“É precipitado desconfinar já o país todo”. Peritos defendem reabertura por regiões

Manuel de Almeida / Lusa

A ideia de levantar as medidas de restrição a várias velocidades não é nova, mas parece ser mais provável depois de, este domingo, a ministra da Saúde ter tornado conhecidos dois valores que poderão ser determinantes para a estratégia de levantamento das medidas do estado de emergência.

Os fatores a ter em conta aquando da decisão do levantamento das medidas do estado de emergência são os valores de R0 e Rt.

O valor de R0 “mede o número de contágios que acontecem quando a doença tem condições ideais” para se disseminar, sem qualquer medida de confinamento ou contenção. Portugal tem um R0 de 2,08.

Já o Rt passa a ser relevante depois de aplicadas as medidas para conter a propagação da doença quando o “número médio de contactos que um infecioso tem começa a diminuir”. Esse valor situa-se em 1,04.

Com este valor ainda está longe do zero e continua acima de 1, a pandemia não está a abrandar. Porém, aponta-se o início de maio para o levantamento das restrições e até já há uma poddível data para o regresso às escolas.

Tendo em conta estes fatores, a possibilidade da abertura de Portugal a várias velocidades parece ser mais plausível. O primeiro-ministro, António Costa, já tinha falado desta hipótese, em declarações ao Observador, explicando que tal se devia à assimetria que se verificava no país e na população, aplicando-se então várias velocidades na abertura.

De acordo com Manuel Carmo Gomes, professor de epidemiologia na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, ouvido pelo jornal Público, “é um bocadinho precipitado desconfinar já o país todo, porque o R não está num valor nada confortável”.

“No entanto, quando olhamos para o mapa de Portugal e vemos o número de casos ou de mortes, vê-se sempre que o país é muito diferente”, apontou. “Na minha opinião, devíamos fazer isso assimetricamente. Isto é, começando pelas regiões onde parece ser menos arriscado estar a aliviar”.

Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, disse ao Público que, além de “uma retoma faseada e gradual” por regiões, o processo pode também incluir diferentes atividades.

Pedro Simas, virologista do Instituto de Medicina Molecular de Lisboa, afirmou ao Público que “o aumento do número de casos já não está em fase exponencial”, sendo também “impossível impedir por completo a interação das pessoas”.

Esta terça-feira, o Presidente da República, o primeiro-ministro, representantes de partidos e parceiros sociais reúnem-se, em Lisboa, com especialistas para analisar a situação epidemiológica da covid-19, antes de o Governo anunciar as medidas de “reabertura” do país.

Após mais de cinco semanas de estado de emergência, em vigor desde 19 março, Costa afirmou, na segunda-feira, que os setores da economia que vão retomar a atividade no dia 4 de maio e nas quinzenas seguintes só serão definidos no Conselho de Ministros de quinta-feira.

Além disso, as decisões serão cautelosas, mas “se as coisas começarem a correr mal” com a pandemia serão dados “passos atrás” nas medidas de desconfinamento.

O estado de emergência termina este sábado e o Governo está a ponderar decretar o estado de calamidade pública, ao mesmo tempo em que se preparam o fim das restrições de confinamento gradualmente.

ZAP // Lusa

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9 COMENTÁRIOS

  1. O País precisa de voltar ao activo (que nunca mais será o que já foi, infelizmente). Mas para que isso aconteça sem grandes sobressaltos sanitários, o Governo tem de ter MÃO DE FERRO e não pode agir como até aqui, parecendo temer assustar o povo ou receando afrontar os limites constitucionais.
    O problema pandémico é bem mais grave do que o que parece. Mas grande parte da população ainda não se apercebeu disso. Os incautos estão em todo o lado. Surgem situações passiveis de configurar crime e outras que até não ficam longe de terrorismo.
    Se o Governo não estiver atento e os Órgãos próprios não actuarem como se impõe, é de recear o pior. E se essa desgraça acontecer, muita coisa mais poderá vir a de cima…

    • O problema é bem menor do que parece, começou com as noticias alarmistas e infectou uma sociedade que acha que pode ficar em casa meses a fio sem consequências.

      O Virus tem (de acordo a OMG) uma taxa de mortalidade de 4%, bem menor que outros virus.
      É no entanto inegável que a velocidade de contagio é bem superior da maioria dos virus o que o torna muito mais eficaz (que o governo).

      Se fizerem uso da memória, mesmo que seja curta, a quarentena foi colocada para atrasar a propagação do virus de forma a que o SNS se preparasse, como se viu com as centenas de ventiladores encomendados e as milhares de camas em hospitais de campanha (ou militares) em todo o país.
      Espera afinal ninguém se preparou não se colocaram mais camas e adicionamos uns 500 ventiladores 1/3 por doação.

      No entanto gastou-se rios de dinheiro em manter a economia ligada a um ventilador defeituoso e que agora começa a falhar.

