Plano Outono-Inverno prevê hospitais covid free, testes rápidos e task-force para doentes não-covid

Caroline Blumberg / EPA

O Plano de Outono-Inverno do Ministério da Saúde foi divulgado esta segunda-feira. O documento será revisto a cada dois meses.

O Plano da Saúde para o Outono-Inverno, divulgado esta segunda-feira pela Direção-Geral da Saúde (DGS), revela que já está em curso a elaboração de mapas de risco epidemiológico, de forma a garantir a “adequação e proporcionalidade das medidas ao risco real de cada região ou local” e a “rápida implementação” de medidas de saúde pública correspondentes a cada nível de risco.

De acordo com o Expresso, o documento assenta em três pilares: a resposta ao risco sazonal incluindo a covid-19; a garantia da resposta de cuidados de saúde não-covid; e um conjunto de medidas específicas em termos de comunicação e literacia.

Na resposta ao risco sazonal – que junta a gripe à covid-19 -, o plano prevê o reforço da resposta em saúde pública, especialmente em situações de surtos e o planeamento da vacinação contra a gripe e contra a covid-19, “logo que a vacina esteja disponível”.

A campanha de vacinação contra a gripe sazonal vai ser antecipada para o final de setembro e deverá chegar a mais gente. É o caso das grávidas, que se juntam aos residentes e funcionários dos lares e profissionais do Sistema Nacional de Saúde (SNS).

Além disso, prevê-se a adaptação da estratégia nacional de testes laboratoriais para o SARS-CoV-2 face à epidemia de gripe e um reforço de stocks e reserva estratégica de medicamentos, dispositivos médicos, equipamentos de proteção individual e testes laboratoriais. Uma das grandes apostas reside em “consolidar o plano de intervenção em estruturas residenciais para idosos”.

A Direção-Geral de Saúde está também a rever a definição de caso suspeito e os critérios de alta e fim de isolamento, uma vez que a gestão de casos suspeitos de covid-19 “implica a gestão a montante de todos os casos suspeitos de infeção respiratória aguda, cujo diagnóstico diferencial inclui, entre outros, a infeção por SARS-CoV-2, por vírus da gripe e por vírus sincicial respiratório”.

O uso de máscara continua a ser obrigatório para pessoas com mais de 10 anos “em espaços públicos fechados”, mas é recomendado o seu uso “em qualquer espaço aberto ou fechado sempre que não esteja garantido o distanciamento físico mínimo de dois metros”.

Em nome da sustentabilidade ambiental e para evitar a escassez de máscaras cirúrgicas nas unidades prestadoras de cuidados de saúde, o plano incentiva o uso de máscaras comunitárias certificadas.

Doentes não-covid

O plano prevê a criação de uma task-force, constituída por elementos de cada Administração Regional de Saúde e que funcionará na dependência do Ministério da Saúde, que se baseia numa “aposta na resposta maximizada nos cuidados de saúde primários, com atendimento presencial, não-presencial e domiciliário, bem como nas respostas de proximidade, incluindo dispensa de medicamentos”.

A estrutura irá definir “critérios de seleção dos utentes cujo seguimento possa ser assegurado, pelo menos parcialmente, por teleconsulta e telemonitorização“.

Além disso, o documento prevê a definição de unidades hospitalares “covid-19 free”, para evitar “a degradação do acesso em situações de crescimento epidémico significativo” e para continuar a expansão da hospitalização domiciliária.

Há também uma mudança na organização dos hospitais, dado que as Áreas Dedicadas à Covid-19 vão ser convertidas em Áreas Dedicadas aos Doentes Respiratórios, recebendo não só doentes de covid-19 como utentes com outras doenças do foro respiratório.

O documento prevê também a utilização de testes rápidos, com resultados em menos de 60 minutos e outros com resultados disponíveis em 24 horas, um complemento aos testes de maior validade científica para garantir uma abordagem mais célere a um caso suspeito.

Plano chega tarde e falha na “gestão operacional”

Alexandre Lourenço, presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, considera que o documento “deveria ter sido apresentado em junho” e que o final de setembro “é um momento de decisão e implementação”.

Apesar de ser “interessante” e de merecer uma nota positiva quanto à criação da rede covid e não covid e aos de mapas de risco epidemiológico, “falta gestão operacional“.

“Não diz quais os recursos que vão ser afetos e quais as áreas que vão ficar dedicadas à covid, a partir de que níveis será accionada as unidades free covid ou quantas camas terão”, reagiu, em declarações ao Público.

