Operação Marquês. Defesa de Sócrates diz que procurador promoveu um julgamento na rua

António Cotrim / Lusa

Pedro Delille, advogado de José Sócrates.

A defesa do ex-primeiro-ministro José Sócrates acusou hoje o procurador da Operação Marquês, Rosário Teixeira de ter ambicionado um julgamento na praça pública, alegando que a acusação não tem sustentação e está “cheia de ilegalidades”.

Lamentando que o procurador Rosário Teixeira não esteja hoje presente no debate instrutório da Operação Marquês, que decorre hoje em Lisboa, o advogado Pedro Delille considerou, na sua contestação, que o magistrado do Ministério Público (MP) desistiu da acusação e que jogou a toalha ao chão em relação a José Sócrates, tendo-se refugiado “em conceitos vazios de personalidade, de moralidade para fingir que havia indícios fortes” dos crimes que são imputados aos ex-primeiro-ministro.

“O senhor procurador [Rosário Teixeira] ambiciona um julgamento na rua para José Sócrates, aliás já nem sequer quer julgamento, quer sim abafar a decisão jurisdicional e ganhar na secretaria”, afirmou Delille, reiterando que a acusação não é sustentada e que, no debate instrutório, o MP gastou “menos de 15 minutos a falar sobre a acusação a José Sócrates”.

“O procurador envolveu este processo numa teia tão grande de ilegalidades que dá a impressão de querer ganhar na secretaria”, sustentou o advogado, lamentando que o MP não tenha apresentado conclusões na fase do debate.

Um “empréstimo não é um crime”, realçou o advogado de Sócrates. “Se está bem ou mal de acordo com o catecismo do procurador não nos cumpre a nós analisar”, acrescentou.

As alegações iniciais da defesa centraram-se nas criticas ao procurador Rosário Teixeira, do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), “o grande mentor da acusação”, acusando-o de se refugiar em ilusionismos “paria fingir que havia indícios” contra Sócrates e deixando a crítica de o MP “não ter apresentado conclusões” na fase de debate.

“Estamos aqui para elencar sobre a suficiência ou insuficiência dos argumentos da acusação. O debate instrutório serve mesmo para isso, segundo a lei”, explica o advogado, citado pelo jornal ECO. “Temos no fundo que saber se os indícios da acusação se mantiverem ou foram provados em audiência”.

“Esperava que tivessem reconhecido que havia prova zero e que pedissem a não pronuncia, ou que sustentassem aqui a atuação formulada, mas não fizeram uma coisa nem outra”, lamentou.

De acordo com o Observador, Sócrates foi questionado sobre estadias no Algarve, sobre a relação com o Grupo Lena e o TGV e a sua expansão internacional para Angola e para a Venezuela. “Que credibilidade tem uma acusação destas? Bastaria ir ao Google”, respondeu o ex-primeiro-ministro, sustentando as suas declarações com agendas de cada um desses anos.

José Sócrates está acusado de três crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documentos e três de fraude fiscal qualificada. São 28 os arguidos no processo que ganhou o nome de Operação Marquês, 19 dos quais pessoas singulares e os restantes empresas.

No seu depoimento na fase de instrução, José Sócrates reiterou que a acusação é “monstruosa, injusta e completamente absurda”.

ZAP // Lusa

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3 COMENTÁRIOS

  1. Acabem já com tudo isto. Peçam desculpa ao ladrão, façam-lhe uma estátua ao cimo do Parque Eduardo VII… (isso já não é preciso, a que lá está já é bem alusiva ao facto do país ter sido f$%&#), deem-lhe o nome do novo aeroporto do Montijo, metam-lhe mais umas notas no cofre da mãe… a título de indeminização e recebam-no no próximo 10 de junho a fim de o condecorar com a grande ordem do carvalho que os toda a fodos.

  2. Esse Pedro Delille , que diga mas é quanto é que já cobrou ao 44 pelos honorários na tentativa de o branquear perante a justiça .

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