas, no último duelo da primeira parte, quando o esférico estava parado… Porra, mais um grande golo, Porro!

1-2 e agora vem aí a segunda parte: Nuno Santos pegado com jogadores, ou o Ricieli é que começou a pegar por Nuno Santos, tudo confuso, cartão amarelo para os dois (ainda hoje não entendo porque o Nuno viu o cartão), barulho, empurrões… É guerra, pois.

Na terceira parte, ainda na fase inicial, o estratega da casa decidiu mudar três peças no seu esquadrão. Nada adiantou, durante muitos minutos. Aparentemente os visitantes tinham a batalha controlada, sem grande dificuldade, baseada num meio-campo forte, onde se ia destacando novamente Palhinha, um muro.

O problema é que aquele muro, daqueles tempos, caiu, lá na Alemanha. E este não caiu mas devia ter-se erguido mais aos 88 minutos, quando o livre foi marcado. Um livre de Robert, outro sub-23 que entrou logo a seguir à expulsão de Pedro Gonçalves, e que igualou novamente o resultado.

Esperem aí que a batalha ainda não acabou. Está quase, mas ainda há tempo para mudança de estratégia do evangelista Ruben: “Capitão, és defesa-central mas agora vais para ponta-de-lança!”. E Coates marcou, logo no reatar da partida. Marcou mas não marcou. Não contou. Muitos têm olhado para a mão de Coates sobre o guarda-redes, mas talvez poucos tenham olhado para a mão de Coates sobre o defesa do Famalicão. Talvez esteja aí a infração. Ruben não concordou. Foi expulso (outra vez…?).

Mas pronto, num estádio que tem 22 no nome, o 2-2 fica bonito.

Agora vem aí a quarta parte. No túnel. Pensei que o único túnel que iria ficar para a história da bola era o túnel da Luz.

Afinal não. No túnel do 22 de Junho houve mais empurrões, mais gritos, puxa para cá, puxa para lá, muito barulho, paredes a tremer…

Agora vem aí a quinta parte: as declarações. Gostei particularmente do líder da turma da casa, que rejeitou a ideia de isto serem coisas normais no futebol. Não são. “Os jogadores têm de ter mais juízo, os treinadores têm de ter muito mais juízo e os dirigentes têm de ter muito, muito, muito mais juízo”. Foi o João que disse. Podia ter sido eu. “Foi uma vergonha para todos. Há discussões, bate-boca e ninguém tem razão. Somos todos mal-criados“. Aplausos.

O evangelista Ruben também comentou o túnel: “Na equipa do Sporting, quando vai um, vão todos“.

Pelo meio, apareceu um médico a falar de uma das Varandas junto ao estádio. Disse ele que, no momento do suposto 2-3, o guarda-redes contrário caiu, tranquilo, e não reclamou – não sei para que guarda-redes é que ele estava a olhar, porque o Júnior nem caiu, nem ficou tranquilo: ficou de pé e veio logo ter com o árbitro, a reclamar falta. O médico comentou também que estas decisões acontecem porque o Sporting é líder e já “eram quatro pontos, começa a tremer“. Pois é… Esta guerra acabou mas virão mais. Porque já há muita gente a tremer nesta guerra pelo trono.

O possível problema para o leão é que o inverno está a chegar… e o Natal também.