      Está agora na altura de a sociedade se mentalizar que muitos de nós vamos morrer, é inevitável, não se diz que estamos em uma guerra contra um inimigo invisível, Então esta na altura de trazer um general (não me importaria com Ramalho Eanes) e assumir que vamos ter baixas de guerra e ao invés de andarmos a passear de cravos na mão em campo de batalha (ou escondidos e acobardados no sofa) e enfrentar um inimigo que mata sem piedade.

      Acabem com a palhaçada da remoção de direitos e liberdades, paremos de pagar a pessoas para estarem em casa e a empresas para não laborar e passemos ao ataque, invistam tudo no SNS e nesses profissionais que são os verdadeiros militares a dar o corpo ao virus, criemos condições, mais camas, mais ventiladores e devolvamos ao povo a liberdade.
      Tal como em qualquer outra guerra vamos ter baixas, mas o mundo segue a girar e nós seremos melhores. Ou então para que raio o Afonso andou a porrada com toda a gente.

      • “Está agora na altura de a sociedade se mentalizar que muitos de nós vamos morrer, é inevitável,…”
        Eu diria melhor: todos nós vamos morrer. Não sabemos é quando, nem como, nem de quê.
        Passe bem e confine-se!

      • Caro Paulo L – Farto de cobardes
        Não é perceptível o significado que atribui ao aposto ao seu nome – Farto de cobardes – nem se através dele pretende chegar a alguém.
        Quanto ao seu comentário, é mais um revelador de uma parte significativa do pensamento que vai por aí, obeso de confusão, parecendo até falho de noções básicas de cidadania e de sentido de responsabilidade ante a sociedade de que, creio, faz parte.
        Não vale a pena abordar tudo o que aqui deixou. Mas sobressai a frase «Acabem com a palhaçada da remoção de direitos e liberdades, paremos de pagar a pessoas para estarem em casa e a empresas para não laborar e passem ao ataque, invistam tudo no SNS (…) e devolvamos ao povo a liberdade».
        Perante estas suas palavras fica-se com a impressão de que o Paulo L ainda é novo, o suficiente para não saber em que consistem “Direitos” em sociedade e não ter a noção da verdadeira liberdade.
        Depois nem terá pensado que, por muito bem apetrechado que o SNS esteja, se a população andar à balda não haverá SNS que lhe valha.
        Caro Paulo, seria óptimo para todos nós se o seu modo de ver a questão estivesse certo, mas infelizmente não está.
        CUIDE-SE!

        • Caro Sergio,

          Em primeiro lugar, farto de cobardes, porque é dessa forma que estamos a abordar todo este processo, com cobardia política de tomar decisões difíceis e complicadas de entender pela maioria da sociedade.
          Falamos de guerra, mas temos medo de assumir que se vai morrer (como em qualquer guerra).

          Segundo, não, não sou assim tão jovem, gostaria, mas digamos que já não me podem chamar ao activo militar, mas posso-lhe dizer que enquanto militar estive colocado em cenários de guerra e vi morrer alguns amigos de armas.

          Terceiro, não existem dados que suportem a ideia de que a remoção dos direitos de um indivíduo é a melhor solução. Basta olhar para o numero de mortos por países (tendo em conta a dimensão de cada pais)

          Finalmente, O estado de emergência era para dar tempo ao SNS de se preparar, acha que os 76 milhões gastos é sufeciente para proteger quem “está na linha da frente” e criar mais camas e meios para atender um elevado numero de doentes?

          Perdemos o foco, e tivemos de colocar a economia em ventiladores que custam e vão costar bem mais caro que os 76 milhões investidos no SNS e no entanto continuam a morrer pessoas, e agora vem ai a segunda vaga.

  2. Por mim abria o país todo à exceção da grande lisboa e grande porto.
    O resto ia tudo bombar para o Algarve. Mais nada

    • Isto vai dar barraca e da grande ! O poder da economia põe o preservar da vida, num bolso. E os governantes a alinhar na jogatana ! Pudera, o cofre estatal já está abaixar. Agora é altura de entrar em cena, o do costume, de nome Centeno.

    • Os portugueses, enclausurados, a cumprir com um rigor exemplar, as determinações governativas, e a corja desavergonhada vai precisamente fazer o contrário do que exige aos portugueses. Que exemplo é este ? Isto ficará para a história dos gestos mais miseráveis dos governantes portugueses – num tempo de enorme apreensão, onde tantos portugueses perderam e continuam a perder a sua vida. Cada um de nós que actue em função do seu raciocínio, porque de contrário poderá haver uma desgraça.

  3. O presidente da República é um tipo inteligente, mas politicamente é de uma pobreza franciscana. Chega a ser ridículo, o seu encosto constante ao indiano Costa. Por vezes dá ideia de que o homem padece e oculta alguma questão de saúde, talvez do foro mental. Quantas vezes ele passa a ideia de ser um verbo de encher. Por isso é que ele desde início apostou no populismo, como beijos, abraços e selfies, para encobrir a sua limitação política. O povo, desatento, chama-lhe carinho ou afeto. Assim nem cartazes nem comícios precisa.

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