Passos rejeita “chantagem política” e diz que não governa com o programa do PS

José Sena Goulão / Lusa

O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho

O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou que não vai governar com o programa do PS e recusou sujeitar o país a uma “chantagem política”, uma vez que foi a coligação quem venceu as eleições.

“Eu não vou governar com o programa do PS e não vou com certeza sujeitar o país a uma espécie de chantagem política em que quem perdeu impõe a quem ganhou as condições para dizer o que é que o PS acha importante para dar o seu contributo à estabilidade”, afirmou Pedro Passos Coelho esta quarta-feira.

O primeiro-ministro, que falava aos jornalistas no final de um encontro com os parceiros sociais no âmbito do Conselho Europeu de 15 de outubro, em Bruxelas, rejeitou a inversão de papéis e disse ainda que não tenciona ter “mais nenhuma reunião com o PS”.

“Não vamos inverter esses papéis e eu não aceitarei que o país fique refém deste jogo que é um jogo político-partidário, que pode ser muito respeitável para o PS, mas não é um jogo que possa prosseguir com o meu apoio”, afirmou o chefe do executivo.

Passos Coelho disse ter chegado a altura de “pôr um ponto final naquilo que o país tem vindo, atónito, a conhecer em praticamente uma semana”.

“Eu já tive duas reuniões com o PS e não tenciono ter mais nenhuma reunião com o PS para fazer de conta ou simular que estamos a procurar um resultado que até hoje não teve qualquer significado porque o PS não deu nenhum contributo para que esse resultado fosse alcançado”, acentuou Passos Coelho.

O chefe do executivo referiu que o PS poderá apresentar os seus contributos “em qualquer altura” e assegurou que a coligação deu “os passos que eram necessários e indispensáveis, com muita humildade, para procurar o apoio do PS”, o que não aconteceu.

“Nós dissemos com muita clareza: não tivemos a maioria absoluta no Parlamento e portanto não podemos governar só com o nosso programa. Estamos disponíveis para fazer concessões, mas é preciso saber o que é que o PS quer para poder dar aos portugueses condições de estabilidade”, sublinhou o primeiro-ministro.

Passos Coelho reforçou que estará “sempre disponível, aberto, para poder atingir qualquer compromisso” que dê aos portugueses garantia de que os próximos anos serão de crescimento e de retoma do emprego”, mas rejeitando “virar o resultado das eleições do avesso”.

O encontro que decorreu na terça-feira em São Bento, entre a coligação PSD/CDS-PP e o PS, terminou de forma inconclusiva, tendo Passos Coelho dito na altura que não se verificaram quaisquer avanços.

O encontro com o PS terminou “de forma absolutamente inconclusiva”, não se avançou “rigorosamente nada” na discussão da “proposta concreta” que PSD e CDS-PP fizeram chegar ao PS na segunda-feira, e cabe agora aos socialistas apresentarem “uma contraproposta”, disse então Passos Coelho.

Já o secretário-geral do PS, António Costa, afirmou por seu turno que há condições para pôr fim a “um muro” que separa socialistas e comunistas desde 1975 e que está empenhado no trabalho para a criação de um Governo alternativo em Portugal.

/Lusa

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9 COMENTÁRIOS

  1. …não façam o que eu penso. Os tiques de autoritarismo do nosso (ainda) PM são demais. Não quer uma carpete encarnada também? Cruzes, encarnada não. Quer um tapete cor de rosa para passar impante e salvar-nos a todos do apocalipse.

  2. “não tivemos a maioria absoluta no Parlamento e portanto não podemos governar só com o nosso programa” Não era mau que realmente tivessem um programa. Dava jeito o PS dar umas dicas, não dava?

    “Eu já tive duas reuniões com o PS e não tenciono ter mais nenhuma reunião com o PS” (…) “Passos Coelho reforçou que estará “sempre disponível, aberto, para poder atingir qualquer compromisso””. Sim ou não? Em que ficamos? Coerência sempre! Ainda me lembro, em campanha eleitoral (para estas mesmas eleições) o “Primeiro-Ministro” ter dito que NUNCA o PSD diria uma coisa num dia e na semana seguinte, outra… Se fôr preciso, “ele” contradiz-se na mesma frase! Não é preciso esperar uma semana.
    Mas o que me custa mais é que a maioria (realtiva) dos portugueses escolheram-nos novamente, sabendo eles em quem estavam a votar! Saberiam mesmo?…

  3. Acho estranho existirem comentários como o do ROYRODGERS, tentando tapar o sol com a peneira. É importante lembrar também, que da mesma forma e também durante a campanha, António Costa disse que não faria acordos com ninguém… a diferença não me parece grande… é mesmo “poucachinha”.

