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“Expectativas infundadas.” Gouveia e Melo pede que autarcas não abram já centros de vacinação

António Cotrim / Lusa

O vice-almirante Gouveia e Melo, coordenador do grupo de trabalho para o plano de vacinação contra a covid-19, escreveu uma carta a pedir aos autarcas para que os centros de vacinação massiva não sejam ativados para já, devido à escassez de vacinas.

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De acordo com o Expresso, a carta de Gouveia e Melo foi enviada na terça-feira aos autarcas. Nela, o coordenador da Task Force salientou que os autarcas são fundamentais para o processo de vacinação e que as autarquias devem ser envolvidas no processo.

A “ação muito relevante” das autarquias para o sucesso do processo de vacinação pode ser sentida designadamente ao nível da coordenação logística aos centros de saúde, transporte de pessoas com dificuldades de mobilidade ou em isolamento e na identificação de pessoas dificilmente contactáveis, escreveu o responsável.

Sublinhando o papel que as autarquias terão no futuro, o vice-almirante recomendou que os centros para vacinação em massa se mantenham encerrados. Pelo menos, para já.

O pedido é justificado pela falta de vacinas que torna os centro de vacinação, nesta fase, desnecessários. Gouveia e Melo alerta que a montagem, por algumas autarquias, de centros de vacinação rápida e massiva, “é passível de criar, na ótica da Task Force e face à referida escassez de vacinas, expectativas infundadas na população”.

“Todos os contributos serão, a seu tempo, bem recebidos”, lê-se na carta, que adianta ainda que o padrão das estruturas de vacinação massiva ainda está a ser “refinado” pela Direção-Geral da Saúde e pela Task Force.

Este tipo de solução será necessário num futuro próximo, mas a edificar num processo coordenado, controlado e gradual à medida das necessidades e envolvendo todas as entidades competentes.

Na passada semana, a Câmara do Porto, em conjunto com os hospitais de São João e Santo António e com a Unilabs, anunciou a instalação de um drive thru, no Queimódromo, com capacidade até 2000 doses de inoculação diária. A Amadora disponibilizou o pavilhão desportivo Rita Borralho e Sintra cinco polos de vacinação. Estas instalações multiplicam-se um pouco de norte a sul do país, escreve o semanário.

Atraso das vacinas. Portugal é um dos castigados

Em conferência de imprensa, João Ferreira, do PCP, considerou que Portugal é um dos países que mais tem sido castigado pelos atrasos na distribuição de vacinas contra a covid-19 por parte das farmacêuticas, devido ao enorme peso detido pela vacina da AstraZeneca nos contratos de aquisição estabelecidos pelo país.

“Portugal é um dos países mais afetados” pelas falhas na capacidade produtiva das farmacêuticas, na medida em que “nas opções de compra que fez” a vacina da Astrazeneca detém uma “grande importância”, justificou, citado pelo ECO.

Como Portugal “não pode ficar prisioneiro dos interesses” económicos destas farmacêuticas, João Ferreira defende que o país deve tentar contornar o problema da falta de vacinas através da “aquisição de vacinas noutros países além do quadro da União Europeia”.

O eurodeputado comunista defende também que deverão ser criadas “condições para que haja futuramente criação nacional neste domínio” de produção.

Idosos e funcionários dos lares e cuidados continuados

O Público avança, esta quarta-feira, que a vacina contra a covid-19 já foi administrada a cerca de 170 mil idosos e funcionários dos lares e das estruturas de cuidados continuados.

“Aqueles que faltam vacinar são entidades que estão ou estiveram com surtos ativos”, esclareceu a Direção-Geral da Saúde (DGS), mantendo a meta de ter a vacinação nos lares completa até ao final de fevereiro, “excetuando os surtos ativos”.

  Liliana Malainho, ZAP //

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