Novas variantes “têm risco aumentado de mortalidade”. Perito propõe voltar a testar casos positivos

António Cotrim / Lusa

O Presidente da República, o primeiro-ministro e representantes dos partidos estão reunidos esta terça-feira, no início da segunda semana do processo de desconfinamento do país, com peritos de saúde pública.

Nas instalações do Infarmed estão apenas presentes a ministra da Saúde, Marta Temido, e a maioria dos epidemiologistas. Os restantes participantes – Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa e Ferro Rodrigues, os representantes de partidos, membros do Conselho de Estado e parceiros sociais – estão a acompanhar a reunião por videoconferência.

Segundo André Peralta Santos, da Direção-Geral da Saúde (DGS), mantém-se a “tendência de descida” na incidência da covid-19.

“Houve uma diminuição generalizada por todo o território da incidência cumulativa”, revelou, dizendo que há “poucos” e “dispersos” concelhos acima dos 120 casos por 100 mil habitantes, em zonas de pouca densidade populacional.

O especialista afirmou que a população ativa voltou a ser a população com maiores incidências e o grupo dos 80 anos ou mais, que é especialmente vulnerável, passou a ter uma incidência inferior à média nacional.

De acordo com o perito, enquanto as regiões de Portugal continental mantêm uma tendência decrescente, “Lisboa e Vale do Tejo é aquela que tem uma incidência maior”.

Em relação às variantes, “houve um aumento, como seria de esperar, com uma prevalência estimada, para Lisboa e Vale do Tejo, de 73.3%, e de 60%/65% no norte e no centro, a região Algarve e Alentejo, onde temos um pouco de menos dados, as estimativas têm uma maior incerteza, mas à volta de 30% no Alentejo e no Algarve de 70%”.

Quanto às hospitalizações em cuidados intensivos, estão abaixo do indicador de 245 camas. Quanto a hospitalizações por enfermaria, há uma descida muito expressiva no grupo com mais de 60 anos.

“Valor do R tem vindo a aumentar”

Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, disse que, neste momento, a média a cinco dias do R – taxa de incidência – é de 0,89. Na última reunião, estava nos 0,64.

“Valor do R tem vindo a aumentar”, afirmou Baltazar Nunes, acrescentando que os especialistas consideram este aumento “natural” e que reflete a redução do número de casos. “É natural que haja o abrandar da velocidade de decréscimo, embora também tenha os seus riscos”, avisou.

“Atualmente todas as regiões do continente, assim como o território nacional, estão na zona verde, com uma incidência abaixo dos 120 e um Rt abaixo de 1”, disse. Apenas os Açores têm R superior a 1 no território nacional.

Em relação à incidência, a faixa entre os 20 e 30 anos é o grupo etário com maior incidência. O grupo dos mais de 80 anos teve “uma redução bastante acentuada”. A incidência estabilizou e “atualmente já não se prevê que chegue aos 60 casos por 100 mil habitantes no final de março”.

Nos internamentos em cuidados intensivos, o país atingiu os objetivos traçados antes do previsto.

Testagem massiva terá sistema de notificação “ágil”

Segundo Ricardo Mexia, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, o plano de testagem massiva vai incidir nas zonas onde há mais casos, nos locais onde há maior exposição e entre as populações mais vulneráveis e serviços essenciais.

Vai existir também um sistema de notificação para informar de forma “ágil” da testagem, “seja por plataformas web ou aplicações”, e “tem de haver forte capacidade de resposta” aos casos verificados.

O especialista alerta, contudo, que “os testes não se substituem uns aos outros”, considerando que e “a vigilância epidemiológica e das variantes que circulem faz com que seja fundamental fazer testes PCR para assegurar estas vertentes”.

Especialista propõe voltar a testar casos positivos

João Paulo Gomes, do Instituto Ricardo Jorge, disse que, em relação à variante britânica, Portugal está com um “crescimento bastante acelerado”, no grupo acima dos 50% e 60%. Neste momento, já estará mesmo acima dos 80% e “não é de estranhar” se daqui a semanas estiver acima dos 90%.

Quanto à variante da África do Sul, registam-se apenas 24 casos, “um número modesto”, embora não deixe os especialistas “descansados”. Na variante da África do Sul, há mais casos de falhas nas vacinas.

O perito destaca a importância do controlo de fronteiras, a nível do “historial de viagem” dos passageiros que chegam a Portugal de avião, para que não se espalhe tanto como a variante do Reino Unido.

No caso da estirpe de Manaus, no Brasil, há 16 casos em Portugal – “dentro da média dos restantes países”.

O especialista propõe um aumento de amostragem, alargando a rede de laboratórios que fazem este trabalho de sequenciação aos da academia e aos da rede privada. Outra proposta é uma possível retestagem, com testes PCR, de quem tiver dado positivo em testes rápidos.

Repetir os testes com o método que identifica imediatamente as mutações associadas às novas estirpes é o caminho para melhorar este controlo, assegurou.

Henrique de Barros, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, revelou que todas as variantes que surgiram “têm risco aumentado de mortalidade”. “A variante espanhola é a que tem a letalidade mais alta, mas é possível que a inglesa e a brasileira venham a ter relevância importante quando os números forem maiores”, disse.

Após esta reunião, a Assembleia da República vai debater e votar o projeto de decreto presidencial para a renovação do estado de emergência por novo período de 15 dias, com efeitos a partir de 1 de abril e que abrangerá o período da Páscoa.

Apesar de a situação epidemiológica do país evoluir favoravelmente, Marcelo considerou, esta segunda-feira, muito provável que o quadro legal do estado de emergência se prolongue até maio, enquanto houver atividades encerradas. “Eu decretarei a renovação do estado de emergência e falarei depois ao país.”

  Maria Campos, ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. O perito tal como os demais políticos têm o deles assegurado.
    É preciso sensatez e compromissos!
    Não dá para andar nisto a vida toda! Chega!

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