    • Já agora não se esqueça que, antes do Governo anterior tomar posse, o CDS atacava o PSD e vice-versa e depois… Até se casaram!
      De qualquer forma, não me estava a referir a ao fazer acordos ou não! Falei da coerência. Precisamos do PS, mas o PS é uma mer… mas não… precisamos dele! Ou será?… O PS é que precisa de nós, por isso, em vez de compromisso, deve ser uma cedência total (ao sabor da melhor democracia…) ás ideias da “coligação”! Tá tudo maluco!
      Tapar o sol com a peneira? Foi o que quarenta e poucos por cento de portugueses fizeram no dia 4 deste mês, ao cairem na cantiga daqueles que venderam (quase) todo o País… aos estrangeiros! Mas a peneira estava toda tapada com as tretas do Portas e Passos!

  4. Pois como tenho por vezes dito por aqui Partidos são todos iguais pois quando aperta já se pode dar mais alguma coisa ao povo com as coligações coisa que em campanha exemplo Passos disse que não poderia fazer nada por causa da austeridade mas agora já poderia favorecer qualquer coisa para ter apoio do ps, em que ficamos pode ou não dar qualquer coisa ao povo em detrimento de partidos ou amigos?
    Quanto ao ps é a mesma coisa juntar a esquerda o que choca muita gente, eu sinceramente nem sei porque ainda choca alguém, já fiz uma pergunta num outro post e vou voltar a deixa-la aqui, o que é hoje em dia esquerda ou direita em Politica?
    Posso dizer que já alguém respondeu com o que eu concordo mas gostava de ouvir a opinião de várias pessoas que por aqui vejo só a defenderem ferranhamente os partidos que lhes dizem respeito.
    Mais uma pergunta a todos, não era melhor de uma vez por todas deixarem de lado essa parte politica do esquerda e direita do sou assim ou sou assado e juntamente olharem a um bem comum ,Portugal e o seu povo?
    Serão assim todos tão incompatíveis como pessoas não como políticos
    ou partidos ?
    Só queria como pessoa simples do povo que isso fosse possível e de certeza absoluta teríamos um melhor Pais, não acham ?

  5. Para além da estrutura económica, os problemas de Portugal desde Abril, residem no facto de o PS invariavelmente (é uma tentação intestina do socialismo) optar pelo o investimento público (sem retorno, aumento do deficit, aumento das importações (desequilíbrio das balança de transacções) insuflar o endividamento das famílias (cartões de crédito na cx do correio) e do estado – A factura virá depois, um dia!
    Depois de 3 acções do FMI em Portugal foi a dirª que não foi mais do que BOMBEIRÃO… A governar em função de “ajustamentos” e não pelo seu próprio cardápio de medidas governativas! Até parece que a dirª o que fez não foi ao que estavam obrigados pelo que o PS impôs através da troika!

    • É bem preferivel vender tudo (TAP, CTT, EDP, etc) que nos possa permitir pagar as dívidas que foram criadas; sim, pelo PS, mas também pelo PSD e CDS, com obras megalómanas como as (enúmeras) estradas construidas nos Governos do Cavaco (e algumas estão ás moscas…) submarinos e afins… É curoso como vê as coisas… Foi o PSD que veio remediar a situação que o PS criou. Estude bem a situação e vai ver que chega á conclusão que foi ao contrário. Estouraram tudo e lá vem o PS tentar remediar (apertando o cinto e ficando fragilizado nas eleições seguintes) a c gad…a que os laranjas fizeram! Depois vêm os laranjinhas estourar tudo outra vez, torna-se um ciclo vicioso. O problema é que veio a crise e este ciclo foi quebrado. Desta vez teve de ser o PSD a limpar a c..ca que foi feita. Isso deu-lhes justificação para vender tudo a torto e a direito, aquilo que o Cavaco já queria fazer há muito tempo quando era Ministro e não conseguiu! O sonho dele finalmente realizou-se. A privatização de Portugal. Para isso só teve que ignorar totalmente a Constituição e deixar outros (o Governo) desrespeitá-la igualmente, tornando-se no pior Presidente da República (de Portugal pelo menos) de sempre!
      MAIS UMA VEZ, NÃO FOI SÓ O PS QUE “PEDIU” A TROIKA! O PSD E O CDS TAMBÉM! OS TR~ES REDIGIRAM O ACORDO E ASSINARAM! PARECE QUE SE ESQUEÇEM DESSE PEQUENINO PORMENOR. Acredito piamente que, grande parte da austeridade constante no primeiro acordo (porque já houve inúmeras mudanças significativas já com o PSD no Governo…) tenha sido proposta pelo PSD e CDS, uma vez que se coaduna com os seus ideais. Mas posso estar enganado…

      “insuflar o endividamento das famílias” – Sim… porque isso não acontece agora, com este Governo…

      O laranja cega os olhos e provoca perda de memória… Deve ser evitado devido a estes (e outros) efeitos secundários nefários… 😀

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