Praia de Fukushima reabre ao público oito anos depois do acidente nuclear

Este fim de semana, e pela primeira vez depois da catástrofe nuclear de Fukushima-1, os japoneses puderam voltar a nadar numa das praias da cidade afetada pelo terramoto e tsunami de 2011.

De acordo com o The Japan Times, trata-de da praia de Kitaizumi, na cidade de Minamisoma, situada na costa do Oceano Pacífico, a apenas 25 quilómetros das ruínas da central nuclear destruída.

Depois de aberta, a praia encheu com o barulho de crianças que aplaudiam. “Fiquei aliviado ao ver a praia cheia de pessoas”, disse Saki Yamaki, uma residente de Minamisoma de 29 anos, que visitou a praia com membros da sua família.

Testes conduzidos pelo governo de Fukushima em maio confirmaram que a quantidade de radiação no ar e a qualidade da água na praia eram idênticas às registadas antes do desastre.  Os preparativos para a reabertura da praia incluíram a construção de um paredão e um parque público.

Kitaizumi é um lugar bem conhecido entre os surfistas e a Associação Profissional de Surf do Japão até organizou uma competição no mesmo dia da reabertura da praia. Também foi realizado evento de voleibol.

Após o desastre nuclear em Fukushima Daiichi, desencadeado por um maremoto em março de 2011, o Japão reduziu o parque nuclear de 54 para 42 unidades, compensando esta redução com a exploração de centrais térmicas e um pequeno aumento na quota da eletricidade a partir de fontes renováveis de energia.

Aproximadamente 52 mil pessoas continuam ainda deslocadas devido àquele que foi o segundo pior acidente nuclear de sempre, depois do desastre de Chernobil, na Ucrânia, em 26 de abril de 1986.

A onda gigantesca criada pelo violento de sismo de 9,0 de magnitude em 11 de março de 2011 submergiu as instalações, a eletricidade foi cortada, os sistemas de arrefecimento do combustível nuclear pararam, levando à fusão do combustível do núcleo de três dos seis reatores. As explosões de hidrogénio destruíram parte dos edifícios de Fukushima Daiichi. Só em maio de 2011, dois meses depois do acidente, a TEPCO usou a expressão “fusão do núcleo” do reator.

Mais de um milhar de enormes reservatórios guardam importantes quantidades de água, em parte contaminada, à qual ninguém sabe ainda o que fazer. As autoridades nucleares japonesa e internacionais continuam a considerar o lançamento no mar.

Serão precisas pelo menos quatro décadas para desmantelar esta central, situada a pouco mais de 200 quilómetros a nordeste de Tóquio, com tecnologias que, na maioria dos casos, ainda estão por inventar.

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