Motins em Portland marcam segundo dia de protestos contra Trump

Peter Dasilva / EPA

Manifestantes queimam a bandeira dos EUA na segunda noite de protestos contra a eleição de Donald Trump

Manifestantes queimam a bandeira dos EUA na segunda noite de protestos contra a eleição de Donald Trump

Os protestos contra a eleição de Donald Trump prolongaram-se na noite de quinta-feira, pelo segundo dia consecutivo, com milhares de pessoas a manifestarem-se em cidades de estados democratas e republicanos.

Em São Francisco, estudantes do ensino secundário avançaram pelo centro da cidade, gritando “Not My President” (“Não é o meu Presidente”) e com cartazes a exigir o afastamento de Donald Trump. Agitaram também bandeiras arco-íris, símbolo da comunidade LGBTQ, e bandeiras mexicanas.

“Como pessoa ‘queer’ branca, precisamos de unidade com as pessoas de cor, precisamos de nos levantar”, disse Claire Bye, de 15 anos. “Estou a lutar pelos meus direitos como pessoa LGBTQ. Estou a lutar pelos direitos dos ‘castanhos’, dos negros, dos muçulmanos”, sublinhou.

Na cidade de Nova Iorque cerca de 100 pessoas juntaram-se em Union Square, em Manhattan, para protestar contra a presidência de Trump, acompanhados também de cartazes com ‘slogans’ como “Divided States of America” (“Estados Divididos da América”), “Let the New Generation Speak” (“Deixem a Nova geração Falar”) e “Not My President”.

Numa estação de metro, os nova-iorquinos expressaram os seus pensamentos nas paredes usando ‘post-its’ com as frases “Time to Fight Back” (“É tempo de ripostar”), “Keep the Faith! Our work is just beginning!” (“Mantém a fé! O nosso trabalho está apenas a começar!”).

Na quinta-feira à noite, centenas de pessoas marcharam também nos estados de Michigan, Kentucky, Pensilvânia e Maryland.

Um grupo, onde estavam também pais com crianças em carrinhos, juntou-se perto da câmara municipal de Filadélfia com cartazes onde se lia “Not Our President,” ”Trans Against Trump” (“Transexuais contra Trump”) e “Make America Safe For All” (“Façam a América Segura para Todos”).

Em Los Angeles, o presidente da câmara Eric Garcetti, democrata, condenou o que descreveu como “um grupo muito, muito pequeno de pessoas” que danificou propriedade ou bloqueou o trânsito durante os protestos na quarta-feira à noite.

Ainda assim, Garcetti disse sentir-se orgulhoso dos milhares de pessoas que protestaram de forma pacífica.

“Na verdade achei que foi uma forma bonita de expressão da democracia. Foi maravilhoso ver a nova geração do nosso país a envolver-se”, afirmou.

Em Dallas, cerca de 300 pessoas juntaram-se em Dealey Plaza para contestar o resultado das eleições desta semana. Tal como na noite de quarta-feira, o protesto de quinta-feira foi pacífico, sem conflitos ou detenções. Terminou com uma marcha no centro de Dallas em que os manifestantes seguravam cartazes com as frases “Love Trumps Hate” e “Spirit Unbreakable.”

Motins em Portland

Apesar dos manifestantes estarem a adotar uma postura pacífica, em Portland, no estado de Oregon, as coisas ficaram feias esta quinta-feira à noite.

Segundo a BBC, várias pessoas entraram pelo centro da cidade e partiram vidros de carros e lojas, lançaram fogo de artifício e incendiaram um caixote do lixo.

A polícia declarou que se tratou de um motim e prendeu 29 manifestantes.

Entretanto, Trump voltou ao Twitter, que utilizou frequentemente durante a campanha, para se dirigir aos manifestantes.

“Acabei de ter uma eleição presidencial muito aberta e bem-sucedida. Agora os manifestantes profissionais, incitados pelos media, estão a protestar. Muito injusto!“, atirou.

Minutos antes, o Presidente eleito havia deixado uma mensagem mais positiva, a propósito do encontro com o Presidente ainda em funções, Barack Obama.

“Um dia fantástico em D.C. Encontrei-me com o Presidente Obama pela primeira vez. Muito boa reunião, ótima química. A Melania gostou muito da Mrs. O!”, referindo-se a Michelle.

Sobre esse mesmo encontro, o ainda Presidente declarou que foi uma reunião “excelente” e voltou a afirmar que o seu principal objetivo é “tentar facilitar uma transição que garanta que o Presidente eleito seja bem-sucedido”.

Estudantes muçulmanas atacadas

Os Estados Unidos estão a viver dias difíceis depois da eleição do republicano, com as minorias e as gerações mais jovens na luta contra o novo Presidente.

Além disso, os crimes de ódio contra muçulmanos parecem já fazer-se sentir. Em causa estão dois ataques contra estudantes que estão agora a ser investigados pela polícia.

Num dos ataques, dois agressores confrontaram a vítima na Universidade Estadual de San Diego e “fizeram comentários sobre o presidente eleito e a comunidade muçulmana”, segundo a polícia do campus universitário.

“Roubaram-lhe a carteira, a mochila e as chaves do carro. A vítima foi pedir ajuda e quando voltou com os polícias já tinham levado o carro”, disse o porta-voz da polícia Ronald Broussard.

“O que disseram à estudante indica que foi atacada pela sua fé muçulmana, inclusive por vestir o traje tradicional e o véu”, disse o reitor da universidade, Elliot Hirshman.

A polícia da Universidade Estadual de San José informou que está a investigar um ataque semelhante contra uma estudante no estacionamento do campus.

Um agressor aproximou-se da vítima por trás e puxou-lhe o xador (veste que cobre todo o corpo menos o rosto). A vítima ficou sem ar e caiu ao chão, revela um comunicado emitido por estudantes.

“As autoridades do campus acompanham estreitamente a situação e a investigação prossegue. Até ao momento não foram realizadas detenções”, disse Pat Harris, porta-voz da universidade, em comunicado.

A Associação de Estudantes Muçulmanos da Universidade de Nova Iorque emitiu ainda um comunicado, na passada quarta-feira, a informar que um grupo de estudantes que ia fazer as suas orações da manhã encontrou a palavra “Trump” escrita na porta da sala.

ZAP / Lusa / Rede GNI

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