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Sem ganho económico e muitas mortes. O que dizem os dados da controversa estratégia sueca

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A estratégia relaxada da Suécia contra a covid-19 gerou várias críticas. Os números mostram que tanto a nível sanitário como económico, o país saiu a perder.

O Governo sueco não impôs um confinamento à população e, em vez disso, apelou às pessoas para que aplicassem o distanciamento social. Ainda que tenham sido proibidos ajuntamentos com mais do que 50 pessoas, restaurantes, bares, ginásios, lojas e cabeleireiros mantiveram-se abertos.

A Suécia conta com quase 75 mil casos confirmados de covid-19 e cerca de 5.500 mortes. A abordagem relaxada da nação nórdica à pandemia levou a muitas críticas de quem considerava a estratégia um fiasco sanitário.

Olhando para os números, é possível concluir que a estratégia sueca contra a covid-19, para além de ter levado a um maior número de mortes, não resultou em ganho económico, como muitos pensavam.

Este mês, o banco central da Suécia previu que o PIB do país caísse 4,5% este ano, contrastando com a previsão anterior de que o PIB aumentaria 1,3%. Além disso, a taxa de desemprego na Suécia aumentou de 7,1% em março para 9% em maio.

“Eles não ganharam literalmente nada”, disse Jacob F. Kirkegaard, do Instituto Peterson de Economia Internacional, em Washington, em declarações ao The New York Times. “É um ferimento autoinflingido e eles não têm ganhos económicos”.

Também a taxa de mortalidade pelo novo coronavírus está entre as mais altas do mundo, escreve o Business Insider. A Suécia tem mais mortes por milhão de pessoas do que os Estados Unidos, Brasil, Índia e Rússia.

A opinião do primeiro-ministro sueco, Stefan Lofven, diverge desta visão. O político entende que a estratégia tem como base o “senso comum” que terá permitido ao país manter o status quo. Apesar das críticas que recebeu devido à elevada taxa de mortalidade no país, Lofven quer manter a estratégia inicial que defendeu ser “a certa”.

O epidemiologista Anders Tegnell, que aconselhou o Governo, admitiu erros, dizendo que havia margem para melhorar o desempenho do país e que a taxa de mortalidade é muito elevada. Outros especialistas sugerem que o plano de ação delimitado pode não ter sido o mais inteligente.

Por sua vez, a antiga epidemiologista estatal sueca Annika Linde disse que o país deveria saber que estava despreparado para lidar desta forma com a pandemia. “Um confinamento poderia ter-nos dado a hipótese de nos prepararmos, pensarmos e desacelerarmos radicalmente a propagação da infeção”, disse a especialista ao jornal Dagens Nyheter.

  ZAP //

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