Novo plano força polícias e militares a ceder vacinas. Critérios de chamada variam de região para região

João Sena Goulão / Lusa

A ritmo mais lento da chegada das vacinas a Portugal levou o novo coordenador da task-force, Henrique Gouveia e Melo, a alterar o plano inicial de vacinação. Agora, 90% das vacinas disponíveis destinam-se a “salvar vidas” e 10% a “ir reforçando a resiliência do Estado em período de pandemia”.

De acordo com o semanário Expresso, que avança a notícia esta sexta-feira, 90% das vacinas disponíveis vão ser administradas às pessoas com 80 ou mais anos e pessoas entre os 50 e os 79 anos com uma das quatro doenças de maior risco para a covid-19 (cardíaca, coronária, renal e respiratória grave).

Assim, o novo plano vai atrasar o ritmo de vacinação de profissionais de serviços essenciais do Estado, que integram a primeira fase do plano e onde se incluem as Forças Armadas e forças de segurança, bombeiros, elementos de órgãos de soberania, como tribunais e o Parlamento, e médicos que não estejam na linha da frente.



O objetivo passa por realocar algumas dezenas de de milhares de vacinas para os grupos que se considera fundamental proteger.

O plano de vacinação estabelece três grandes objetivos: “Salvar vidas, incidindo nos grupos mais fragilizados da sociedade”, “conferir resiliência à resposta do Estado, começando pelo setor da saúde e progressivamente alargando a outros setores críticos e essenciais” e “libertar a economia através de um processo de vacinação indiscriminado e massivo da população adulta”.

Segundo Gouveia e Melo, este é “um exemplo de adaptação do plano às condicionantes exteriores, preservando e focando a resposta no que é, de momento, mais premente e essencial”. O vice-almirante acrescenta que o “enfoque superior ao objetivo de salvar vidas” acontece quando “já foram reforçados os grupos mais prioritários da saúde e dos serviços críticos e essenciais”.

Até ao final de janeiro, praticamente todos os médicos e enfermeiros do Serviço Nacional de Saúde (SNS) já tinham tomado pelo menos a primeira dose, estando o processo no privado mais atrasado.

Critérios de chamada variam de região para região

O jornal Público adianta esta sexta-feira que o critério de chamada para vacinar não é uniforme no país. No Norte, Centro e Algarve, por exemplo, as pessoas estão a ser convocadas pela idade, mas em Lisboa e Vale do Tejo a escolha é determinada de forma aleatória.

A seleção “é feita de forma automática e aleatória na região”, sendo as pessoas convocadas “à medida que as vacinas vão sendo redirecionadas”, segundo a Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo. “As listas de suplentes seguem o mesmo princípio”.

No Norte, o critério é ir “da idade maior (por exemplo, 90 ou mais) para a menor (até 80)” e, no grupo a partir dos 50 com comorbilidades, a regra é a mesma. Já no Centro a priorização nestes dois grupos “é feita por ordem decrescente de idade”. No Algarve, o critério é semelhante, mas também é levada em conta a gravidade das doenças. A convocatória é feita por ordem decrescente de idade” e “atendendo à gravidade das comorbilidades associadas”.

Segundo a nova coordenação da task-force do plano de vacinação, a idade deve ser o principal critério, mas esta orientação ainda não está escrita porque caberá à Direção-Geral da Saúde (DGS) fazê-lo. “Dentro desses dois grupos, a vacinação deve ser feita de cima para baixo”, disse o comandante Ramos de Oliveira, porta-voz da task-force, ao mesmo jornal.

“No meu Aces [Agrupamento de Centros de Saúde], estamos a selecionar por idade decrescente, do mais velho para o mais novo”, disse Nuno Jacinto, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral que trabalha em Évora.

“A idade é o critério mais equitativo e transparente”, considerou José Luís Biscaia, diretor executivo do Aces do Baixo Mondego. Neste agrupamento, a chamada começou pelos “centenários” e, no caso do grupo dos acima de 50 com comorbilidades, a opção é priorizar quem tem mais de uma patologia, combinando este critério com o da idade.

Astrazeneca garante 1/3 das vacinas do trimestre

De acordo com o ECO, Portugal estima receber 2,5 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 até ao final do primeiro trimestre em vez dos 4,4 milhões de doses previstos inicialmente. Assim, Portugal já recebeu quase um terço (30,79%) das encomendas previstas para este trimestre.

Esta sexta-feira, deverá chegar mais uma encomenda de vacinas, desta vez da AstraZeneca. Com a chegada destas 93.600 doses, e juntando a encomenda de 104.230 doses da Pfizer de segunda-feira, bem como as restantes 651.900 doses recebidas desde o arranque da vacinação, Portugal já superou as 849 mil doses recebidas.

Nos primeiros tempos, as encomendas chegavam de forma mais espaçada, uma vez que existia apenas um tipo de vacina aprovada pela Agência Europeia do Medicamento (EMA), a da Pfizer. Agora, há mais dois tipos diferentes de vacinas aprovadas na União Europeia: a da Moderna, aprovada a 6 de janeiro, e da AstraZeneca/Oxford, aprovada a 29 de janeiro.

A estas vacinas já aprovadas pelo regulador europeu, poderá juntar-se em breve a vacina da Janssen-Cilag, farmacêutica do grupo Johnson & Johnson, que já está a ser avaliada pela EMA e que só precisa de uma toma.

A EMA deverá emitir o seu parecer em meados de março, mas o presidente do Infarmed prevê que as primeiras doses cheguem no segundo trimestre, com 1,25 milhões de doses, de um total de 4,5 milhões, que estão previstas ao longo deste ano.

Maria Campos, ZAP //

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