Bolsonaro diz que medidas de isolamento são absurdas. Lula teme “genocídio” no Brasil

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, disse que as medidas de isolamento social adotadas pelos governadores regionais do país para conter o avanço da covid-19 são absurdas.

Jair Bolsonaro classificou, esta quinta-feira, como “absurdas” as medidas de isolamento social adotadas pelos governadores regionais do país e afirmou-se pronto para discutir uma reabertura.

O Presidente fez um apelo aos governadores para rever estas políticas porque considera que o fecho do comércio e da oferta de serviços não essenciais deixaram centenas de outras vidas em risco por causa do desemprego e da crise económica.

“As pessoas estão morrendo? É mesmo. Lamento? Lamento. Mas morrerá muito, muito mais [pessoas] se a economia continuar sendo destruída por essas medidas”, disse o governante, no exterior do Palácio da Alvorada, residência oficial do Presidente em Brasília.

O Presidente brasileiro, um dos líderes mais céticos em relação à gravidade da pandemia de covid-19, também criticou o confinamento total adotado em algumas regiões do país para impedir a propagação da doença. Segundo Bolsonaro, estas medidas vão destruir o Brasil e os cidadãos serão “condenados a viver num país miserável”.

“Com essa história de lockdown eles vão fechar tudo, esse não é o caminho. Esse é o caminho do fracasso, [vão] quebrar o Brasil”, disse Bolsonaro.

Desde meados de março, os governadores brasileiros têm adotado ações de distanciamento social na tentativa de conter a rápida disseminação da covid-19, apesar das repetidas críticas e censuras de Bolsonaro, que se declara contrário a este tipo de medida.

João Doria, governador do estado de São Paulo, defende o isolamento social como medida para conter a disseminação do novo coronavírus. Também esta quinta-feira, Bolsonaro pediu aos empresários que “joguem pesado” contra este governador.

“Um homem está a decidir o futuro de São Paulo. Está a decidir o futuro da economia do Brasil. Os senhores [empresários], com todo o respeito, têm de chamar o governador e jogar pesado, jogar pesado, porque a questão é séria. É guerra”, disse numa videoconferência com empresários e com o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.

João Doria impôs um confinamento parcial no final de março, mas está a considerar a adoção de um confinamento ainda mais rigoroso em São Paulo, o epicentro da pandemia no país, com 4.315 mortos e 54.286 casos confirmados.

Lula teme “genocídio” no Brasil

No mesmo dia, numa entrevista realizada por videoconferência, Luiz Inácio Lula da Silva acusou Jair Bolsonaro de praticar “muitas faltas graves” na gestão da crise provocada pela pandemia de covid-19.

“O Governo transforma as pessoas que estão preocupadas com o vírus em inimigos. Sou católico e rezo para que o povo brasileiro seja salvo de um genocídio provocado por Bolsonaro”, disse Lula da Silva, defendendo a destituição do atual Presidente.

Para Lula, Bolsonaro “ameaça a democracia, as instituições, o povo brasileiro” e “nem sequer respeita as pessoas que morreram por causa do coronavírus”. Ainda assim, o antigo Presidente precisou que a iniciativa para destituir Bolsonaro “deveria ser tomada por uma entidade não política, e não por um partido, para evitar qualquer conotação ideológica”.

Na entrevista à France-Press, o também fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) disse estar preocupado com o papel dos militares no Executivo de Bolsonaro, defendendo que têm “mais influência no Governo do que na época da ditadura [1964-1985], quando os generais eram presidentes”.

“Hoje, há mais militares que civis no palácio presidencial. Os militares estão nos comandos […]. O nosso país não é uma caserna […], deve ser governado da forma mais democrática possível”, defendeu.

ZAP // Lusa

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3 COMENTÁRIOS

  1. Que me perdoem, dar ouvidos ao LULARÁPIO, ladrão de nove dedos, chefe de quadrilha, exemplo de traidor da pátria, ora vejamos. Quanto ao atual presidente, é um pândego, mas defende o que foi posto em prática na Suécia (sem comparações, obviamente).

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