Relatório de Tancos divide Parlamento. Direita acusa PS de “branqueamento”

Olivier Hoslet / EPA

José Azeredo Lopes

O relatório da comissão parlamentar de inquérito ao roubo a Tancos chegou esta quarta-feira ao plenário e dividiu o Parlamento em dois.

O relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito ao furto de material militar em Tancos subiu esta quarta-feira à tarde a debate no Parlamento. De um lado posicionaram-se os partidos de esquerda (que aprovaram o relatório), afastando responsabilidades políticas neste caso; do outro PSD e CDS (que votaram contra), que arrasaram um documento que acusam de “branquear” a ação do Governo.

“A maior branqueadora que este país conhece é a máquina da gerigonça”, atirou o deputado do CDS Telmo Correia, defendendo que as conclusões da comissão não fazem mais do que “diluir, lavar, branquear” o que realmente sucedeu em Tancos, quer quanto ao desaparecimento do material militar, quer quanto à sua posterior recuperação.

Isto é a história de um roubo e três encenações. Primeiro, a encenação da Polícia judiciária Militar, depois a encenação do Governo, e em terceiro a encenação deste relatório, que esconde a verdade”, acusou o deputado, citado pelo Diário de Notícias.

Telmo Correia defendeu ainda que o objetivo dos socialistas é encerrar rapidamente este assunto e que o documento não é mais que “as alegações de defesa do Governo e do PS”.

O PSD também não foi brando nas críticas, com Berta Cabral, coordenadora dos sociais-democratas na comissão parlamentar de inquérito, a afirmar que “é absolutamente incompreensível que uma comissão que tinha por objeto encontrar as responsabilidades políticas no furto ocorrido em Tancos, acabe por concluir que as mesmas não existiram quando um ministro da Defesa e Chefe do Estado-Maior do Exército se demitiram exatamente na sequência deste processo”.

“Isto não são consequências políticas? É o quê? É o elefante no meio do processo…“, acusou a deputada, argumentando que “também não se pode afirmar com total certeza, como faz o relatório, que o primeiro-ministro apenas teve conhecimento da atuação da Polícia Judiciária militar no dia 12 de outubro de 2018”.

À esquerda, o PS acusou a direita de não estar interessada em apurar a verdade. O Bloco de Esquerda apontou uma “falha grave” ao Estado e o PCP apontou “erros na gestão política”, defendendo, no entanto, que o relatório assenta em “factos” e faz uma “análise corajosa” do que aconteceu em Tancos.

O caso remonta ao final de junho de 2017, quando foi noticiado o furto de material militar nos paióis de Tancos. Poucos dias depois, o Ministério Público anunciava a abertura de um inquérito por suspeitas de prática dos crimes de associação criminosa, tráfico de armas internacional e terrorismo. Uma investigação liderada pela Polícia Judiciária (PJ), em colaboração com Polícia Judiciária Militar (PJM).

Em outubro, a PJM anunciou a recuperação do material furtado, que foi encontrado na Chamusca (Santarém). Mas esta recuperação viria a ser alvo de uma investigação em setembro de 2018, visando o alegado encobrimento do furto e a posterior encenação da sua recuperação por parte de elementos da PJM. O ex-diretor desta polícia militar, Luís Vieira, foi constituído arguido.

Pelo meio, este caso provocou a demissão do então ministro da Defesa, Azeredo Lopes, depois do seu ex-chefe de gabinete ter confirmado que recebeu um documento sobre a forma como foi recuperado o material roubado em Tancos.

LM, ZAP //

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