Guardia Civil retida em edifício durante horas foi escoltada pela polícia catalã

Na sequência da  detenção de 14 altos dirigentes do governo catalão, no âmbito de uma inspeção feita pela Guardia Civil, a tensão saiu à rua na capital catalã. Os elementos da Guardia Civil espanhola tiveram que ficar no edifício durante horas até serem escoltados por um cordão de segurança feito pelos Mossos d’Esquadra.

Alguns manifestantes independentistas saíram à rua e entraram em confronto com as autoridades, chegando até a vandalizar carros da polícia, para protestar contra as inspeções realizadas durante a última quarta-feira e que culminaram na detenção de 14 altos dirigentes do Governo catalão.

Os últimos agentes da Guardia Civil, no entanto, encontravam-se na sede do departamento de Economia em Barcelona desde as 08h00 (07h00 em Portugal), sem o conseguir abandonar, devido aos protestos que, lá fora, se iam intensificando e assumindo um caráter violento, avança o Jornal de Notícias.

A operação de escolta das autoridades espanholas foi difícil, com os manifestantes a não ceder a posição. Quando saíam, os elementos da Guardia Civil foram recebidos com gritos de protesto dos manifestantes, que se sentaram no chão para impedir a operação, levando as autoridades catalãs a ter que os retirar à força, arrastando-os pelos pés e braços.

A partida desses agentes da Guardia Civil tornou-se durante todo o dia numa delicada operação para a polícia catalã, depois de o major dos Mossos d’Esquadra, Josep Lluis Trapero, ter pedido aos agentes que fossem “especialmente restritivos e cuidadosos no uso da força”.

Durante o dia, as três viaturas da Guardia Civil que tinham ficado à porta do Departamento foram destruídas, num protesto contra a detenção de 14 dirigentes da Generalitat, por organizarem um referendo sobre a independência da Catalunha.

Antes disso, cinco agentes à paisana já tinham abandonado o Departamento, por volta das 03h00 da madrugada (02h00 em Portugal continental), percorrendo um pequeno trecho na Rambla da Catalunha, até à Grande Via de Barcelona, onde entraram para veículos sem logótipos policiais, que foram depois escoltados pelos Mossos d’ Esquadra.

Em frente à sede do governo autónomo foi montado um palco improvisado, onde têm atuado vários artistas e, por várias ocasiões, diversos dirigentes têm pedido às pessoas que dispersem.

O presidente da organização pró-independência da Catalunha Ómnium Cultural, Jordi Cuixart, assim como o da ANC, Jordi Sánchez, falaram aos manifestantes, sugerindo que se reunissem na quinta-feira às 12h00, em frente à sede do Supremo Tribunal de Justiça da Catalunha.

A esse pedido a multidão respondeu que não dariam “Nem um passo atrás!“.

Puigdemont acusa Madrid de suspender autonomia catalã

A relação entre o Governo catalão e o Central, em Madrid, tem se deteriorado, assumindo piores contornos desde que Carles Puigdemont, presidente da Generalitat, marcou um referendo independentista para 1 de outubro.

“O governo da Catalunha foi hoje objeto de uma agressão coordenada pelas forças policiais do governo espanhol com o objetivo de impedir que os catalães se possam expressar em paz e liberdade a 1 de outubro com o propósito de suspender o governo catalão”.

Foi assim que Puigdemont reagiu à detenção de 14 elementos ligados ao governo catalão e buscas a dezenas de locais em Barcelona relacionados com o referendo independentista de 1 de outubro (1-O).

Rodeado pelos membros do Conselho Executivo da Generalitat, Puigdemont acusou a ação de ontem de ser “repressiva e intolerante“, garantindo que, ainda assim, o referendo vai realizar-se.

“Nós, cidadãos, estamos convocados para defender a democracia face a um regime repressivo e intimidatório. E temos de dar uma resposta massiva e cívica. Temos de nos preparar para responder com as únicas armas que temos, a resposta cidadã e a atitude pacífica e civilizada que nos tem caracterizado”, afirmou.

Nas primeiras horas da manhã de ontem, a Guardia Civil apreendeu cerca de dez milhões de boletins de voto em Barcelona, tendo detido 14 pessoas ligadas à Generalitat, incluindo o número dois do vice-presidente do governo catalão, e levou a cabo 41 operações de buscas em dependências do governo. “Foram feitas por decisão do juiz para que se cumpra a lei”, declarou o primeiro-ministro Mariano Rajoy, no Parlamento, à tarde, cita o Diário de Notícias.

Ao final do dia, Rajoy fez uma declaração na qual afirmou que “nada pode pretender estar acima da lei. A polícia está a defender os interesses de todos os cidadãos, incluindo dos catalães. A desobediência à lei por parte de um poder público é contrária à democracia. Votar só é sinónimo de democracia quando é feito de acordo com a lei. Não se pode votar para incumprir a lei, pode votar-se para mudá-la”, prosseguiu o chefe do governo espanhol.

Na sua curta declaração, Rajoy deixou ainda um recado a Puigdemont: “Aos governantes da Generalitat recomendo-lhes que cessem as suas atividades ilegais. Sabem que este referendo não pode ser celebrado. Agora não é mais do que uma quimera impossível”. Mas também um aviso: “Garanto-lhes a minha determinação em fazer cumprir a lei sem renunciar a nenhum dos mecanismos do nosso Estado de Direito”.

Na Porta do Sol, em Madrid, centenas de pessoas começaram a juntar-se ao final do dia, exigindo o “direito a decidir”. Lá estavam também vários políticos, como Pablo Iglesias, líder do Podemos, e Alberto Gárzon, da Esquerda Unida.

ZAP //

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6 COMENTÁRIOS

  1. Queiram por favor corrigir no inicio da noticia onde se lê “…Barcelona desde as 07h00 (08h00 em Portugal), “, deve ler-se “Barcelona desde as 08h00 (07h00 em Portugal), “

    • Pedido de correção indeferido. Com o pedido de autonomia a Catalunha pretende ficar no horário dos Açores. Pelo exposto não há razões para aceitar o seu pedido de correção.

      • então porque motivo mais adiante onde se lê “Antes disso, cinco agentes à paisana já tinham abandonado o Departamento, por volta das 03h00 da madrugada (02h00 em Portugal continental), ” o mesmo critério não é seguido ?

  2. Um reparo. Os independentistas da Catalunha também deveriam pedir um referendo na República Francesa na parte relativa ao Rossilhão, que aqueles ocuparam e que também fazia parte da Catalunha. Já agora, também poderiam pedir no Rossilhão o reconhecimento da língua catalã e pedir a proibição das touradas.
    Se são tão republicanos? Onde está então a verdadeira república?

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