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Sócrates critica Marcelo e acusa Cavaco de planear “inventona” para o derrubar

Mário Cruz / Lusa

Ex-primeiro ministro e ex-líder do PS, José Sócrates

José Sócrates dispara em todas as direcções, repetindo as acusações ao juiz Carlos Alexandre, mas criticando também a Procuradora Joana Marques Vidal e o Presidente da República. O ex-primeiro-ministro ainda se queixa de que Cavaco Silva o tentou derrubar.

Em entrevista à TSF, após ter sido anunciado o adiamento por mais seis meses do processo de investigação da Operação Marquês, Sócrates critica a ida do Presidente da República às instalações do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), em Lisboa, no início deste mês de Setembro.

Uma decisão de Marcelo Rebelo de Sousa que não foi inocente, considera Sócrates à TSF.

Fez um sinal político, que não me escapou. O senhor Presidente da República decidiu, do ponto de vista simbólico, visitar o DCIAP para sinalizar que está do lado de uma instituição, contra o indivíduo“, destaca o ex-governante.

“O Senhor Presidente da República foi eleito pelos cidadãos, não pelas instituições”, queixa-se ainda Sócrates.

A “inventona” de Cavaco

Mas na mira do ex-primeiro-ministro está igualmente, o ex-Presidente Cavaco Silva, nomeadamente por causa do caso das escutas a Belém, em 2009.

Este assunto foi retomado com o lançamento do livro de Fernando Lima, ex-assessor de Cavaco Silva, que afiança na obra “Na Sombra da Presidência” que Sócrates mandou espiar Belém.

Sócrates reage salientando que “Cavaco Silva planeou uma inventona contra um governo com vista a prejudicá-lo e a deitá-lo abaixo a poucos dias das eleições”.

“Ele [Fernando Lima] foi ter com um jornalista, inventou uma história segundo a qual estava a ser vigiado, sem nenhuma base, o jornalista foi cúmplice dessa inventona das escutas e fizeram isso com um objectivo político“, destaca Sócrates na TSF, realçando que o ex-assessor assume no livro que agiu “a mando” de Cavaco.

“O Senhor Presidente da República e os jornalistas decidiram construir essa história com o objectivo de prejudicar o governo que estava em funções, de me prejudicar a mim pessoalmente e impedir-me de ganhar as eleições que acabei por ganhar em 2009″, acrescenta Sócrates.

“Insinuação covarde e torpe”

Depois de ter acusado o juiz Carlos Alexandre de “abuso de poder”, no seguimento da entrevista à SIC do responsável pela Operação Marquês, em que Sócrates é arguido, o ex-primeiro-ministro volta a acusá-lo de imparcialidade e diz que fez uma “insinuação gravíssima” e “absurda e estapafúrdia”.

Referindo-se à declaração de Carlos Alexandre que disse não ter “dinheiro em nome de amigos” e considerando que o visa directamente, Sócrates sublinha que “se alguma coisa está provada no processo, é que essa acusação é falsa“.

“Foi uma insinuação covarde e torpe que o senhor juiz fez a meu respeito”, constata ainda o ex-governante, realçando que Carlos Alexandre “faltou e falhou aos seus deveres”.

“Fê-lo sem haver acusação, sem haver julgamento, abusou do seu poder, ultrapassou todas as fronteiras“, salienta.

Investigação concentrada nos negócios da PT

Alvo das críticas de Sócrates é ainda a Procuradora Geral da República, Joana Marques Vidal, que acusa de “cinismo” depois de ter anunciado o adiamento do processo por mais seis meses.

Um adiamento justificado com o aparecimento de “novos factos” e “indícios” e que vai fazer com que a investigação da Operação Marquês passe a “concentrar atenções” em negócios da Portugal Telecom (PT) e nas suspeitas de que Sócrates teve dedo nesses processos e que terá “recebido comissões” nesse âmbito, conforme avança o Diário de Notícias.

O jornal cita um relatório de 146 páginas dos inspectores tributários Paulo Silva e Pedro Tinoco e frisa que os investigadores vão analisar casos como a OPA da Sonae, a venda da participação na brasileira Vivo à espanhola Telefónica e a posterior entrada da Oi, com olhos focados também no envolvimento do Grupo Espírito Santo (GES) e nomeadamente, no “papel” do seu chamado “saco azul”, a empresa ES Enterprises com sede no Panamá.

SV, ZAP

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