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Em Belém, só Marcelo e três profissionais de saúde vão ser já vacinados

António Cotrim / Lusa

O Presidente da República e o pessoal médico da Presidência são os quatro elementos que constam na lista enviada ao primeiro-ministro para identificar as pessoas prioritárias à vacinação contra a covid-19 em Belém.

Marcelo Rebelo de Sousa, um médico e duas enfermeiras. Segundo o semanário Expresso, são estes os quatro nomes que constam na resposta do Presidente da República ao primeiro-ministro para identificar as pessoas que devem ser prioritárias na vacinação contra a covid-19 no Palácio de Belém.

No domingo à noite, na entrevista que deu ao programa “Isto é Gozar Com Quem Trabalha”, transmitido na SIC, o chefe de Estado reafirmou – já tinha deixado esta posição clara no seu discurso a propósito da renovação do estado de emergência – que “seria estranho que se pegasse nos políticos em pacote (…) e passassem à frente de idosos com doenças mais graves ou de médicos que não são prioritários”.

Para o Presidente reeleito, é inegável que há figuras públicas que devem ter prioridade na vacina, como “a ministra da Saúde, a diretora-geral da Saúde, o coordenador do Plano de Vacinação e o primeiro-ministro”. “Mas há muitos outros que não têm prioridade. Como tudo na vida, é uma questão de bom senso“, continuou.

No entanto, em declarações ao jornal online Observador, e apesar desta sugestão de Marcelo Rebelo de Sousa, o coordenador do plano de vacinação contra a covid-19 em Portugal, Francisco Ramos, confirmou que não vai ser já vacinado.

“Não vou ser. A task-force não propôs o coordenador como prioritário”, confirmou, acrescentando que o mesmo se passa com todos os outros elementos deste grupo de trabalho.

Ao mesmo jornal digital, o responsável confirmou que os presidentes das Câmaras começam a ser vacinados esta semana, mas sem nenhum plano específico.

Vão ter de ir com as outras pessoas, não há uma forma de vacinação específica”, declarou, rejeitando, por exemplo, que esteja a ser equacionada a deslocação de profissionais de saúde às instalações das autarquias para lhes ser administrada a vacina.

De acordo com o conjunto de contactos feitos pelo Observador, é ainda escassa a informação nos municípios sobre como será feito este processo de vacinação.

A vacinação prioritária dos titulares de órgãos de soberania tem dado que falar, sobretudo dentro da Assembleia da República. Depois da lista inicial de 50 pessoas enviada pelo presidente do Parlamento, Eduardo Ferro Rodrigues, ao chefe do Governo, os deputados foram recusando esta prioridade a pouco e pouco. Neste momento, restam 35 deputados que querem receber já a primeira dose da vacina.

Esta terça-feira, Ferro Rodrigues sugeriu a constituição de um grupo de trabalho para acompanhar o processo de vacinação no Parlamento, até atingir todos os deputados que pretendam ser vacinados.

“O presidente da Assembleia da República considera da maior utilidade a constituição de um  grupo de trabalho para acompanhar o processo que agora se inicia e que continuará, de forma programada, até atingir todos os deputados que pretendam ser vacinados, bem como os funcionários considerados indispensáveis para garantir o funcionamento efetivo deste órgão de soberania, revendo-se nas propostas avançadas, sobre as quais se debruçará a conferência de líderes, em reunião que será convocada quando tal se justificar”, lê-se num comunicado.

No documento, Ferro Rodrigues refere que o processo de vacinação “iniciado com as respostas à solicitação do primeiro-ministro está a ser desenvolvido, contemplando as observações e propostas que foram remetidas ao presidente da Assembleia da República nos últimos dias”.

De acordo com o presidente da AR, depois da reunião da conferência de líderes da última quinta-feira, ficaram “definidos critérios da carta a enviar – precedências do Protocolo do Estado e membros da Comissão Permanente, e com posterior sugestão aos líderes parlamentares de indicação de nomes tendo por base a idade ou o estado de saúde”.

Esses mesmos critérios, salienta, “não mereceram contributos de qualquer grupo parlamentar”. E na sexta-feira “foi enviada a resposta ao primeiro-ministro, que atendeu às posições de grupos parlamentares quanto a quem, do universo definido, deveria ou não fazer parte da lista”.

Na sequência deste passo, de acordo com o presidente da Assembleia da República, “nos últimos dias, a solicitação do Grupo Parlamentar do PSD, e, posteriormente, de dois presidentes de comissões parlamentares permanentes [Marcos Perestello e Sérgio Sousa Pinto, ambos do PS] e de deputada membro da Comissão Permanente [Maria Begonha, do PS], foram feitos acertos à relação inicial“.

“Todos os procedimentos administrativos e sanitários para que o processo de vacinação se inicie estão a decorrer em articulação entre o secretário-geral da Assembleia da República e o Ministério da Saúde, num processo que decorrerá de acordo com os critérios e prioridades estipulados e ao ritmo que as autoridades de saúde definirem.”

  ZAP // Lusa

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