Coronavírus já fez 80 mortos. Infetados transmitem a doença antes de terem sintomas

O número de mortos devido ao novo coronavírus detetado na China aumentou esta segunda-feira para 80, após 24 novos óbitos registados na província de Hubei, o epicentro do contágio, anunciaram as autoridades locais.

Nesta região foram detetados 371 novos doentes infetados pelo coronavírus (denominado provisoriamente 2019-nCoV), elevando o número de casos confirmados para mais de 2300 em todo o território da China, segundo dados do Governo central.

O novo coronavírus foi detetado na cidade chinesa de Wuhan (centro) no final de 2019 e o anterior balanço apontava para 56 mortos na China. A maioria das pessoas infetadas encontram-se no território continental da China, mas há também casos confirmados em Macau, Hong Kong, Taiwan, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos, Singapura, Vietname, Nepal, Malásia, França, Austrália e Canadá.

Em Macau, subiu esta segunda-feira para seis o número de pessoas infetadas com o novo coronavírus (2019-nCoV). A nova pessoa infetada com o vírus é um jovem de 15 anos, que reside em Wuhan, província de Hubei, o epicentro do contágio, filho do quarto caso diagnosticado em Macau. O paciente não tem febre nem tosse e vai ficar em isolamento, indicaram as autoridades em comunicado.

No domingo, o Governo de Macau anunciou que vai impedir a entrada nos casinos dos visitantes que, nos últimos 14 dias, tenham estado na província chinesa de Hubei. Por outro lado, todos os visitantes oriundos de Hubei terão de apresentar uma declaração médica para entrar no território, numa medida que entrará em vigor também na segunda-feira.

Entretanto, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, encontra-se em Wuhan. Li está em Wuhan para “investigar e orientar” os esforços das autoridades para conter o vírus, acrescentou o Governo em comunicado. Esta é a primeira visita de um alto responsável do regime comunista à cidade desde o início da epidemia.

Para tentar conter a propagação do novo tipo de coronavírus, a China prolongou por três dias o feriado do Ano Novo Lunar, até 2 de fevereiro, para desencorajar viagens.

Cerca de 769 novos casos foram confirmados no domingo e mais de 30 mil pessoas que tiveram contacto com possíveis pessoas infetadas estavam sob observação médica, informou a Comissão Nacional de Saúde da China.

Mongólia fecha a fronteira com a China

Dezenas de milhões de chineses que visitaram as suas cidades natal ou pontos turísticos deveriam regressar a casa esta semana no maior movimento de pessoas a nível mundial que se repete todos os anos, aumentando o risco de o vírus se espalhar em comboios e aviões lotados.

A Mongólia, que compartilha uma longa fronteira com a China, decidiu encerrar os pontos de travessia rodoviária com este país para evitar a propagação do novo coronavírus (2019-nCoV). Trata-se do primeiro país vizinho da China a fechar a sua fronteira com Pequim, mesmo que as ligações ferroviárias e aéreas ainda estejam abertas.

O vice-primeiro-ministro da Mongólia, Enkhtuvishin Ulziisaikhan, também anunciou no domingo que as suas escolas e universidades vão estar encerradas até 2 de março.

Entretanto, o primeiro-ministro mongol explicou que tomou a decisão após o aparecimento de casos confirmados na Mongólia Interior, uma região chinesa na fronteira com a Mongólia. “Manifestações públicas são proibidas”, acrescentou o chefe do Governo, acrescentando que os eventos desportivos devem ser cancelados e as salas de jogos fechadas.

MNE desaconselha viagens

 

O Ministério dos Negócios Estrangeiros português desaconselhou “viagens não essenciais” à China, devido ao novo coronavírus, justificando o alerta pelos eventuais riscos de saúde e pelas presentes limitações na circulação dentro do país.

portocomfuturo / Facebook

Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros português

O Governo português indicou ainda à Lusa que foram identificados 20 portugueses que são residentes em Wuhan ou que se encontram em visita e está a estudar a possibilidade de os retirar daquela cidade, “se isso for viável à luz das regras de saúde pública”.

Já França está a organizar “um repatriamento por rota aérea direta” dos seus nacionais localizados na região de Wuhan, anunciou o ministro da Saúde, Agnès Buzyn, sob a supervisão de uma “equipa médica dedicada”, com as pessoas a ficarem “num espaço de acolhimento durante 14 dias”, o período máximo estimado de incubação.

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde é esperado esta segunda-feira em Pequim para se reunir com as autoridades chinesas. O ministro da Saúde chinês, Ma Xiaowei, alertou no domingo que os infetados podem transmitir a doença durante o período de incubação, que demora entre um dia e duas semanas.

Durante aquele período, os infetados não revelam sintomas, o que anula o efeito das medidas de rastreio, como medição de temperatura nos aeroportos ou estações de comboio. Os sintomas incluem febre, dor, mal-estar geral e dificuldades respiratórias.

A ansiedade em torno da doença aumentou depois de um especialista do Governo chinês ter assumido que o novo tipo de coronavírus, uma espécie de vírus que causa infeções respiratórias em seres humanos e animais, é transmissível entre seres humanos. Até à data, as autoridades diziam que não havia evidências nesse sentido. A nova estirpe de coronavírus pode ter surgido em morcegos ou cobras.

Na sexta-feira, a China alargou a quarentena a 33 milhões de pessoas e, na quinta-feira, estavam três cidades em isolamento: Wuhan, o epicentro do surto, Huanggang, a cerca de 70 quilómetros de distância e Ezhou. As cidades foram fechadas aos transportes e os seus habitantes fecharam-se em casa em quarentena.

O cientista Xu Wenbo, do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças, disse que este centro já se encontra desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus “depois de isolar com sucesso a primeira estripe do vírus”.

Em Portugal, foi detetado o primeiro caso suspeito de infeção pelo novo coronavírus este sábado, que, após análises, deu negativo.

O Centro Europeu de Controlo de Doenças (CECD) considerou moderada a probabilidade de a nova pneumonia chegar ao espaço europeu. Por outro lado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) optou por não declarar uma emergência internacional face ao surto de coronavírus.

ZAP // Lusa

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