“Não está na hora de pôr cascas de banana”. Rio afasta crise política, mas quer Marcelo mais exigente com o Governo

ppdpsd / Flickr

O presidente do PSD, Rui Rio

Rui Rio, líder do maior partido da oposição, não vai forçar uma crise política, mas admite que está mais exigente com o Governo.

Esta segunda-feira, em entrevista à TVI, o presidente do PSD admitiu que “o pior que podia acontecer” ao país, neste momento, era somar uma crise política a uma crise sanitária.

Nesse sentido, e apesar de garantir que está a fazer oposição a António Costa, Rui Rio afirmou que “não está na hora de tentar pôr cascas de banana ao Governo para ver se a coisa corre mal para eu ganhar votos com isso”.

Na entrevista, Rio lamentou as críticas de que o PSD tem sido alvo por parte do Governo, falando em “ingratidão” e “tática política errada”. “Por mais que eu entenda que o PS é ingrato, e se porta mal, e que eu faria diferente se lá estivesse, há uma coisa acima, que é o interesse nacional”, disse, rejeitando “criar um caos ainda maior”.

Ainda assim, admitiu que agora tem de ter “sentido crítico” e pode “exigir que o Governo faça melhor”, uma vez que agora “os erros são maiores“.

As críticas mais duras do social-democrata ficaram reservadas para o planeamento da segunda e terceira vagas da pandemia, tendo criticado a “bagunça” em torno da vacinação.

No que toca aos casos de vacinação de pessoas não prioritárias, muito vezes justificados pelos intervenientes com a sobra de doses, Rui Rio questionou: “mas sobram como?“. “Os que recebem 50, mas afinal eram 40, descongelam aquelas 10 para quê se não têm as pessoas para dar? Não compreendo.”

Quanto à vacinação dos deputados, criticou que o critério escolhido tenha sido o protocolo do Estado, segundo o qual Rio seria o segundo parlamentar a ser vacinado, e afirmou que aceitará ser prioritário caso haja “uma revisão dos critérios” que priorize “só aqueles que se consideram vitais para o funcionamento da Assembleia da República”.

Sobre o caso da nomeação do procurador europeu, José Guerra, defendeu que seria motivo mais do que suficiente para o primeiro-ministro ter demitido Francisca Van Dunem.

Em relação a Marcelo Rebelo de Sousa, reeleito há uma semana, Rui Rio disse que não considera que o Presidente da República deu a mão ao Governo num quadro de crise de saúde pública e económica. No entanto, apelou a que, no segundo mandato, seja “mais crítico e mais exigente” com a atuação do Executivo de António Costa.

“Gostava de ver o Presidente da República no seu segundo mandato um pouco mais crítico e mais exigente com o Governo”, frisou. “Quando há esta falta de planeamento, este ziguezaguear do Governo, o Presidente tem de vir a terreiro. Tem de ser mais exigente com o Governo e ajudar o país.”

“Clichés” e “bazófias” de André Ventura

Questionado por Miguel Sousa Tavares sobre a intervenção de André Ventura na noite das presidenciais – que disse que sem o Chega não voltaria a haver um Governo de direita em Portugal – o líder social-democrata respondeu com um sorriso e desvalorizou o adversário.

“Enquanto for assim com essas bazófias nós, os portugueses, estamos bem com a extrema-direita”, disse.

Rui Rio usou exemplos dos partidos de extrema-direita consolidados em Espanha (Vox), França (Rassemblement National) ou Alemanha (AfD) para sublinhar que, na Europa, estes partidos “não andam com clichés” nem com a “bazófia” de André Ventura. Em vez disso, “têm pensamento estruturado”.

“O Chega não tem um pensamento estruturado, nem de longe, nem de perto. É uma federação de descontentes. Ninguém consegue ser um partido forte quando é pela negativa. A partir de agora ou se firma como um partido pela positiva, com ideias e recursos humanos, ou vai esvaziar”, defendeu.

Sobre eventuais acordos com o partido de Ventura, Rio sublinhou que “se alguma coisa nos for pedido que vá ferir os nossos princípios a resposta é ‘não'”.

Liliana Malainho, ZAP // Lusa

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