Pedro Nuno acusado de gestão “desastrada”. Portugueses divididos entre salvar e deixar falir a TAP

Nuno Fox / Lusa

O CDS considerou esta quarta-feira que “a remuneração da gestão de topo” na TAP é reveladora “do desnorte e da crise de ansiedade que se instalou” na transportadora aérea e exigiu que o ministro da tutela “arrepie caminho” na reestruturação.

Em comunicado, o vice-presidente do CDS Miguel Barbosa acusa o Governo, e em particular o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, de gerir “a questão da TAP de forma desastrada e nebulosa”.

“O mais recente da triste série de episódios disparatados – a remuneração da gestão de topo – é especialmente revelador do desnorte e da crise de ansiedade que se instalou em torno da TAP”, sustenta.

Na segunda-feira, soube-se que três membros da administração da companhia aérea viram os salários aumentados, com o aval do Governo, incluindo o presidente executivo e o presidente do Conselho de Administração.

No dia seguinte, o presidente do Conselho de Administração da TAP, Miguel Frasquilho, anunciou que abdicou do acréscimo salarial de que usufruiu a partir da saída de Humberto Pedrosa, porque quer continuar a fazer parte das negociações sobre o futuro da companhia.

O Ministério das Infraestruturas assegurou, por sua vez, que a TAP “não teve qualquer acréscimo de custos salariais” com os administradores, adiantando que os encargos com o Conselho de Administração caíram 33% “em termos brutos” desde março.

Para o centrista Miguel Barbosa, é “inaceitável e inoportuno” que a “questão da remuneração dos órgãos de gestão” da TAP “se coloque” quando a empresa “se prepara para despedir uma parte considerável da sua força de trabalho, e em que os contribuintes são chamados para a socorrer”. Segundo o CDS, o ministro Pedro Nuno Santos, que “representa o interesse coletivo” na TAP, “não pode tentar distanciar-se” desta questão.

No comunicado, o CDS exige que o titular da pasta das Infraestruturas, que tutela a TAP, “arrepie rapidamente caminho de forma a evitar mais um negócio ruinoso”, apontando “falta de transparência” ao plano de reestruturação da companhia, apresentado “sem o suporte de estudos e dados” e “sem discussão das alternativas”.

Portugueses divididos entre salvação e falência

Uma sondagem da Aximage para a TSF, Diário de Notícias e Jornal de Notícias revela que 42% dos portugueses concordam que a TAP deve ser salva com dinheiros públicos e 37% afirmam que o Governo deveria ter deixado falir a transportadora.

No Norte do país, apenas 29% concorda com a injeção de três mil milhões de euros até 2024 e 44% entende que o Executivo deveria ter fechado as portas da empresa.

O Norte é a única região do país que é maioritariamente a favor da falência. Os dados da Área Metropolitana do Porto mostram outra realidade: 45% concordam com o resgate público, enquanto 42% entendem que o fim da TAP teria sido a melhor solução.

No Sul e nos arquipélagos dos Açores e Madeira, 52% concorda com o salvamento da companhia aérea contra 32% que defendem a falência.

O inquérito revela ainda que 21% das pessoas não sabe ou não responde à questão.

O plano de reestruturação da TAP, entregue em Bruxelas este mês, prevê a suspensão dos acordos de empresa, medida sem a qual, de acordo com o ministro Pedro Nuno Santos, não seria possível fazer a reestruturação da transportadora aérea.

O documento entregue à Comissão Europeia prevê o despedimento de 500 pilotos, 750 tripulantes de cabine, 450 trabalhadores da manutenção e engenharia e 250 das restantes áreas. O plano prevê, ainda, a redução de 25% da massa salarial do grupo (30% no caso dos órgãos sociais) e do número de aviões que compõem a frota da companhia, de 108 para 88 aviões comerciais.

Maria Campos Maria Campos, ZAP // Lusa

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15 COMENTÁRIOS

  1. “Salvam” a tap ou os bolsos dos “alapados” lá dentro? Deviam ter deixado o animal moribundo simplesmente morrer. Mas não, fica em coma e depois precisa de muita fisioterapia e muitos euros e ajuda para voltar a um activo que nunca será o mesmo.