NMT, ZAP //

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5 COMENTÁRIOS

  1. Tem piada pedirem para ter bom senso e educação nos comentários que aqui se colocam. Mas o que fazer quando o articulista que faz o artigo não cumpre esses critérios? É chamado a atenção? Não o bom senso e a educação é só para os comentários… senão era violar a liberdade de expressão ou de imprensa quando nem se quer sabe se o senhor que escreveu o post tem carteira de jornalista? E mesmo que a tivesse não a soub, a meu ver, usar respeitando um clube que independentemente de ter reagido bem ou menos bem a um “roubo” descarado na anulação de um golo limpinho, limpinho como diria o outro… O árbitro do jogo que até aí não estivera mal de todo, talvez pressionado pelo sr. do VAR “obrigou” a mudar de opinião, talvez para não ficar no “pote” ou descer de escalão no fim desta época?… Pergunto eu: então o guarda-redes não estava fora da pequena área? E não pode ser “tocado” ou “tocar” ele num adversário? Então o futebol não é um jogo de contacto? E mesmo que os braços de ambos se tocassem: quem tocou em quem? E esse contacto foi suficiente para ser marcado uma falta? Não ía um jogador em ascendência e outra já a descer?
    Palavras para quê tenho muitas dúvidas de quem deveria ter vergonha na cara no comportamento escusado extra jogo, lembro que já ao intervalo algo se passava pois também houve ânimos exaltados. Mas quem escreveu este artigo não tem de certeza absoluta vergonha naquela cara! E Mais o futebol não é um jogo de paixões? E a paixão não é a exaltação do “amor”? Tem juízo: árbitros, dirigentes, jogadores, jornalistas e escrivães de comentários e adeptos.

    • Caro leitor,
      Obrigado pelo seu reparo. Note no entanto que o artigo em causa não é uma notícia, é uma crónica, para a qual é dada ao autor (alguma) liberdade criativa, (alguma) paixão daquela a que se refere, e (muita) liberdade de opinião.
      Coisas que já não seriam dadas a este seu editor, por muito que partilhe das suas dores, caso estivesse a dar notícia dos factos que refere.

  2. Agradeço ao ZAP o comentário à minha publicação. Mas, permita-me acrescentar o seguinte:
    – Cronista? Então podem os editores chamar a atenção de um cronista pela forma menos educada e insolente a que se refere a um Clube de futebol para mais com dimensão e história gloriosa no futebol nacional? Não está em causa o conteúdo mas sim a forma em como o faz. Será queria ser irónico? Se assim foi esse dito cronista não sabe distinguir ironia de insolência e deselegância. E se não sabe ou é incompetente e desadequado a ser aqui cronista ou se o sabe foi apenas maldoso e intencionalmente ofensivo para um clube. Sei perfeitamente distinguir inteligência de ignorância, tal como o sei de deselegância de educação. E reitero esta crónica, no meu entender, ultrapassou os limites dado que foi intencionalmente deselegante e insolente pois está bem escrita logo é maldosa.
    Em tempos também eu fui árbitro de futebol por pouco tempo, pois à época tirando a alegria e ingenuidade que me levou a fazer o curso, com a prática verifiquei que era um mau fiscal de linha (era assim que se chamava naquele tempo) e apenas um razoável árbitro de campo. Mas o que me afastou foram as coisas que se passavam fora do campo de jogo… contudo foi fundamental para a minha vida essa experiência e incursão no mundo do futebol. Fez-me crescer como Homem e deu-me uma noção e um novo olhar para esse desporto, muito mais calmo e sobretudo ensinou-me a que aquilo que muitas vezes se vê não é o que parece. Tirou-me a ingenuidade de adepto do jogo e de espectador apaixonado. O ter visto o outro lado faz-me ainda hoje perceber muita coisa como por exemplo este vosso colonista (se insiste em chamar-lhe isso). Eu chamar-lhe-ia, para ser educado e simpático um triste e um comentador com acesso a fazer crónicas de que o já desprestigiado futebol nacional, de fora das linhas, não precisa. Para mais no vosso agradável site. Cumprimentos.

  3. Se me permitem quero ainda e, porque considero importante exemplificar o meu incómodo, acrescentar o seguinte:
    Se acharem interessante ou conveniente estou disponível para desmontar a crónica aludida, ponto ponto, por ponto, citação por citação, parágrafo por parágrafo, mostrando tudo o que existe de mau nesta dita crónica e que fundamentou a minha alergia. Como, por exemplo o facto indigno e desnecessário de enaltecer um belíssimo e jovem jogador do Famalicão para denegrir outro jovem jogador do Sporting. Diga-me lá se isto não é inteligência maldosa e se não é ascoroso? Ser inteligente e ter conhecimentos numa área não significa ser um bom ser humano e positivo na sua profissão. O futebol nacional precisa mesmo de cronistas com este perfil?

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