O PSD é “um enigma” e “está desaparecido em combate”

No seu habitual espaço de comentário da SIC, Luís Marques Mendes criticou a atuação do PSD no período após as eleições europeias e os planos que o programa eleitoral do PS apresenta aos trabalhadores da função pública.

“Este PSD é um enigma. Está desaparecido em combate. É um vazio de ideias”, aponta. O comentador da SIC lembra que o país precisa de uma boa oposição, sobretudo numa altura em que o PS se prepara para apresentar o seu programa eleitoral. O comentador rotula de “disparate autêntico” a ideia apresentada pelo PSD de os votos brancos ou nulos contarem como cadeiras vazias na Assembleia da República.

Devido à ausência de Rui Rio, e “como a política tem horror ao vazio”, já há quem se esteja a preparar para o suceder, de acordo com o comentador. É o caso de Jorge Moreira da Silva, que deu uma entrevista televisiva a marcar posição para outubro; Pedro Duarte, que apresenta esta segunda-feira o seu Manifesto X, com 10 metas e uma centena de medidas; e Luís Montenegro.

Marques Mendes realça que os sociais-democratas deviam pelo menos reagir ao pacote eleitoral anunciado pelos socialistas, que favorece a função pública. Já sobre estas propostas, Marques Mendes elogia a iniciativa política dos socialistas e o seu profissionalismo, numa altura em que se aproximam as eleições legislativas: prometem mais funcionários públicos, melhores salários no Estado e mais investimento no setor público.

No entanto, faz uma análise negativa: “Uma vez mais, o PS divide o país em dois: o da função pública e o do setor privado, que é desprezado.” Mendes salienta que a função pública continua a ter regalias que não são acompanhadas no privado, como os horários, o salário mínimo, a proteção à saúde ou os despedimentos.

Marques Mendes comentou o facto de os funcionários públicos serem autorizados a faltar ao trabalho para acompanhar os filhos no primeiro dia de escola. “Acho muito bem”, começou por dizer o comentador. “Mas porque é que não foi aprovado para todos os trabalhadores? Porque é que há uns de primeira e de segunda. Uns são filhos e enteados. Isto é escandaloso”, termina.

Para Marques Mendes, o programa do PS “é a prova do erro brutal que foi a reversão das 35 horas”, pelo facto de prever um aumento no número de funcionários públicos. “Três anos depois, o PS reconhece o erro da lei das 35 horas, porque menos horas de trabalho exige mais trabalhadores. Acrescentando mais despesa fixa em tempo de menos economia”, analisa.

O comentador destaca as últimas três operações da Polícia Judiciária em que vários presidentes e ex-presidentes da câmara foram constituídos arguidos. “As coisas estão a mudar nas investigações judiciais. São mais frequentes e mais assertivas.” Se antes estavam direcionadas para o poder central, agora “há preocupações” com o poder local.

Marques Mendes salienta o caso de Álvaro Amaro, um “dinossauro” do PSD que foi recentemente eleito nas listas europeias do partido. “Álvaro Amaro deveria prescindir da imunidade parlamentar para que a Justiça possa atuar”, defende. Porém, estranha que que os sociais-democratas ainda não tenham falado sobre o assunto. “Gostava de ver declarações do PSD.”

Luís Marques Mendes fez elogios rasgados ao secretário-geral da ONU, António Guterres, que foi capa da revista “Time”, a pretexto das alterações climáticas. “É uma campanha fantástica, uma foto genial, uma capa que vale por milhões de discursos e não deixa ninguém indiferente.”

Os secretários-gerais das Nações Unidas não têm um poder efetivo. Mas Guterres usa o poder simbólico do cargo que ocupa “com inteligência”.

Mendes falou ainda sobre a polémica em torno do ex-governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio. “Não tem razão ao ameaçar processar os jornalistas porque ninguém pôs em causa a sua idoneidade mas sim a sua eficácia.”

Afirma ainda que Constâncio não é um vítima neste caso que envolve o Banco de Portugal, o BCP e o empresário Joe Berardo. “O país é que é vítima.” O comentador tem esperança que, na próxima terça-feira, o economista esclareça os deputados sobre a sua intermediação com o BCP, na altura em que liderava o Banco de Portugal.

Sobre a lei de bases na saúde, Marques Mendes é taxativo: “Não vamos ter nova lei na saúde. Ou chumba no parlamento ou em Belém.”

ZAP //

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