  2. Pois, a apoiar, deviam era apoiar a Ryanair, que é a companhia aérea que permitiu que muitos portugueses pudessem viajar mais e visitar locais que de outro modo nunca teriam possibilidades de visitar. Além disso, foram a Ryanair e outras low cost que trouxeram a Portugal a maioria dos turistas que dinamizaram o turismo. e os pequenso negócios que dele dependem.
    A Tap é só mais uma velha falida e incapaz com tiques de riqueza e prepotência. Não faz falta aos portugueses.

  3. A partir do momento em que se consegue inculcar na cabeça das pessoas que uma certa empresa é “especial”, “estratégica”, e que “não pode falir”, o objectivo real de quem gere deixa de ser o lucro e passa a ser roubar o mais possível. Portanto “salvar” qualquer empresa, como se fosse uma vaca sagrada, é uma fraude. As empresas não são para “salvar”, são para gerir bem ou então naturalmente falir e dar espaço a outras que façam diferente e melhor. Há que salvar é as pessoas. Tudo o resto é apenas fraude, venham lá com a retórica que vierem. Acabem com isso e acaba-se o problema.

    • Podem fazer os contorcionismos que quiserem que a TAP nunca mais se reabilitará. As companhias low-cost, os altos preços da TAP e a sua pesadíssima estrutura, com milhares e milhares de funcionários (muitos dos quais lá metidos pelos partidos políticos, enquanto governos), não deixam qualquer hipótese da companhia sobreviver. Esta seita governativa tem em mãos um processo delicadíssimo que não vai ser capaz de solucionar. E reparem no que eu digo: esta temática ainda vai ser objeto futuro da luta partidária que irá surgir entre Costa e Pedro Santos, quando estiver em disputa a liderança do PS.

  4. Enterraram se milhões na RN, na CP, e na TAP. E vão continuar a enterrar se milhões na TAP sem que vejamos algo de bom. Quando uma empresa não tem futuro fecha se. Porque razão não abrem falência? A quem interessa isto? A empresa tem ordenados milionários, empregados a mais, não é competitiva… E o povo é que paga!!!

  5. Gatuna e potencialmente assassina. Tinha voo pago para maio mas só pude voar para Portugal em agosto. Nunca foi dada uma explicação.
    Agora com viagem paga para 30 de dezembro e o resto da família para 05 de fevereiro, e pq ao longo deste mês de dezembro observamos o quanto era perigoso vir para Portugal foi negado a mudança dos voos para outra altura do ano. Só pagando 260 euros por cada um dos bilhetes!!! Estas situações aconteceram durante a mesma pandemia!!! O passageiro contribuinte paga caro e não tem direitos, a empresa recebe e e impiedosa, prepotente, gatuna e potencialmente assassina!!!!!!
    Uma vergonha um nojo para qualquer português honesto.

  6. Seria bom que todos os Portugueses por uma vez fossem razoáveis. A TAP nunca foi rentável em democracia. Como dizem os colegas de comentário, só serve para os partidos meterem lá os camaradas incompetentes (por isso está sempre falida) a ganhar salários obscenos e para mais duas coisas que eu acrescento, ir buscar imigrantes a África e imigrantas ao Brasil.
    Nós, os do costume, pagamos estes caprichos ideológicos.
    Se a TAP não quer operar no Porto, porque é que nós, os provincianos, a vamos segurar.
    Vamos organizarmo-nos e vamos para a rua lembrar isto aos cidadãos.

  7. Permitam-me aqui discordar da esmagadora maioria de quem comenta: A TAP não deve falir!

    Reestruturada? Sim.
    Reorganizada? Sem dúvida.
    Deixar falir? Não concordo.

    A TAP (e algumas outras empresas) trazem ao país mais do que aparentam. A TAP não é só voos para as Caraíbas. Deixar de ter a TAP, é deixar de ter todos os serviços e todas as valências que advêm do facto de ter aviões para pilotar e manter a voar. É tirar saber do pais. É ignorar esta área de negócio e tudo o que ela trás por arrasto.

    Bem sei da gestão, dos ordenados, dos tachos políticos…. e tudo isso deve acabar de uma vez por todas, mas romper com estas práticas não significa necessariamente romper com a TAP. Não pode significar! Não podemos dizer «matem a empresa» apenas porque esta tem sido mais uma vitima da politica à Portuguesa.

