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Nota artística: E agora, o Famalicão-Benfica em versão musical

Senhoras e senhores, bem-vindos à CoronaLiga 2020/2021. Não é ao mambo número cinco. O Lou Bega não sabe o que está a dizer. Ou a cantar.

David Lubega. Talvez muita gente não saiba que nasceu em Munique. É alemão. Uma nacionalidade que viria a dar jeito ao filho de Deus, em Famalicão.

A cidade e o Estádio Municipal 22 de Junho acolheram o jogo inaugural do campeonato. Varandas bem ocupadas. Quer as que rodeiam aquele recinto, quer o médico de Alvalade, que por esta altura tem muito para cuidar.

No relvado lá estavam as equipas, prontas: a da casa estava algo irreconhecível em relação à temporada passada, já que quase metade dos jogadores morava noutros lados, há poucos meses; o número quatro reinava na visitante – quatro reforços e quatro alterações em relação à tragédia grega. Ah, e quatro mais zero no ataque: cerca de 40 milhões de euros gastos só nos dois homens da frente.

A fase do domínio sérvio na Luz ficou lá atrás. Agora há mais toque germânico, com três futebolistas nascidos na Alemanha no 11 inicial. Um deles destacou-se neste encontro.

Como se supunha, o Benfica atacou mais, desde cedo, e o Famalicão defendia mais mas bem. Pouco perigo criado no primeiro quarto de hora, Gabriel e Taarabt perdiam a bola a meio-campo e, no banco, gritava um Jesus desesperado. Gritos que Luca ignorou. E marcou.

Dois minutos depois, Everton também percebeu como se marcava. Darwin quase fez o mesmo logo a seguir. As caras novas mostravam-se. Numa primeira parte a “jogar o triplo” de algumas primeiras partes da temporada transata, Grimaldo colocou um 3 no marcador. E Zlobin, que ainda há um mês estava na equipa adversária, ficou lá encostado à rede. Desolado, triste. Não chores, Zlobin. Ainda és um rapaz; e os rapazes não choram.

3-0 ao intervalo e podiam ser mais. Podiam e queriam. No segundo tempo o filho de Deus queria mais ataque, mais pressão, mais golos. Queria “arrasar”!

Rafa fez-lhe a vontade. Tal como em solo helénico, o internacional português marcou. E Luca bisou, na sua estreia a titular. Marcar dois golos no seu primeiro jogo pelo Benfica no campeonato? Só dois futebolistas fizeram o mesmo nos últimos 20 anos: Gonçalo Ramos e Karadas. Quem?

O Karadas. Um norueguês alto que esteve no Benfica durante um ano. E foi campeão. Não se lembram do Karadas? Azar.

Luca bisou e foi curioso ver os festejos claramente efusivos de Rui Costa. O diretor terá ficado contente, não porque o avançado é o herdeiro da sua camisola 10, mas sim porque o antigo médio foi peça essencial para trazer o jogador da Alemanha para Portugal.

Ah, e Luca esteve precisamente ao serviço da Alemanha, da seleção, há pouco tempo, mas não jogou. Por isso, no final da partida, o filho de Deus comentou que o avançado esteve de férias quando se juntou à comitiva do seu país. As férias fizeram-lhe bem.

A equipa da casa ainda amenizou a goleada, por Guga, mas isso não impediu o domínio encarnado nesta jornada inaugural. Um domínio transformado em vários golos, ao contrário do que aconteceu em parte do encontro com o PAOK. Como anunciou o filho de Deus, em versão brasileira: “Hoje fizemos cinco remates no golo e fizemos sete golos”.

Lá está, sete golos. O Lou Bega estava mesmo enganado no seu mambo.

  NMT, ZAP //

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