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Portugueses devem estar preparados para “confinamento mais duradouro”, avisa Marcelo

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António Cotrim / Lusa

“Este é de longe o período mais difícil da pandemia”, disse o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que falou ao país esta quinta-feira à noite, sobre a evolução da pandemia e das novas medidas anunciadas.

No dia em que o número de novos casos e de óbitos voltaram a bater novos recordes, o Presidente da República voltou a falar ao país a propósito de mais uma renovação do Estado de Emergência – o nono – em Portugal.

Marcelo Rebelo de Sousa começou por dizer que “este é de longe o período mais difícil da pandemia”, e que “temos dos mais elevados números da Europa”, inflacionados por uma “variante que surgiu e aumentou vertiginosamente”.

Além disso, o Presidente sublinha a pressão exercida sobre as estruturas da saúde, que é “extrema”, e fala do número de mortes, que “cresce a um ritmo inimaginável”.

E “com ele cresce a perigosa insensibilidade à vida e à morte, mesmo de familiares, amigos, vizinhos, companheiros da vida”, disse, lamentando que “com essa insensibilidade” cresça também “a negação do vírus, do estado de emergência e do confinamento”.

Adverte, porém, que nenhuma destas negações resolve “a multiplicação dos mortos, as esperas infindáveis por internamentos, o sufoco nos cuidados intensivos, o sofrimento de doentes Covid e não-Covid”.

“O que verdadeiramente importa nestes momentos mais difíceis é manter o rumo, não perder a determinação, não perder a capacidade de resistir, de melhorar e de agir”, disse.

Relativamente à polémica que se criou em torno da inclusão de políticos na primeira fase de vacinação, Marcelo Rebelo de Sousa adverte que “ninguém de bom senso quereria fazer passar centenas ou um milhar de titulares de cargos políticos ou funcionários por muito importantes que fossem, de supetão à frente de milhares de idosos, com as doenças mais graves e, por isso, de mais óbvia prioridade”.

“Não vale esconder a realidade”

“Temos de ser mais estritos, mais rigorosos, mais firmes no que fizermos e não fizermos. Ficar em casa. Sair só no imprescindível e com total proteção pessoal e social. Só assim será efetivamente viável testar a tempo e diminuir a disseminação do vírus”, alertou.

Sobre as novas medidas hoje anunciadas, o Presidente avisa que é preciso estar “preparado para confinamento e ensino à distância mais duradouros do que se pensava no início desta escalada” e usar também “o controlo de fronteiras na entrada e na saída” para controlar a propagação do vírus.

É “preciso esgotar todas as hipóteses na capacidades de resposta em reformados, reservistas, formados no estrangeiro” porque “não vale esconder a realidade, fazer de conta, iludir a situação” – “é mesmo a pior que vivemos desde março”.

“O custo brutal destas medidas mais duras” não se compara os custos da pandemia. E já são muitos: “A variante inglesa do vírus surgiu e propagou-se vertiginosamente, abarcando mais de 50% em áreas como a Grande Lisboa”, onde a pressão no SNS é “extrema”.

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O Presidente concluiu o discurso, avisando que “o que fizermos todos, poderes públicos solidários e portugueses, até março, até março, inclusive, determinará o que vai ser a primavera, o verão e quem sabe o outono e joga-se tudo nas próximas semanas, até março, inclusive”.

  Sofia Teixeira Santos, ZAP //

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