    Se alinharmos no facilitismo de dizer: «Se não dá lucro, deixem falir!» vamos acabar com um país de criados de servir dos Alemães, Ingleses, Espanhóis, Suecos, Franceses, etc, etc, etc… que têm a coragem de manter, fazer e fazer bem.

    Não gostaria de acordar num país em que a única saída viável de trabalho para os meus filhos/netos fosse servir cerveja e tremoços aos turistas, mas cada qual saberá de si.

    PS. Não sou funcionário da TAP nem conheço quem o seja.

    • O seu raciocínio é falacioso. Se a TAP falir, o seu espaço será ocupado por outras operadoras, sejam portuguesas ou não. Não desaparece nada que faça falta ao mercado. Portanto se como diz existir uma área de negócio com empresas competentes por trás, essas empresas e o seu saber sustêm-se no mercado. É que para ser uma “área de negócio”, em primeiro lugar tem que haver negócio, e não “perdócio”. Se pelo contrário os interesses instalados forem de competência medíocre e apenas se sustentarem a parasitar a TAP e o seu saco sem fundo, pois então não fazem falta nenhuma e podem (devem) desaparecer também. Enterrar os recursos do país num buraco desses só por capricho e para satisfazer obscuros interesses, é que faz de nós os pobres.

      • Olá Estrumadura. Comentando o seu comentário 🙂

        Não gostaria de ver o espaço deixado pela TAP falida ocupado por ninguém. Reestruturem a TAP. Baixem preços e será a TAP a ocupar o lugar de outras empresas e não o inverso. A TAP é (para mim) mais importante do que apenas ‘mercado’.

        Está estudado, mais do que estudado e comprovado que: Instalar industrias/negócios de alguma envergadura, num determinado local, estruturam a atividade circundante. Pode ver isso facilmente com, por exemplo, a Auto Europa. Saiba que a Auto Europa não é só carros. É um motor da industria e, neste caso, da industria Portuguesa. Teríamos, não duvide, um tecido empresarial muito mais pobre caso a VW tivesse decidido instalar o projeto noutro pais qualquer.

        Se a TAP desaparecer, desaparecerá o grosso que exista em Portugal relacionado com o negócio. Da mesma forma que se a Auto Europa desaparecer de Palmela, desaparecerá, não duvide, grande parte do que fazemos internamente para abastecer a fábrica e seremos mais pobres por isso.

        • Comentando um outro aspecto da sua proposta de reestruturação da TAP. A TAP ou concorre com as Low cost ou com as companhias que tem um óptimo serviço. No segundo caso justificam-se os preços mais caros mas como é óbvio isso não se aplica à TAP pois infelizmente nós somos dos pobres e não temos capacidade para sustentar preços mais elevados e por outro lado as instalações aeroportuárias com excepção do Porto são uma lástima. Para ser low cost os ordenados tem que ser como os da ryanair e a produtividade também, o que os sindicatos não concordam. Portanto, se reflectir um pouco na situação a falência era um bem …

    • Permita-me discordar de si e com explicação fácil.
      Há empresas estratégicas, as que fornecem serviços básicos e essenciais e essas tem que operar porque prestam serviços básicos essenciais; se reparar mesmo essas já foram vendidas, EDP, REN, Águas, Saneamento, bancos, etc.
      Em que livro de economia é que consta que uma empresa não pode falir ?
      Na Islândia os bancos faliram, os banqueiros foram presos e sabe de algum problema ou consequência nefasta?
      Uma empresa existe para prestar um serviço dando algum lucro, ou pelo menos para se manter a operar, não dar prejuízo, se assim não for não é uma empresa mas uma santa casa da misericórdia.
      É óbvio que tem desvantagens a falência da TAP, mas entre isso e enterrar 4 ou 5 mil milhões de euros, eu preferiria que esse dinheiro fosse gasto em hospitais modernos e funcionais.
      Pela sua teoria o BPN, o BANIF, o BPP, a CGD, o BES não podem falir e nessa brincadeira já foram mais de 15 mil milhões de euros; e de onde vem o dito ?

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