Fim das reuniões do Infarmed apanhou todos de surpresa. Epidemiologistas foram os últimos a saber

António Pedro Santos / Lusa

No final da décima reunião do Infarmed, coube a Marcelo Rebelo de Sousa anunciar o fim dos encontros. Os partidos políticos lamentam a decisão.

Marcelo Rebelo de Sousa anunciou, esta quarta-feira, o fim das sessões epidemiológicas para avaliar a situação epidemiológica da covid-19 em Portugal. Segundo o Expresso, a decisão estava pré-articulada com o primeiro-ministro, António Costa, há já alguns dias.

Na semana passada, o líder do maior partido da oposição, Rui Rio, defendeu que estas reuniões entre políticos e epidemiologistas tinham perdido utilidade e deviam acabar.

O Presidente achou que a sugestão do social-democrata devia ser ponderada e ligou ao primeiro-ministro. De acordo com o matutino, Costa concordou, mas com uma ressalva: deviam esperar para ver como corria a reunião desta quarta-feira.

A reunião do Infarmed foi pacífica. No fim do encontro, Marcelo Rebelo de Sousa saudou o modelo de monitorização da epidemia e anunciou que ia ser “descontinuado”, apanhando a maioria dos participantes de surpresa.

O Expresso realça que nada foi dito aos especialistas presentes nesta última reunião. À saída, o Presidente agradeceu “a todos”, mas referiu que, agora, “parece sensato encerrar esta fase, que cumpriu a sua função mas tem de ser reajustada”.

O Público escreve esta quinta-feira que a ideia de acabar com as reuniões foi do Chefe de Estado, corroborando o que avança o Expresso. Segundo o matutino, Marcelo Rebelo de Sousa tomou esta decisão por considerar que o modelo em causa estava já “desgastado”, querendo também “libertar-se” de um formato que o condicionava de alguma forma, uma vez que era o Presidente a falar aos média no fim das reuniões. “Assim, despe esse fato de porta-voz do Governo que já não lhe era confortável”, escreve ainda o Público.

Quase todos os partidos contra.

PCP, CDS, Iniciativa Liberal e Chega contestaram a decisão anunciada por Marcelo Rebelo de Sousa. André Ventura – que tinha sido o único político a colocar uma questão na sessão, sobre até que ponto é possível atingir a imunidade de grupo, dando como exemplo, os 5% em Espanha – disse que “lá dentro ninguém nos informou” sobre o facto de esta ter sido a última reunião.

O vice-presidente do CDS, António Carlos Monteiro, também considerou um erro terminar com estas sessões, visto que “a crise de saúde publica não acabou nem há nenhum milagre português”. O PCP argumentou que a partir de agora passam a só ter informação “do Parlamento e da comunicação social” e pediu que as reuniões sejam retomadas, “nem que seja mais à frente”.

José Manuel Pureza, do Bloco de Esquerda, reforçou a ideia de que a monitorização da situação tem que passar para os deputados. “Estamos hoje a pagar caro o desinvestimento de vários Governos em Saúde Pública”, afirmou. Ao Público, o bloquista confirmou mais tarde que só soube que estas reuniões tinham terminado no fim do encontro desta quarta-feira.

Apesar de não terem sido avisados previamente, os bloquistas entendem que o modelo das reuniões pode ser outro e adaptado à evolução da pandemia.

José Luís Carneiro, representante do PS, sublinhou que, apesar das dificuldades, as medidas adicionais aplicadas no terreno há três semanas de apoio ao isolamento dos infetados está a surtir efeito. Já Batista leite, do PSD, deixou um aviso: “Se falharmos em Lisboa, falhamos no país”.

Costa garante nova reunião no final do mês

Citado pela TSF, António Costa garantiu que não houve tensão na reunião da semana passada e utilizou as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa para justificar o fim das reuniões na instituição. “O Sr. Presidente da República explicou bem. Nós estamos numa situação estável em todo o país, temos uma informação partilhada e há dois estudos que estão a decorrer. Um deles para aferir a situação em Lisboa.”