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães, também ambicionava um plano “mais objetivo”. “Não diz que hospitais vão ser covid free, se é possível fazê-lo só com o SNS ou se haverá apoio do setor social e privado. Que plano excecional vai ter para a recuperação de doentes?”

O responsável aplaude, contudo, a medida que prevê hospitais de retaguarda, sobretudo nas áreas metropolitanas, e admite que os testes rápidos “são muito importantes para quebrar cadeias de transmissão”.

Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, dá nota positiva à revisão do plano a cada dois meses, mas considera que o documento podia ter sido apresentado há mais tempo. Da mesma forma, Diogo Urjais, da Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiar, refere a necessidade desta atualização.

LM, ZAP //

PARTILHAR

3 COMENTÁRIOS

  1. quase em outubro e ainda se fala em fazer equipas de trabalho para fazer isto e aquilo, para delinear e pensar…
    tristeza!
    Muito profissional este plano. Deve ter sido pedido a algum amigo da familia Governo!

  2. nos outros anos temos n notícias sobre o caos nas urgências por causa da gripe.

    este ano mortes por outras causas que não o papão covid194 já são o triplo deste (6mil para as outras, menos de 2000 para o papão).

    até ao final do ano e com o caos que se espera e que há muito deveria ter sido resolvido, muitos anos antes do papão covid1984, o excesso de mortalidade deve disparar.

    claro está que responsáveis por esta desorganização nunca os haverá, é o habitual.

RESPONDER

"Burrolandia". Parque temático de burros no México está a tentar salvar estes animais

Um parque temático de burros no México serve de santuário a estes animais que estão aos poucos a desaparecer no país. "O burro ajudou o homem por muito tempo. É hora de retribuirmos o favor", …

Uma mão robótica que joga Super Mario Bros na Nintendo? Sim, existe

Uma equipa de investigadores da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, imprimiu em 3D peças para criar uma mão robótica capaz de jogar Super Mario Bros na Nintendo.  A mão robótica é totalmente montada com circuitos …

"Narco Drones" apanhados a entregar drogas numa prisão chilena

Reclusos e cúmplices no exterior estão a usar drones para contrabandear droga para a prisão mais antiga do Chile. As autoridades chilenas descobriram que o esquema de contrabando tinha como objetivo transportar drogas para a Ex …

Erupção do vulcão Etna causa problemas económicos na Sicília

Nos últimos meses, o vulcão Etna tem estado em constante erupção e o custo de limpeza das cinzas está a deixar muitas cidades da Sicília à beira da falência. O vulcão Etna – um dos mais …

Argentina cria documento de identidade para pessoas não binárias

O Presidente da Argentina anunciou, esta semana, que o país tem um novo documento de identidade para incluir pessoas não binárias. É o primeiro país da América Latina a fazê-lo. De acordo com o chefe de …

Costa diz que Portugal vai ter "o dobro" de fundos comunitários para investir

O primeiro-ministro afirmou, este sábado, que Portugal vai contar, nos próximos sete anos, com "o dobro" de fundos comunitários para investimento, considerando que esta "é uma oportunidade única" que não pode ser desperdiçada. "Vamos ter a …

Chinesa morre após salvar a filha de deslizamento de terra. Bebé esteve 24 horas nos escombros

Uma mulher morreu após salvar o seu bebé quando um deslizamento de terra e uma forte inundação atingiram a sua casa na China, revelam as equipas de resgate. Como noticia a BBC, a bebé foi resgatada …

Caso Ihor. IGAI pede expulsão do ex-diretor de fronteiras do SEF

A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) já entregou ao ministro Eduardo Cabrita o relatório final do processo disciplinar contra o inspetor coordenador do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) António Sérgio Henriques, que propõe a …

Chuvas torrenciais fazem mais de uma centena de mortos na Índia

Pelo menos 136 pessoas morreram na Índia, em consequência de chuvas torrenciais que assolaram o país e causaram fortes enchentes e deslizamentos de terra, enterrando casas e submergindo ruas. Numa altura em que as alterações climáticas …

China inaugurou o comboio mais rápido do mundo

O comboio-bala maglev, que pode atingir uma velocidade de 600 quilómetros por hora, fez a sua estreia em Qingdao, na China, esta semana. Tal como conta a cadeia televisiva CNN, este comboio-bala maglev foi desenvolvido pela …