“É tempo de preparar a reabertura da economia”, diz Siza Vieira

Tiago Petinga / Lusa

O ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira

O Governo esteve reunido por videoconferência, esta terça-feira, com 25 economistas e académicos para preparar o regresso da atividade económica.

No final da reunião por videoconferência com 25 economistas e académicos, que contou com a presença do primeiro-ministro e de alguns membros do Governo, coube ao ministro da Economia fazer um resumo da mesma aos jornalistas.

“Não vou entrar em detalhes sobre o conjunto de reflexões feitas, mas, de uma maneira geral, há uma partilha importante da ideia de que temos de ir construindo uma confiança coletiva na capacidade de proteger as populações, e os elementos mais frágeis, à medida que vamos preparando o levantamento das restrições à atividade económica e circulação dos cidadãos”, começou por dizer Pedro Siza Vieira, citado pelo jornal Público.

“Temos de começar a pensar na forma como vamos ser capazes de criar, na nossa população e nas empresas, a confiança de que estão reunidas as condições para o retorno à atividade”, explicou.

Hoje, o Fundo Monetário Internacional (FMI) previu uma recessão de 8% da economia portuguesa e uma taxa de desemprego de 13,9% em 2020. Para 2021 o cenário inverte-se, com a instituição a apontar para uma recuperação de 5,0% do PIB e uma taxa de desemprego de 8,7%.

Sobre esta projeção, o ministro disse que há a “expectativa de uma recessão importante durante 2020, com um impacto muito significativo durante o segundo trimestre e uma recuperação durante o ano de 2021″.

“Ainda não sabemos qual será o impacto real da contração da atividade económica. Ontem, o senhor ministro das Finanças referiu que esperava que a queda do PIB não chegasse aos dois dígitos. É isso que também diz o FMI, aponta para os valores de 8% da queda do PIB. Há coisas que ainda são incertas, mas sabemos que vai ser duro. O que é importante é que este trimestre seja o ponto mais fundo da quebra e possamos retomar com confiança”.

Siza Vieira sublinhou que “cerca de 82% das empresas” continuam a sua atividade e há “66 mil empresas que colocaram trabalhadores em lay-off, sendo que isso representa menos de um quarto da população”.

“É tempo de preparar a reabertura” da economia

O ministro afirmou que manter a capacidade das famílias e das empresas eram as prioridades e que, agora, “é tempo de preparar a reabertura” da economia, mas de forma gradual, “para que os cidadãos tenham confiança no SNS, na sua proteção e na dos outros”, cita também a rádio TSF.

Embora ainda não esteja definido quais são os setores que estarão na linha da frente desta reabertura, como foi o Governo que decretou o fecho do comércio a retalho e da restauração, “devemos preparar medidas dirigidas a estes setores, mas sempre em função do risco que enfrentamos em cada momento”, cita o semanário Expresso.

Além disso, reforçou Siza Vieira, ao contrário de outros países, Portugal não decretou o encerramento de setores de atividade em massa, “foram os setores que encerraram por sua iniciativa e, obviamente, serão eles a decidir qual o momento mais seguro para voltarem à atividade”.

Questionado sobre a eventual nacionalização da TAP, ontem referida pelo ministro das Finanças como uma das hipóteses em cima da mesa, Siza Vieira afirmou que esta é “uma empresa estratégica para Portugal, que nos liga ao mundo, que assegura a continuidade territorial com os arquipélagos e assegura as ligação às comunidades portuguesas”.

“Portanto, é uma empresa que, no sentido estratégico do Estado, deve ser preservada. É óbvio que o Estado vai continuar a acompanhar a situação da TAP e assegurar a sua continuidade. Os mecanismos e instrumentos que temos à nossa disposição para assegurar essa continuidade são os mais diversos. Não vamos excluir nenhum deles, nem mesmo a nacionalização”, afirmou o ministro.

Sobre os equipamentos de proteção individual para os cidadãos, o governante garante que “há suficientes para que as empresas possam distribuí-las aos seus trabalhadores”.

Portugal está em estado de emergência desde o dia 19 de março e até 17 de abril. Na sexta-feira, o Presidente da República manifestou a sua vontade de prolongar o estado de emergência até 1 de maio.

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