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Enquanto a Europa se prepara para uma segunda vaga, a Suécia vê os novos casos a cair a pique

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Numa altura em que a Europa com a possibilidade de uma segunda vaga de covid-19, as novas infeções na Suécia, que nunca implementou medidas restritivas nem confinamento, têm diminuído desde o final de junho.

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De acordo com a Newsweek, o número de novos casos por 100 mil pessoas na Suécia relatados nos últimos 14 dias caiu 54% em relação ao registado nos 14 dias anteriores, de acordo com o último relatório divulgado quarta-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Enquanto isso, outras partes da Europa registaram grandes picos de novos casos no mesmo período, incluindo Espanha, França, Alemanha, Bélgica e Países Baixos, que registaram aumentos entre 40 e 200% no último mês.

A média de sete dias dos novos casos diários da Suécia tem caído de forma consistente desde 29 de junho. A contagem diária de casos tem diminuído principalmente desde 24 de junho, quando registou 1.803 novas infecções, o seu maior pico num dia desde o início do surto. A média de sete dias das novas mortes diárias na Suécia também está em declínio desde 15 de abril, quando registou um número recorde de mortes diárias de 115.

No entanto, o país ocupa o oitavo lugar entre os países com o maior número de mortes por covid-19 por 100.000 pessoas. A Suécia supera mesmo os Estados Unidos e o Brasil, que são os primeiros e segundos países mais atingidos do mundo em termos de casos totais.

Na semana passada, Anders Tegnell, epidemiologista chefe da agência de saúde pública da Suécia, que liderou a resposta ao covid-19 do país, disse, em entrevista ao UnHerd, que a controversa estratégia do país foi um sucesso “em grande parte”.

“Reduzimos bastante o movimento na sociedade. Comparamos o quanto viajamos nos países escandinavos e a diminuição nas viagens é a mesma na Suécia e nos países vizinhos. De muitas formas, as medidas voluntárias que adotamos na Suécia foram tão eficazes como os confinamentos completos noutros países“, disse Tegnell. “Agora estamos a ver casos em queda rápida, recebemos continuamente assistência médica que tem funcionado, tem havido camas gratuitas a qualquer momento, nunca houve aglomeração nos hospitais”.

O fracasso tem sido, obviamente, o número de mortos que está muito relacionado com as instalações de cuidados de longo prazo na Suécia. Agora que melhorou, vemos muito menos casos nessas instalações”, disse Tegnell.

Questionado sobre se ter um confinamento na Suécia poderia ter feito diferença no impacto do surto, Tegnell disse “talvez”. “Não sabemos. Também precisamos de ver qual é o efeito negativo de confinamento e isso não foi feito muito até agora”.

A Suécia registava quase 79.800 casos confirmados na quinta-feira. No mês passado, a Suécia foi o segundo país per capita mais infectado do mundo.

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Em vez de um confinamento, a Suécia pretendia desenvolver “imunidade de grupo”, esperando que um número crescente de pessoas expostas ao vírus ajudasse a evitar uma segunda onda de infecções. Desde o início da pandemia, Tegnell aconselhou o Governo a manter a economia aberta, alegando que seria mais sustentável a longo prazo.

A abordagem da Suécia tem sido criticada tanto interna como externamente, sobretudo devido ao elevado número de vítimas mortais. Vários académicos, assim como professores e pais na Suécia, já se manifestaram contra a estratégia do país e os riscos impostos à saúde das crianças.

Tegnell admitiu erros, dizendo que havia margem para melhorar o desempenho do país e que a taxa de mortalidade é muito elevada. Outros especialistas sugerem que o plano de ação delimitado pode não ter sido o mais inteligente.

Por sua vez, a antiga epidemiologista estatal sueca Annika Linde disse que o país deveria saber que estava despreparado para lidar desta forma com a pandemia. “Um confinamento poderia ter-nos dado a hipótese de nos prepararmos, pensarmos e desacelerarmos radicalmente a propagação da infeção”.

  ZAP //

2 Comments

  1. Se deixarmos morrer todos os que são susceptíveis de morrer e se deixarmos infectar toda a gente, então chegamos a um momento em que não há mais ninguém para morrer nem mais ninguém para infectar e a nossa estratégia é um sucesso.

  2. A Suécia não faz testes a quem tem sintomas.
    Todos são mandados para casa. Só os que estão muito mal, e são internados, são testados.
    Como tal, essa taxa de infecção não vale para nada.

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