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“Não há vagas”. Ambulâncias fazem fila à porta dos hospitais (até parece Itália em Março)

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Alejandro Garcia / EPA

Os engarrafamentos de ambulâncias à entrada das urgências dos Hospitais de Torres Vedras e de Santa Maria, em Lisboa, ilustram a gravidade do que está a acontecer no Serviço Nacional de Saúde (SNS) com o elevado aumento de casos de covid-19.

Chega a haver “seis a sete ambulâncias durante horas” à espera nas urgências dedicadas a pacientes com covid-19, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, conforme revela à TVI24 uma profissional desta unidade.

Os serviços estão todos cheios e não há vagas nos internamentos“, refere a mesma fonte. “Os doentes continuam a chegar, porque este é um hospital de fim de linha, mas nós não temos capacidade”, aponta ainda, falando de uma situação “muito difícil”.

“São feitos muitos esforços para tentar dar resposta, porque não há recursos para isto“, conclui.

A RTP revela que alguns doentes estão mesmo a ser vistos pelos médicos nas próprias ambulâncias, com o hospital perto da rotura.

A situação está a ser reportada por várias pessoas nas redes sociais com imagens que provocam uma onda de indignação e tristeza, com muitas pessoas a lamentarem que o cenário faz lembrar o que aconteceu em Itália, em Março passado, aquando da primeira vaga da pandemia.

As ambulâncias também se têm acumulado à entrada das urgências de covid-19 do Hospital de Torres Vedras, onde o tempo médio de espera dos doentes ronda as cinco horas, de acordo com a RTP. Chegou a haver, pelo menos, 12 ambulâncias na fila, segundo a estação pública.

A RTP acrescenta que um doente teve que ficar sete horas à espera dentro da ambulância, enquanto outro foi assistido no veículo para receber oxigénio.

Hospital de Santa Maria alarga plano de contingência

Para tentar dar resposta à imensa pressão que se verifica, o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), onde se integra o Hospital de Santa Maria, vai “alargar de imediato” o seu plano de contingência covid-19.

Nas próximas horas será reforçada a capacidade de resposta da urgência com uma segunda estrutura, com capacidade para cerca de 10 doentes, adianta o centro hospitalar numa nota enviada à agência Lusa.

Assim, os actuais postos de atendimento/boxes/quartos da urgência autónoma passarão de 33 para 51 durante a próxima semana, adianta o CHULN que integra também o Hospital Pulido Valente.

A capacidade de internamento covid em enfermaria aumentará das actuais 160 para 200 camas, com abertura de duas enfermarias com cerca de 40 camas.

Quanto às unidades de cuidados intensivos (UCI) covid-19, o CHULN adianta que a capacidade actual de internamento contempla 48 camas, estando previstas, em caso de necessidade, mais 10 vagas “num próximo passo”.

“Em pouco mais de uma semana, o CHULN somou um total de 90 camas ao seu plano de contingência covid – de um total de 160 para 250 camas, entre enfermarias e UCI -, aumento que é acompanhado também pela criação de vagas de internamento para doentes não covid”, refere o centro hospitalar.

Nas últimas 24 horas, o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte tinha 200 doentes internados com covid-19, sendo que 42 destes doentes estavam em UCI.

Nos próximos dias, os hospitais estimam um aumento de 63% nos internamentos. No pior cenário, na próxima sexta-feira podem estar internadas 7.449 pessoas.

Portugal contabilizou, no último boletim diário sobre a evolução da pandemia, 166 mortes, um novo máximo de óbitos relacionados com a covid-19 em 24 horas, e 10.947 novos casos de infecção.

Segundo os dados da Direcção Geral de Saúde, nesta sexta-feira, estavam internadas 4.653 pessoas, mais 93 do que na véspera, das quais 638 em cuidados intensivos, ou seja, mais 16.

  Susana Valente, ZAP //

3 Comments

  1. Se houver notícias de que os infetados, já não podem ser tratados á borla e á custa dos que cumprem com a regras , ou mesmo que não são tratados, talvez os irresponsáveis que andam para aí no laró , em convívios e festas como se nada passasse, pensem duas vezes .
    Os que cumprem são sempre os lixados , primeiro porque são obrigados a confinamentos e outras restrições do género , e depois porque são penalizados financeiramente pelos devaneios dos outros .

  2. Só não percebo porque é que só agora se aumenta o número de camas e abrem enfermarias, mas anda tudo a dormir ou quê? Com o aumento de infectados já toda a gente sabia o que se ia passar. Só mesmo quando dá barraca e aparecem fotos deste calibre é que os diretores/políticos se dignam a fazer qualquer coisa que já devia estar mais que feita. Devem andar a tentar poupar ao máximo no que importa para depois poderem roubar mais em projetos redundantes, parcerias de trampa e a salvar bancos podres.

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