Risco de um doente contaminar outras pessoas subiu. 30% foi infetado em casa

Mário Cruz / Lusa

A média de infetados por cada doente subiu de 0,95% para 1,04% no país, em função do tempo, o que levou a ministra da Saúde a apelar este domingo a uma maior adaptação dos cidadãos a viver com a pandemia.

Olhando para o período de 16 a 20 de abril, este risco de transmissão ao longo do tempo subiu um bocadinho”, disse Marta Temido em conferência de imprensa, dando conta que da última vez em que abordou o assunto esse risco era de 0,95%.

Na ocasião, o risco de um infetado contaminar várias pessoas “não era muito divergente nas várias regiões de saúde, enquanto agora é de 0,99 na região Norte, 1 no Centro e 1,2 em Lisboa e Vale do Tejo”, especificou.

“Uma vez mais apelo para que nesta semana, que vai ser a nona depois do início do surto, tenhamos paciência, disciplina e capacidade de nos adaptarmos àquilo que é viver com a infeção”, alertou a ministra.

O indicador (designado por “RT”) é referente ao número médio de casos secundários de contaminação por cada pessoa infetada e é calculado à medida que a pandemia avança no tempo. Estando a média em 1,04% significa que uma pessoa infetada contagia outra.

Perto de 30% de uma amostra de 2958 casos confirmados entre os dias 18 e 24 de abril contraíram o vírus em casa e 25% em instituições coletivas, como lares, instituições particulares de solidariedade social, hostels ou empresas, anunciou Marta Temido.

“Em cerca de 30% dos casos em que foi identificada a transmissão esta ocorreu no local de habitação”, afirmou a ministra. Temido frisou que 9% dos casos referiam contacto com amigos e familiares que não habitavam na sua residência.

A governante sublinhou que “a doença não está ultrapassada, mantém-se a necessidade do cumprimento escrupuloso das medidas de saúde pública”, destacando o distanciamento social, a etiqueta respiratória, a higienização e o uso de máscara em espaços fechados e com número significativo de pessoas.

Marta Temido declarou que “não haverá um regresso à normalidade” tal como se conhecia e é necessário “aprender a viver com a doença até que a vacina ou tratamento eficaz sejam identificados”.

As autoridades de saúde estimam que o pico das infeções terá ocorrido entre 23 e 25 de março, assim como a sua incidência.

Na conferência de imprensa, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, explicou que, ao longo das várias fases da pandemia, vai haver um “abrandamento” dos vários indicadores, mas não “uma recuperação para zero”.

A fase de recuperação vai ser atingida quando existiram “níveis mais baixos”, “não sabemos o tempo que vai demorar”, prevendo a possibilidade de surgirem “novas ondas” de infeção e uma vigilância rigorosa até surgir uma vacina.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 200 mil mortos e infetou mais de 2,9 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Perto de 800 mil doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 903 pessoas das 23.864 confirmadas como infetadas, e há 1.329 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

ZAP // Lusa

 

 

 

 

 

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1 COMENTÁRIO

  1. Enquanto não obrigarem que toda a gente na via pública e superfices cobertas ter que andar de mascaras ou viseiras, continuará o contagio e contagiar outros.
    É a verdade, se nada for feito o covid 19 continuará e cada vez mais infectados…

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