Jornalista saudita terá sido desmembrado ainda vivo. Durou sete minutos

Tolga Bozoglu / EPA

Jamal Khashoggi, o jornalista saudita desaparecido desde de 2 de outubro, terá sido torturado durante sete minutos e desmembrado ainda vivo no interior do consulado da Arábia Saudita, em Istambul, revela a imprensa turca.

O jornal turco pró-governamental Yeni Safak fez, nesta quinta-feira, novas revelações sobre o conteúdo das alegadas gravações captadas no interior do consulado em Istambul, onde o jornalista saudita terá sido morto. Já na semana passada, as autoridades turcas diziam ter em sua posse gravações de áudio e vídeo que provavam o assassinato.

De acordo com a reportagem agora divulgada, Jamal terá sido torturado e decapitado por agentes sauditas. O texto conta ainda detalhes mais mórbidos, revelando que o jornalista terá sido torturado durante sete minutos, tendo o seu corpo sido desmembrado enquanto o repórter ainda estava vivo.

Segundo a mesma publicação, na gravação é possível ouvir o Cônsul Geral saudita, Mohammed al-Otaibi, a dizer aos alegados torturadores de Khashoggi: “Façam isso lá fora, vão arranjar-me problemas”, ao que os alegados torturadores terão respondido: “Cala-te se quiseres viver quando regressares à Arábia Saudita”.

Esta reportagem vem agora reforçar a pressão sobre a Arábia Saudita para que explique o que aconteceu ao jornalista, crítico do regime de Riade e que vivia exilado nos Estados Unidos desde 2017.

O desaparecimento do jornalista saudita, que foi ao consulado para tratar de documentação para o seu casamento, continua sem uma justificação por parte das autoridades e as questões continuam a adensar-se.

Suspeito morre em acidente de carro

De acordo com a EFE, um dos 15 homens que estavam no consulado onde Jamal foi visto pela última vez – e, por isso, um dos suspeitos – morreu num misterioso acidente de carro. Esta notícia foi também avançada pelo Yeni Safak, sem citar quaisquer fontes.

O homem foi identificado pelo jornal como Meshaal Saad M. Albostani, um oficial da Força Aérea da Arábia Saudita nascido em 1987. De acordo com a publicação, existem “rumores de que Albostani pode ter sido silenciado“, tendo sido morto por esse motivo. O Yeni Safak acrescenta ainda que “não há nenhuma informação sobre os detalhes do acidente que causou a morte de Albostani”.

Segundo vários média imprensa turcos, o saudita chegou à Turquia na madrugada de 2 de outubro, por volta da 1h45 no horário local, onde se hospedou num hotel. Albostani terá deixado o país no mesmo dia, ainda durante a noite, num avião particular.

O El Mundo, que cita também médias turcos, identifica outro dos quinzes suspeitos, Salah Mohamed Tubaiqi, que alegadamente terá levado a cabo a desmembração do jornalista saudita. O jornal revela que Tubaiqi é um funcionário saudita especializado em análise forense e medicina legal, tendo já desempenhado vários cargos nessa área para departamentos do regime saudita.

Tal como Albostani, Tubaiqi chegou à Turquia durante a madrugada do dia 2 de outubro num avião particular e hospedou-se num hotel. De acordo com fontes policiais citadas pelo New York Times, Tubaiqi levava uma serra quando deixou o país no mesmo dia.

O diário espanhol nota ainda que, numa entrevista dada há quatro anos ao jornal Asharaq al Awsat, Tubaiqi gabou-se de fazer uma autópsia em apenas sete minutos. O saudita falava ao jornal sobre a morte de alguns peregrinos durante a sua jornada a Meca.

De acordo com o Middle East Eye, citado pelo El Mundo, o artigo em causa mencionava uma clínica móvel projetada pelo próprio Tubaiqi para usar em “casos de segurança que exigissem a intervenção de um patologista para realizar uma autópsia ou ainda para examinar um corpo na cena do crime”.

Trump admite morte de Jamal

O Presidente dos Estados Unidos admitiu nestaa quinta-feira que “certamente parece” que Jamal Khashoggi está morto, deixando ameaças de consequências “muito serveras” caso se prove que foi o regime de Riade o responsável pela morte.

Trump, que tem insistido que devem ser conhecidos mais factos antes de tomar uma posição, não revelou em que é que se baseou para fazer a última declaração sobre o destino do jornalista, no caso, a sua eventual morte.

Quando questionado sobre se Khashoggi estava morto, Trump respondeu: “Certamente que assim parece… Muito triste”. Sobre as consequências para os líderes sauditas se se apurasse que eram responsáveis pela morte, respondeu: “Teriam de ser severas. É um caso mau, mau. Mas, vamos ver o que vai acontecer”.

Entretanto, e de acordo com os relatos da BBC, a polícia turca já alargou o perímetro das buscas. Fontes anónimas revelaram que que o corpo pode ter sido largado numa floresta próxima do consulado saudita em Istambul ou em terrenos agrícolas.

Apesar de concordarem com uma investigação conjunta, Arábia e Turquia continuam sem se entender quanto ao desaparecimento do jornalista. A Turquia continua a insistir que a Arábia tem responsabilidades no caso. Por seu turno e em sentido oposto, a Arábia tem negado qualquer ação violenta contra o jornalista não apresentando, até então, nenhuma versão plausível sobre o que terá acontecido.

ZAP // Lusa

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8 COMENTÁRIOS

  1. Parece-me que o ZAP tem aqui uma quantidade considerável de correctores ortográficos com um certo tom crítico, que gentinha.. se são tão espertos e tentam passar uma imagem intelectual, deviam fundar uma plataforma do mesmo estilo que esta, sem erros claro, porque são seres perfeitos, merecem viver na ignorância e ser banidos daqui!

  2. Se foi desmembrado foi para o fazerem desaparecer mais facilmente. Já deve ter saído da embaixada nalguma caixa para não deixar suspeitas.

  3. Países de selvagens governados por selvagens, vale-lhes o petróleo para poderem demonstrar toda a brutalidade do seu Poder.

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