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De olho no que que ficou por executar, partidos já têm reivindicações na manga para o OE2022

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Manuel de Almeida / Lusa

Catarina Martins, Jerónimo de Sousa, António Costa

As autárquicas estão à porta, mas antes os partidos vão discutir o Orçamento para o próximo ano (OE2022). Do PCP ao PAN, as reivindicações são muitas.

Em paralelo com as eleições autárquicas, uma das grandes prioridades dos partidos é o Orçamento do Estado para 2022. Se alguns consideram que o que foi proposto o ano passado ainda não foi cumprido, outros preferem pensar no futuro. Mas uma coisa é certa: o Governo precisa do apoio dos parceiros e deverá acatar algumas das suas reivindicações.

Do lado do PCP, há uma preocupação em executar as medidas acordadas para o orçamento em vigor, sendo que o secretário-geral, Jerónimo de Sousa, já alertou, por exemplo, para o incumprimento do executivo quanto à “gratuitidade das creches” e ao investimento no Serviço Nacional de Saúde.

Na Festa do Avante!, que se realizou no último fim-de-semana, o líder dos comunistas apontou os campos em que a “política de direita” falhou. “Falhou no plano económico, falhou no plano social, falhou no plano político”, referiu.

Ainda assim, o desdobramento dos escalões de IRS, em especial para as classes média e média-baixa, o reforço de vagas nas creches, aumentos salariais na Função Pública, em particular para as categorias mais baixas, ou a subida, já em 2022, do salário mínimo nacional para os 850 euros são reivindicações comunistas.

Já o Bloco de Esquerda, definiu três áreas prioritárias para a discussão orçamental. Na legislação laboral, o partido liderado por Catarina Martins quer acabar com os abusos das empresas de outsourcing, apontando como exemplo o caso do pessoal de limpeza da CP que está há dois meses sem receber, bem como retomar a discussão sobre o reforço das indemnizações por despedimento.

No que diz respeito à proteção social, o Bloco quer assegurar a atribuição do subsídio social de desemprego e do subsídio de desemprego a quem tenha ficado sem essas prestações.

Relativamente ao SNS, o partido leva para a mesa negocial, entre outras exigências, a criação de um programa de recuperação dos cuidados de saúde não relacionados com a covid-19.

No dia de ontem, Catarina Martins, que esteve em Santarém para um encontro de mulheres autarcas, voltou a avisar que há uma longa a lista de exigências para que haja um acordo com o Governo.

No âmbito das discussões para o próximo Orçamento, o PAN vai recuperar a proposta feita há um ano com vista à revisão dos escalões de IRS dos agregados entre o 3.º e o 6.º escalões, abrangendo 54% da população que paga este imposto.

Inês Sousa Real, porta-voz do PAN, referiu ao Público que “não podemos esquecer que a pandemia afetou esta população”.

O PAN pretende também reivindicar uma revisão dos escalões das pensões de reforma para garantir que em 2022 não exista qualquer perda de rendimento nas pensões mais baixas.

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Os Verdes, tal como os comunistas, preferem concentrar-se na execução das medidas negociadas com o Governo para o Orçamento deste ano, considerando que será em função disso que o partido medirá a credibilidade do executivo.

Contudo, enaltecem a necessidade de uma revisão dos escalões do IRS, a revisão da lei laboral, com mais garantias para os trabalhadores, ou medidas concretas de combate às alterações climáticas e de promoção do bem-estar social e animal são exigências que os ecologistas vão colocar na discussão com o executivo.

  ZAP //

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