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Ocupação em cuidados intensivos atinge 72% do limiar crítico definido pelas autoridades

O relatório de monitorização das linhas vermelhas da covid-19, divulgado esta sexta-feira pelo INSA e pela DGS, revela que Portugal tem 174 camas de cuidados intensivos ocupadas, valor que se aproxima do liminar crítico.

Nas últimas semanas, o aumento do número de doentes em cuidados intensivos tem aumentado exponencialmente.

O número de doentes internados em cuidados intensivos é agora de 72% do valor crítico de 245 camas, quando, a semana passada, era de 56%. Antes disso, estava nos 47% e, há três semanas, nos 36%.

Em março, este valor, que faz parte das “linhas vermelhas”, foi traçado para servir, a cada momento, para afinar as medidas às diferentes fases da epidemia.

Esta é uma das revelações do relatório semanal das linhas vermelhas da pandemia, da responsabilidade da Direção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (Insa).

Numa altura em que o número de internados em cuidados intensivos se aproxima do limite estabelecido como linha vermelha – 174 de 245 camas -, o grupo etário com maior número de internados em unidades de cuidados intensivos é o dos 40 aos 59 anos, com um total de 82 casos.

O relatório lembra que, no último mês, este indicador tem vindo a assumir uma tendência crescente e, por isso, a ocupação máxima recomendada para doentes covid-19 em unidades de cuidados intensivos por região está em atualização e será apresentada na próxima semana.

Relativamente ao valor do Rt, este apresenta valores superiores a 1 a nível nacional (1,12), mantendo a tendência crescente, sendo mais acentuada nas regiões Norte e Algarve, que apresentam um R(t) de 1,24 e 1,15, respetivamente.

Por outro lado, é entre os jovens na faixa etária dos 20 aos 29 anos que se regista a taxa de incidência mais elevada do país, com 875 casos por 100 mil habitantes. É também neste grupo que se verifica a segunda maior variação da semana (35%).

A nível nacional, a incidência cumulativa a 14 dias era, neste relatório do Insa, de 372 casos por 100 mil habitantes, quando, a semana passada, era de 287 casos. A região do Algarve é a que apresenta os valores mais altos do país, embora tenha sido no Norte que a variação da incidência mais aumentou.

No último relatório, o Algarve tinha 674 casos por 100 mil habitantes, valor que sobe para 883 (variação de 32%). No Norte, sobe de 188 para 313 casos por 100 mil habitantes, uma variação de 67%, a mais alta do país.

No Centro, a taxa de incidência é de 195 casos por 100 mil habitantes (era 149 na semana anterior), no Alentejo de 223 (era de 165) e é na região de Lisboa e Vale do Tejo que a situação se mantém mais estável, com uma variação de 13%.

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A nível nacional, a proporção de testes positivos para SARS-CoV-2 foi de 4,9%, valor que ultrapassou o limiar definido de 4%.

Contudo, relatório do Insa e da DGS nota que o número de testes realizados também aumentou nos últimos 7 dias.

Delta mantém-se a dominante

Aquela que foi durante muito tempo a variante dominante no país, a Alfa (conhecida como variante inglesa), representa agora apenas 10% dos novos casos.

A variante Delta, associada à Índia, mantém-se dominante como nas últimas semanas, com valores semelhantes aos revelados no relatório anterior.

A Delta representa 88,6% dos casos avaliados na semana de 28 de junho a 4 de julho, quando, nos sete dias anteriores, o valor era de 89,1%.

A frequência desta variante, conclui o relatório, tem aumentado nas últimas semanas em todas as regiões, variando entre os 62,5%, nos Açores, e os 100%, na região do Algarve e na de Lisboa e Vale do Tejo.

“É de esperar a ocorrência de mutações nos vírus ao longo do tempo, em resultado do processo da sua replicação, sobretudo em vírus RNA. A probabilidade de ocorrência destas mutações aumenta com a circulação do vírus na comunidade e com o número de indivíduos parcialmente imunizados, promovendo o aparecimento de variantes”, dizem INSA e DGS.

A variante Lambda, identificada pela primeira vez no Peru, e classificada como variante de interesse, não voltou a ser identificada em Portugal, mantendo-se identificados os mesmos dois casos da semana anterior.

  ZAP //

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