Presidente da Câmara Pedrógão nega fraude mas já admite “declarações erradas”

António José / Lusa

O presidente da Câmara Municipal de Pedrogão Grande, Valdemar Alves

O presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, admitiu hoje que podem existir casos de habitações não permanentes reconstruídas com apoios, ponderando avançar com um processo interno.

“Admito que se venha a provar que uma ou outra poderão não ser [de primeira habitação]”, disse Valdemar Alves, que falou aos jornalistas antes de entrar para a autarquia, onde a PJ terminava as buscas relacionadas com as suspeitas de irregularidades na reconstrução de casas afetadas pelo incêndio de Pedrógão Grande, em junho de 2017.

Valdemar Alves referiu ainda que “poderá haver algumas declarações erradas” nos processos de reconstrução.

Apesar de admitir que possa haver casas de habitação não permanente a serem reconstruídas como de primeira habitação, no passado, Valdemar Alves frisou, por diversas vezes, que todas as casas reconstruídas eram de primeira habitação.

Questionado pelos jornalistas, voltou, no entanto, a reafirmar que não acredita que este seja um caso de fraude ou de desvio de fundos e reiterou que todas as casas reconstruídas arderam com o incêndio.

O município de Pedrógão Grande congratulou-se com a celeridade que o Ministério Público  e a Polícia Judiciária concederam aos inquéritos judiciais sobre os apoios à reconstrução de casas ardidas no concelho.

De acordo com a SIC, que cita um comunicado da autarquia, a Câmara de Pedrógão afirma afirma que as buscas foram pedidas pelo próprio município no âmbito dos processos judiciais em curso, acrescentando que Valdemar Alves acompanhou e colaborou com as diligências.

O presidente da autarquia nega demitir-se e garante que até ao momento ninguém foi constituído arguido no processo, garantindo estar preparado caso isso venha a acontecer.

Arquivos, computadores e telemóveis apreendidos

Segundo o autarca, os inspetores da PJ, nas diligências que fizeram na Câmara Municipal de Pedrógão Grande e na Casa da Cultura do município, verificaram arquivos, computadores e telemóveis. De acordo com a SIC, foram ainda acedidos centenas de e-mails relacionados com a autarquia.

“Em boa hora vieram”, disse, referindo-se aos inspetores da PJ que fizeram as buscas.

Em declarações aos jornalistas, o autarca referiu ainda que está a ponderar avançar com um processo interno para averiguar se houve irregularidades administrativas no processo de reconstrução por parte do município.

Apesar de estar “tranquilo” e depositar “total confiança” no ex-vereador Bruno Gomes, que chefiava a equipa, e nos restantes técnicos envolvidos no processo, referiu que está a ponderar avançar com um processo interno.

“Se houver irregularidades que se apontem, aí sim. Confiei nas pessoas, eu não ia ao terreno, se alguém ultrapassou os limites com certeza que tem que ter processo disciplinar”, frisou Valdemar Alves.

Sobre se o processo será instaurado apenas depois de o Ministério Público chegar a alguma conclusão, Valdemar Alves referiu que poderá avançar, entretanto, até porque tem sido aconselhado a fazer isso.

“Continuo a acreditar nas casas serem efetivamente de primeira habitação, mas admito que seja surpreendido nos meus inquéritos”, disse, referindo que, talvez, vá “matar saudades” e “fazer de investigador” (o autarca é ex-inspetor da PJ).

“Chegando a uma certa idade voltamos à idade de putos outra vez e sou um homem que acredita, mas estou a ver que não posso acreditar”, frisou, apesar de vincar que continua com “a esperança de que se possa acreditar uns nos outros”.

Na segunda-feira, o presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, tinha afirmado que todas as casas reconstruídas são de primeira habitação e que não há nenhuma ilegalidade.

Apesar dessas afirmações, admitiu aos jornalistas que não consultou nenhum dos processos de reconstrução: “Eu confio nas pessoas que processaram todos os processos e elaboraram os processos”, disse, no final da Assembleia Municipal.

Em causa estão denúncias feitas em duas reportagens, uma da Visão e outra da TVI, que aludiam a situações de compadrio na atribuição de fundos para a reconstrução de habitações.

As duas reportagens referiam que casas que não eram de primeira habitação foram contempladas com obras em detrimento de outras mais urgentes e também que casas que não arderam foram reconstruídas com fundos solidários.

A presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, Ana Abrunhosa, enviou para o Ministério Público 21 processos para análise. Também o autarca já tinha referido que enviou para análise do MP um conjunto de processos, sem especificar quantos.

O grande incêndio que deflagrou em 17 de junho de 2017, em Escalos Fundeiros, concelho de Pedrógão Grande, e que alastrou depois a concelhos vizinhos, provocou 66 mortos e 253 feridos, sete deles com gravidade, tendo destruído cerca de 500 casas, 261 das quais eram habitações permanentes, e 50 empresas.

ZAP // Lusa

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7 COMENTÁRIOS

  1. A culpa é sempre dos outros, quem não tinha direito e aldrabou os documentos são todos uns santinhos.
    Eu lembro-me das televisões com reportagens a dizer que não se fazia nada, que os incêndios já tinham acontecido à 10 dias e continuava tudo na mesma , que era só burocracias , pediam era papéis para avançar com os processos, incluindo essa senhora que é da comissão de utentes e tambem o Sr. Presidente da Republica a D. Cristas etc.
    Se a senhora da comissão de utentes, sabia tanto, porque é que não fez a denuncia quando começaram a construir o que segundo ela seria ilegal e deixou passar o tempo até ao final?
    Qual o interesse politico dela? Não esquecer que pertence ao CDS

  2. Não digas mais! De cambalhota em cambalhota na escolha partidária e logo quando o concelho estava no caos, logo desconfiei da seriedade política e profissional, mais me parecia já oportunismo do que colaboracionismo.

  3. Ena que isto afinal e coisa e tal havia aí uns dinheiros e o camandro e o pessoal juntou-se… e depois… o que é preciso é desenvolvimento… é preciso que o país e o concelho vão para a frente… e com os dinheiros que aí havia… podíamos pôr isto a andar, e prontos, juntámo-nos aí num tasco a beber uns tintois e a comer uns chouriços e depois telefonámos aí a uma malta que é cá da terra e… mora por… aí… mas também podem morar aqui… e enquanto se comia o chouriço e se bebia um tinto, esforçámo-nos pelo concelho e pelo seu desenvolvimento… trouxemos novos residentes, com vontade mas sem dinheiro para investir e investimos por eles… e forjámos aí umas coisas para que o pessoal já cá vivesse mesmo antes de para cá vir e umas casas que nem nunca existiram passaram a existir…e onde o fogo não chegou chegámos nós com a nossa vontade e visão e tudo isto em torno de um chouriço e meia dúzia de garrafas de tinto… nunca um autarca fez tanto em tão pouco tempo por um concelho… vou mesmo mudar o nome da principal avenida do concelho para avenida do chouriço, isto é, avenida valdemar alves, o visionário

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