Até que estes estudos estejam concluídos, não há razão que “justifique a essência de uma nova reunião”, disse o primeiro-ministro, adiantando, contudo, que continua a ser fundamental a partilha de dados com todas as forças políticas.

Desta forma, garantiu que os partidos vão ter acesso à informação, e que no final do mês vai haver uma nova reunião no Infarmed.

Ao contrário do que acontecia até agora, a data da nova reunião não foi marcada porque “antes estava sempre em causa uma alteração substancial da informação”. “O país está numa situação estável e não se antecipa a necessidade, nem a possibilidade, de haver uma alteração dos estados no país.”

ZAP //

PARTILHAR

RESPONDER

Hong Kong. Magnata da imprensa Jimmy Lai libertado sob caução

O magnata da imprensa e uma das principais figuras do movimento pró-democracia de Hong Kong Jimmy Lai foi esta terça-feira libertado sob caução, constatou a agência France-Presse. Jimmy Lai tinha sido detido na segunda-feira, ao …

Lar de Reguengos de Monsaraz diz ter feito tudo para salvar vidas

A direção do lar de Reguengos de Monsaraz (Évora) onde surgiu o surto de covid-19 que causou 18 mortos garantiu ter feito “tudo” ao seu “alcance” para “salvar vidas”, nesta “crise” com “contornos dramáticos”. A Fundação …

Israel fecha os olhos e deixa palestinianos cruzarem a fronteira para ir a banhos

As autoridades israelitas têm deixado milhares de palestinianos cruzar a barreira de separação entre os dois territórios para poderem ir às praias. Este foi um fim-de-semana muito especial para Siham e os seus cinco filhos. …

Diabéticos e hipertensos voltam a ter faltas justificadas

Os diabéticos e hipertensos sem condições para desempenharem funções em teletrabalho voltam a ter direito a justificar as faltas ao trabalho devido à pandemia de covid-19, segundo um diploma publicado em Diário da República. “Os imunodeprimidos …

Deputada da Coreia do Sul debaixo de fogo. Usou um vestido no Parlamento

Na semana passada, a deputada sul-coreana Ryu Ho-jeong usou um vestido numa assembleia legislativa, sendo bombardeada com críticas que gerou um debate sobre sexismo e a cultura patriacal do país. De acordo com a CNN, na …

SC Braga oficializa "top gun" Gaitán por duas temporadas

O internacional argentino Nicolas Gaitán assinou um contrato com o Sporting de Braga válido por uma época, com outra de opção, informou esta terça-feira o clube minhoto da I Liga de futebol. Formado no Boca Juniors, …

Vacina russa chama-se "Sputnik V" e foi já pedida por 20 países

A vacina russa contra a covid-19, cujo registo foi esta terça-feira anunciado pelo Presidente, Vladimir Putin, chama-se "Sputnik V", vai começar a ser fabricada em setembro e já foi encomendada por 20 países. De acordo com …

Rui Pinto no Twitter: "Travessia do deserto” terminou mas a “luta continua”

Rui Pinto assumiu que a “árdua e longa ‘travessia do deserto’” chegou ao fim, aludindo à sua libertação, mas avisou que “a luta continua”, pois Portugal “continua um paraíso para a grande corrupção” e branqueamento …

PJ deteve suspeita de atear fogo florestal no Parque Nacional da Peneda-Gerês

A Polícia Judiciária (PJ) de Braga deteve uma mulher de 57 anos suspeita de atear um incêndio florestal registado em 4 de agosto no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), no concelho de Terras de Bouro. Em …

Mais duas mortes e 120 novos casos. Lisboa com 60% dos novos infetados

Portugal regista esta segunda-feira mais duas mortes, 120 novos casos de infeção por covid-19 e 160 curados em relação a segunda-feira, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS). O número de pessoas internadas é …