Processo de sucessão de António Costa “já começou” (e há “coisas muito estranhas” na EDP)

Carlos Barroso / Lusa

Luís Marques Mendes

O comentador Luís Marques Mendes disse, no seu habitual espaço de comentário de domingo, que “a guerra da sucessão de António Costa já começou”, acrescentando que “os delfins de António Costa andam especialmente ativos“.

Para o antigo líder do PSD, Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa, e Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas, estão a “marcar posições e fazer prova de vida para suceder ao primeiro-ministro“.

Marques Mendes recordou que, na semana passada, Medina criticou “as autoridades de saúde e indiretamente o Governo” e Pedro Nuno Santos “divergiu publicamente do próprio primeiro-ministro, em matéria de presidenciais e orçamento”.



O comentador considerou “legítimo” que Pedro Nuno Santos ambicione “suceder a António Costa”, mas considerou “questionável que um Ministro venha publicamente divergir do seu primeiro-ministro“. “Só vai envenenar a relação entre um e outro”, explicou.

O antigo líder social-democrata acredita que “a guerra da sucessão mina a autoridade do primeiro-ministro”. Se os eleitores acharem “que está de saída, deixa de ser respeitado como era antes”, afirmou Marques Mendes.

Essa situação foi apaziguada a semana passada com uma entrevista de Carlos César, que disse que os eventuais candidatos a suceder António Costa terão de “esperar sentados”.

Em relação à proposta de acabar com os debates quinzenais, Marques Mendes disse que “é uma ideia desastrosa, do PS e do PSD“. “Um Governo, qualquer que ele seja, trabalha tanto melhor quanto mais for fiscalizado pela oposição e quanto mais for espicaçado pelo Parlamento”.

O ex-líder do PSD diz mesmo que “é um abuso — uma espécie de abuso de posição dominante“, que seria “mau para o Parlamento, para a oposição e para o escrutínio do Governo”, e seria “uma violência sobre os pequenos partidos”.

Já sobre o fim das reuniões no Infarmed, que “perderam a utilidade”, Marques Mendes sugere um formato diferente a iniciar em setembro: “Cada reunião seria focada num ou dois temas em concreto. A preocupação central seria a de os peritos fazerem aconselhamento ao Governo”. Marques Mendes sugere que os órgãos de comunicação social passem a assistir às reuniões.

“Há coisas muito estranhas” na EDP

Marques Mendes disse não compreender os desenvolvimentos do caso EDP, depois de o Juiz Carlos Alexandre ter decidido suspender os líderes da EDP e da EDP Renováveis e proibi-los de entrar em todos os edifícios do grupo. “Há coisas muito estranhas neste caso“, afirmou.

Marques Mendes disse não compreender porque é que “ao fim de oito anos de investigação ainda nem sequer deduziram uma acusação”, tendo em conta que “há três anos que Mexia e Manso Neto são arguidos”.

O comentador questiona ainda “porquê só agora com o Juiz Calos Alexandre“ é que o Ministério Público viu necessidade de mudar as medidas de coação.

Marques Mendes frisou que a culpa das rendas excessivas foram dos Governos. “Vários Governos — PS, PSD e CDS — durante anos andaram a engordar o porquinho da EDP para depois, na privatização, fazerem um grande encaixe financeiro à custa dos consumidores”, disse.

ZAP ZAP //

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5 COMENTÁRIOS

  1. Em relação a edp a conclusão é obvia, a espera que o processo prescreva para que os amigos dos juízes e os juízes se safem como sempre!
    A possibilidade de prescrição de um processo só por si já é um crime!

  2. Os orgãos de informação não tem comentadores tem sim é comissários políticos tanto da Esquerda como Direita e Centro, Marques Mendes tem razão quando diz que há coisas estranhas na EDP, a começar pelo Miguel Frasquilho que tinha interesses na EDP e foi negociar a sua privatização em nome do Governo que só por acaso era o teu partido e o CDS, essa não lembrava o diabo um negociador com interesses na empresa a ir negociar a privatização, como sabes tudo conta aí quem é que ele foi defender? a Empresa da qual ele era parte no interesse ou o Estado?

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