“Presos políticos”. Detidos dois líderes de grupos independentistas na Catalunha

Alberto Estevez / EPA

Os líderes das duas principais associações independentistas da Catalunha, acusados de sedição (sublevação pública para impedir o cumprimento da lei), foram esta terça-feira colocados em prisão domiciliária por uma juíza da Audiência Nacional espanhola, indicaram fontes judiciais.

O presidente da Assembleia Nacional Catalã (ANC), Jordi Sánchez, e o presidente da Òmnium Cultural, Jordi Cuixart, que foram pela segunda vez presentes a tribunal, numa instância encarregada dos assuntos de segurança nacional, são acusados de sedição, por “promoverem” o ataque à Guardia Civil a 20 de setembro, durante uma operação para impedir o referendo de 1 de outubro, sobre a independência da Catalunha.

A juíza Carmen Lamela tomou esta decisão em ata, a pedido do Ministério Público, depois de ter rejeitado outro pedido, o de enviar para a prisão pelos mesmos factos o dirigente da polícia regional catalã, os Mossos d’Esquadra, Josep Lluis Trapero, a quem impôs medidas de coação mais leves.

O chefe da polícia da Catalunha fica obrigado a apresentar-se quinzenalmente e proibido de se deslocar ao estrangeiro. Apesar de não ter atendido o pedido do MP, a juíza advertiu o major Trapero que se não cumprir as medidas cautelares agora anunciadas arrisca-se a que estas possam ser agravadas.

Antes do líder da polícia regional, a juíza já tinha deixado sair em liberdade a intendente da polícia regional da Catalunha, Teresa Laplana, com as mesmas condições: apresentações quinzenais obrigatórias, entrega do passaporte e proibição de sair de Espanha. No caso da intendente, o Ministério Público tinha pedido prisão com fiança de 400 mil euros.

Sánchez e Cuixart, aos quais a juíza atribui o papel de “promotores e dirigentes” das concentrações em frente a instalações do ministério da Economia do governo regional catalão, em Barcelona, impedindo durante horas a saída de agentes da polícia nacional que efetuavam buscas, são os únicos dos quatro investigados por sedição neste caso que foram colocados em prisão domiciliária.

O porta-voz do governo regional da Catalunha qualificou esta decisão, na segunda-feira à noite, como uma “provocação do Estado espanhol”. “O Estado está a provocar (…), mas as pessoas não caem na provocação”, afirmou Jordi Turull, acrescentando compreender a “indignação” quando os dois dirigentes apenas apelaram para a realização de manifestações pacíficas.

“Espanha aprisiona os dirigentes saídos da sociedade civil por terem organizado manifestações pacíficas. Temos de novo, tristemente, presos políticos“, declarou também, na sua conta no Twitter, o presidente do Governo catalão, Carles Puigdemont.

Várias manifestações são esperadas hoje na Catalunha para protestar contra a prisão domiciliária dos dois importantes responsáveis independentistas. “Apelamos à sociedade catalã a manifestar-se, evidentemente, de forma pacífica”, disse aos jornalistas o secretário-geral da associação independentista Omnium Cultural, Jordi Bosch.

Madrid avançou com um novo prazo a Puigdemont, que termina esta quinta-feira de manhã, para que renuncie a declarar a independência da região.

ZAP // Lusa

PARTILHAR

RESPONDER

Rio acusa Governo de falhar preparação da 2.ª vaga (e alerta que a economia pode voltar a parar)

O presidente do PSD, Rui Rio, acusou esta quarta-feira o Governo de falhar na preparação da resposta à segunda vaga da pandemia da covid-19, alertando que a economia pode voltar a parar mesmo sem decisão …

Costa descarta confinamento ou cercas sanitárias em Paços de Ferreira, Lousada e Felgueiras

O primeiro-ministro, António Costa, disse esta quarta-feira que não estão em cima da mesa cercas sanitárias ou confinamentos em Paços de Ferreira, Lousada ou Felgueiras, concelhos do distrito do Porto onde o número de novas …

Espanha supera um milhão de infetados. França pondera estado de emergência até fevereiro

Espanha ultrapassou esta quarta-feira um milhão de infetados por covid-19, no mesmo dia em que o Governo francês admitiu estar a ponderar manter o estado de emergência até fevereiro e algumas medidas até abril. Espanha …

Há 49 escolas com surtos ativos de covid-19

Cerca de meia centena de escolas têm surtos ativos de covid-19, avançou esta quarta-feira a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, que fez um balanço positivo das primeiras semanas de aulas. "Neste momento, estão ativos 49 surtos …

Índia pode atingir os 600 milhões de casos de covid-19 em fevereiro, dizem especialistas

Mais de 600 milhões de indianos, mais da metade da população do país, provavelmente serão infetados com o novo coronavírus até fevereiro de 2021, segundo um painel de especialistas que aconselha o Governo do país. Segundo …

Ficheiro apreendido a Rui Pinto tinha número de telemóvel da procuradora

Um ficheiro de um dos dispositivos apreendidos ao criador do ‘Football Leaks’, Rui Pinto, contém o número de telemóvel da procuradora do Ministério Público (MP) envolvida no julgamento, Marta Viegas, confirmou a própria na 15.ª …

Rio anuncia vota contra no OE. "O PSD é mais responsável na oposição do que o PS no Governo"

O presidente do PSD anunciou esta quarta-feira o voto contra do partido na proposta de Orçamento do Estado para 2021, dizendo que esse é “o único voto coerente” e porque outra votação nem sequer “evitaria …

"A pandemia derrubou-me." "Pepe" Mujica, ex-Presidente do Uruguai, abandona a política

O ex-presidente uruguaio José "Pepe" Mujica disse que continuará a ser "conselheiro" dos companheiros de partido. José "Pepe" Mujica, ex-Presidente do Uruguai, renunciou esta terça-feira ao seu lugar no Senado e abandonou definitivamente a política ativa. …

Milhares de reclusos na Nigéria fugiram depois de invasões a prisões

De acordo com as autoridades nigerianas, cerca de 2000 presos fugiram de prisões na Nigéria, após os locais terem sido invadidos por multidões. Foi imposto um recolher obrigatório em resposta à agitação resultante de duas …

Manuel Maria Carrilho absolvido pela terceira vez do crime de violência doméstica

O ex-ministro Manuel Maria Carrilho foi esta quarta-feira novamente absolvido do caso de violência doméstica em que era suspeito de ter agredido a apresentadora de televisão Bárbara Guimarães. Em comunicado Manuel Maria Carrilho explica que o …