Restam 35 deputados que querem ser vacinados. PSD exige nova lista “minimalista”

Mário Cruz / Lusa

Em apenas quatro dias, os deputados prioritários para serem vacinados contra a covid-19 reduziram de 50 para 35. O presidente do Parlamento já enviou a lista ao primeiro-ministro, mas o PSD exige uma nova, que siga um princípio “minimalista”.

A lista inicial enviada, na última sexta-feira, por Eduardo Ferro Rodrigues a António Costa, que no início da semana tinha pedido ao Parlamento o envio da lista com os deputados considerados prioritários, tinha 50 nomes.

No dia seguinte, depois de a lista ter sido tornada pública, 12 deputados do PSD, entre os quais o líder do partido Rui Rio, enviaram um comunicado a dizer que havia um erro e que, afinal, não queriam ser já vacinados. O número passaria, então, a 38.

Nesse sábado, Adão Silva, líder da bancada social-democrata, disse ao jornal online Observador que ia pedir a “retificação” dessa lista ao presidente do Parlamento. Já o gabinete de Ferro Rodrigues deixou sinais de estar “negativamente surpreendido” com esta posição e apontou o dedo ao grupo parlamentar, dizendo que o PSD foi “avisado várias vezes” de que deveria enviar os nomes das pessoas que não queriam receber a vacina.

No domingo, foi a vez de a líder parlamentar do PS, Ana Catarina Mendes, enviar uma carta ao presidente da AR a propor que seja dada prioridade imediata à vacinação apenas do presidente e dos vice-presidentes do Parlamento e que os restantes 24 deputados socialistas sejam vacinados numa fase posterior.

De acordo com o jornal digital, perante esta situação, os deputados socialistas Marcos Perestrello e Sérgio Sousa Pinto informaram Ferro Rodrigues que não queriam ser já vacinados. Assim, o número de pessoas que querem ser vacinadas passa a 36.

Entretanto, esta segunda-feira, a ex-líder da Juventude Socialista, Maria Begonha, também considerou que não faz sentido integrar a lista e salientou que não solicitou a sua inclusão na mesma.

“O meu nome encontra-se incluído na lista que elenca prioridades, em virtude de ser membro da comissão permanente da Assembleia da República. Nunca pedi ou solicitei essa mesma inclusão”, referiu a deputada socialista, acrescentando que concorda com a proposta da bancada socialista para que sejam apenas vacinados, nesta fase, o presidente e os “vices” do Parlamento. Com mais um nome de fora, passam a ser 35 deputados.

No entanto, também esta segunda-feira, Ferro Rodrigues mostrou-se indisponível para mudar a lista inicial com os 50 nomes, até porque esta já seguiu para o primeiro-ministro. O presidente da AR foi claro: os deputados que não quiserem ser vacinados só têm de o recusar quando chegar a altura, adianta o Observador.

Na sequência desta posição, o social-democrata Adão Silva enviou-lhe um ofício a pedir a anulação desta lista e a elaboração de uma nova que siga um princípio “minimalista”.

Na carta, a que o semanário Expresso teve acesso, o líder da bancada do PSD recordou que, na tarde de sexta-feira, informou o gabinete de Ferro Rodrigues de que não estaria em “condições” para indicar os nomes prioritários para a vacinação.

“Apesar de tal impossibilidade”, assegura, ainda assim o presidente da AR enviou a lista de deputados a António Costa, “incluindo nomes que, publicamente, já se sabia que não queriam ser vacinados”.

No mesmo ofício, Adão Silva destacou ainda “que também o Grupo Parlamentar do PS discorda da lista enviada”. Esta frase foi o suficiente para fazer soar os alarmes no seio da bancada socialista.

Ana Catarina Mendes enviou, de seguida, uma nota de esclarecimento à agência Lusa, frisando que “o líder parlamentar do PSD não está autorizado a falar pelo Grupo Parlamentar do PS”.

Depois, a líder da bancada socialista refere que, na semana passada, o presidente da Assembleia da República “pediu um voto de confiança a todos os grupos parlamentares na conferência de líderes e todos o deram”.

“O Grupo Parlamentar do PS aceitou os critérios de funcionamento do Parlamento e apenas priorizou os deputados a vacinar nesta primeira fase dentro dos critérios do presidente da Assembleia da República”, acrescentou na mesma nota.

Conclusão: em apenas quatro dias, dos 50 deputados propostos para serem vacinados já contra a covid-19, parece que, efetivamente, haja lista nova ou não, apenas 35 vão receber a vacina.

ZAP // Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Porque é que estes “senhores” querem ser vacinados? Por acaso, estão na linha da frente contra o Covid…? Bem me parecia. 🙂

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