PSD, PCP, CDS, IL e Chega criticam “generalização” na vacinação dos políticos. Alguns deputados recusam ser vacinados

A partir da próxima semana há um novo grupo que começa a ser vacinado contra a covid-19: os titulares de cargos políticos. Mas já há vários deputados e líderes partidários a dizer que não querem ser vacinados mais cedo.

De acordo com um despacho, emitido na segunda-feira por António Costa e a que o Diário de Notícias teve acesso, políticos e membros de outros órgãos do Estado deverão ter prioridade na vacinação.

Também a Provedora da Justiça, os elementos do Conselho de Estado e a magistratura do Ministério Público também vão estar incluídos na vacinação que tem início na primeira semana de fevereiro.

No entanto, deputados do PSD, CDS e IL já disseram que abdicarão da prioridade.

Numa mensagem enviada a Eduardo Ferro Rodrigues, e a que a agência Lusa teve acesso, João Cotrim Figueiredo refere que tomou conhecimento pela comunicação social de que “o Governo teria enviado um despacho à Presidência da Assembleia da República para que esta indicasse as pessoas que, nesta Assembleia, deveriam ser prioritárias no acesso à vacinação contra o vírus SARS-Cov-2”.

“Se esta informação estiver correta, venho informar V.Exa. de que não pretendo ser incluído em qualquer grupo prioritário e de que, desde, já cedo a vacina que me pudesse vir a ser reservada a um profissional de saúde do setor social, privado ou público que não tenha ainda sido vacinado”, garante.

Mas não é caso único. Também Ricardo Baptista Leite, deputado e vice-presidente do PSD, escreveu esta terça-feira nas redes sociais que, para já, apenas “faz sentido vacinar as 3 primeiras figuras do Estado: Presidente da República, presidente da Assembleia da República e Primeiro-ministro”.

“Alargar aos demais titulares quando o país ainda não vacinou toda a população +80 anos ou profissionais de saúde parece-me de difícil compreensão. Pessoalmente irei esperar pelo meu lugar na 3.ª fase de vacinação”, assegurou.

Também Alexandre Poço e Cristóvão Norte se manifestaram nas redes sociais.

“Sou contra vacinarem-me antes dos demais, não sou idoso nem doente”, escreveu Cristóvão Norte no Twitter no dia 30 de dezembro, como fez questão de recordar esta terça-feira no Facebook.

Alexandre Poço concorda com a vacinação de António Costa mas enquanto deputado dispensa e aguardará pela fase a que tem direito, “como qualquer cidadão”.

De acordo com o Observador, o PCP também já reagiu, afirmando que a “prioridade dada a titulares de altos responsáveis do Estado” é “compreensível em situações concretas”, mas que “tem uma generalização que se afigura excessiva”.

André Ventura, que já em campanha tinha criticado a decisão do Governo, esta terça-feira, no Twitter, garantiu “não aceitar” ser vacinado antes de idosos e profissionais na linha da frente: “Cedo de bom grado a minha vacina a um polícia, um bombeiro ou um idoso”.

Priorizar vacinação de políticos é um “péssimo exemplo”

O presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, defendeu hoje que priorizar a vacinação contra a covid-19 de todos os titulares de cargos políticos “é um péssimo exemplo” e “um insulto” ao país.

Em comunicado, Francisco Rodrigues dos Santos sublinhou que a “prioridade na vacinação a todos os titulares de órgãos de soberania é um péssimo exemplo ao país” e também “um insulto” para os “que mais sofrem” com a pandemia.

“É indefensável colocar todos esses políticos à frente dos mais idosos, dos utentes dos lares, dos profissionais de saúde – tanto do público como do privado – e de outros grupos de risco que ainda não foram vacinados”, declarou.

Francisco Rodrigues dos Santos reiterou que se estivesse abrangido por este “direito prioritário” cederia a sua vacina a um idoso.

“Defendo há muitas semanas a revisão imediata do plano de vacinação, para que os mais idosos, acima dos 80 anos, sejam incluídos na primeira fase do plano”, acrescentou Rodrigues dos Santos.

Também na bancada do CDS, João Almeida demonstrou a intenção de aguardar pela sua vez de ser vacinado “como se não exercesse o mandato de deputado” considerando que foi “eleito em lista” e que “pode ser substituído”.

Ainda assim, destaca a necessidade de vacinar rapidamente “as principais figuras do Estado” – Presidente da República, Primeiro-ministro e presidente da Assembleia da República – criticando o “populismo se não se terem considerado prioritários” desde o primeiro momento.

Os titulares de órgãos de soberania, deputados, funcionários da Assembleia da República, membros dos órgãos das regiões autónomas da Madeira e dos Açores, assim como presidentes de câmara, enquanto responsáveis da proteção civil, vão começar a ser vacinados na próxima semana.

A pandemia da doença provocada pelo SARS-CoV-2 provocou 291 mortes e 10.765 infeções nas últimas 24 horas.

Sofia Teixeira Santos, ZAP // Lusa

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