Nem todos os ministros têm prioridade na vacinação. Ferro Rodrigues revela ordem da Assembleia da República

André Kosters / Lusa

A partir da próxima semana, os titulares de cargos políticos vão passar a fazer parte do grupo prioritário para a vacinação contra a covid-19. Porém, nem todos os ministros têm prioridade.

De acordo com o jornal Público, no despacho n.º 4/2021, assinado pelo primeiro-ministro e que foi esta quarta-feira publicado em Diário da República, os titulares de pastas são apontados pela ordem do protocolo do Estado, mas apenas os titulares de pastas que são essenciais no combate à pandemia.

Assim, primeiro surge o primeiro-ministro António Costa, seguido pelos quatro ministros de Estados. Destes, apenas a a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, poderão ser vacinados, já que o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, e o ministro das Finanças, João Leão, estão infetados com covid-19.

Além destes, o ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, a ministra do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, Ana Mendes Godinho, também estão na lista, mas não serão vacinados por terem contraído covid-19.

Outros membros do Governo com caráter prioritário de vacinação são o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, a ministra da Saúde, Marta Temido, o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, os secretários de Estado da Saúde, os cinco secretários de Estado que “coordenam regionalmente o combate à pandemia” e a secretária de estado dos Assuntos Europeus.

Apenas depois destes governantes serão vacinados os restantes membros do Governo. Neste segundo lote, são prioritários os secretários de Estado dos ministros prioritários.

Em relação aos restantes órgãos de soberania, o despacho solicita a cada responsável que indique quem é prioritário entre a respetiva tutela.

Além dos três principais órgãos de soberania, estão incluídos a Provedora da Justiça, “os órgãos próprios das Regiões Autónomas e os presidentes das câmaras municipais, tendo em conta que são os responsáveis principais da proteção civil, a procuradora-geral da República e os magistrados do Ministério Público, bem como os serviços dessas entidades”.

Numa visita ao Hospital das Forças Armadas de Lisboa, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse que ainda que é prematuro avançar uma data para a sua vacinação contra a covid-19, referindo que recebeu uma carta do primeiro-ministro sobre esta matéria e remetendo esclarecimentos para autoridades sanitárias e Governo.

AR segue ordem do protocolo de Estado

O Presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, revelou ao Público que a vacinação dos deputados será realizada seguindo a ordem do protocolo de Estado.

Assim, o primeiro a ser vacinado será Ferro Rodrigues, seguido pelo líder da oposição Rui Rio. Seguem-se os presidentes dos restantes partidos com assento na Assembleia e os chefes dos grupos parlamentares, como Catarina Martins (Bloco de Esquerda), Jerónimo de Sousa (PCP), João Cotrim de Figueiredo (Iniciativa Liberal), André Silva (PAN) e André Ventura (Chega).

Tiago Petinga / Lusa

O Presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues

Depois, seguir-se-iam os deputados com assento no Conselho de Estado, que neste momento é apenas Rui Rio. Depois, os vice-presidentes da Assembleia, os presidentes das comissões parlamentares permanentes e os restantes membros da mesa.

Só depois serão vacinados todos os deputados.

Depois, surgem o secretário-geral da Assembleia da República, o presidente do Conselho Económico e Social e o chefe de gabinete do Presidente da Assembleia. No fim da lista estão os diretores de serviços da Assembleia e os assessores parlamentares.

Partidos já se manifestaram contra vacinação prioritária

Rui Rio deixou críticas no Twitter ao Governo: “O Governo errou ao não incluir os principais decisores políticos nas prioridades de vacinação. Quando corrige, volta a errar por via do exagero. Não inclui os médicos do sector privado, mas alarga, por exemplo, à globalidade dos órgãos de soberania. Falta firmeza e bom senso.”

O Bloco de Esquerda defendeu que a vacinação dos titulares de cargos políticos deve limitar-se a quem tem “responsabilidade direta” na gestão da pandemia, como o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República, o primeiro-ministro e restantes membros do Governo, e os presidentes dos tribunais superiores e do Tribunal Constitucional.

O PCP criticou a “generalização excessiva” na prioridade da vacinação dada aos políticos e defendeu como essencial “garantir as condições para a rápida vacinação da população, o que exige que o país não fique dependente unicamente do programa de vacinas da União Europeia e das multinacionais farmacêuticas”.

Jerónimo de Sousa disse recusar-se receber a vacina contra a covid-19 antes do plano estipulado e sublinha que quer ser vacinado “não como deputado, mas como cidadão e utente do Serviço Nacional de Saúde (SNS)”, esperando pela sua vez.

O líder do CDS Francisco Rodrigues dos Santo considerou que “dar prioridade na vacinação a todos os titulares de órgãos de soberania é um péssimo exemplo ao país e um insulto aos que mais sofrem com esta pandemia”.

O líder da Iniciativa Liberal João Cotrim Figueiredo enviou uma carta a Ferro Rodrigues a colocar-se fora do grupo prioritário. “Venho informar V. Exa. de que não pretendo ser incluído em qualquer grupo prioritário e de que, desde, já cedo a vacina que me pudesse vir a ser reservada a um profissional de saúde do secor social, privado ou público que não tenha ainda sido vacinado”, escreveu.

André Ventura, que em campanha tinha criticado a decisão do Governo, garantiu no Twitter “não aceitar” ser vacinado antes de idosos e profissionais na linha da frente: “Cedo de bom grado a minha vacina a um polícia, um bombeiro ou um idoso”.

Maria Campos Maria Campos, ZAP //

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10 COMENTÁRIOS

  1. Estou de acordo com o Rui Rio. Era de facto importante vacinar os membros do governo, mais não seja para evitar a atual situação em que assumimos a presidência da UE e temos vários ministros infetados.
    Não concordo de todo com as autarquias e os deputados. Uma vez mais o Costa baralhou-se.

  2. Então vão vacinar os deputados eito, porquê? Só deviam ser vacinados aqueles que estejam em perigo directo, agora os outros inúteis porquê que vão ser razinados? São mais importantes do que os outros cidadãos. Nojento!

  3. Não concordo! O primeiro a ser vacinado deveria ser o Avé César! Pois é tamanha a sua raiva que representa um risco muito elevado de contágio aos restantes parlamentares!

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